Em entrevista exclusiva ao iG, Paula Barbosa, a Gina de "Meu Pedacinho de Chão", fala sobre a preparação da personagem rústica, o avô famoso e a carreira que decidiu seguir

Paula Barbosa até tentou fugir, mas a paixão pela arte está marcada no DNA da família. Ela fez Direito, Fonoaudiologia, pensou em começar Publicidade, abriu uma clínica de estética… Nada adiantou. Na ansiedade de querer provar de tudo um pouco, acabou na única profissão que permite isso em sua essência: a de atriz.

Hoje no ar como Gina em "Meu Pedacinho de Chão" (Globo), sua terceira novela, a neta de Benedito Ruy Barbosa , autor da trama, se esconde atrás de uma cabeleira de respeito. Antes de entrar no set, são duas horas e meia sentada na cadeira do camarim enrolando e armando a marca selvagem da mulher-homem da fictícia Vila de Santa Fé. Nas últimas semanas, a personagem anda ganhando toques femininos, apareceu com os cabelos domados, vestidos decorados e tudo isso movida por um recente descoberto amor. Ferdinando ( Johnny Massaro ) é seu alvo.

Na vida real, Diego Dália aguenta uma barra pesada de saudade da noiva Paula, que está com 27 anos. A família, casa e coração da atriz estão em São Paulo, enquanto ela vive entre apart-hotel e Projac no Rio de Janeiro. O iG a encontrou em um shopping na Barra da Tijuca para um papo, acima de tudo, cabeludo. Sabia que até depilação ela parou de fazer antes de começar a novela? Namoradão sofreu? Sofreu. Mas o resultado na telinha é de primeira. O papo também foi. Confira abaixo:

iG: Vamos começar pela Gina. Você já se transformou muito internamente desde o início dos trabalhos com essa personagem?

Paula Barbosa: É a terceira novela, mas é meu primeiro maior desafio de fato na TV. Os outros dois papéis (Em "Paraíso" e "Amor Eterno Amor") são importantes para mim e foram muito bons para eu começar a entender esse mundo da televisão, porque sou formada em teatro. E daí chega a Gina, que além de já ser uma personagem muito bacana de trabalhar, o Luiz (Fernando Carvalho, diretor de “Pedacinho”) me propôs essa novidade toda (aponta para os cabelos armados). Eu acho que, com certeza, é um amadurecimento e aprendizado que não tenho nem como explicar em palavras. Sinto que estou crescendo muito profissionalmente. Fora que a TV tem essa coisa de dar uma projeção que o teatro não tem. A responsabilidade é bem maior, mas estou confiante desde o início. E estou encantada.

iG: No começo do trabalho, quando você viu todas as transformações que você teria que passar para viver a Gina, te bateu um medo ou te assustou de alguma forma?

Paula Barbosa: Com certeza. O que eu mais gosto na minha profissão é pegar personagens que me desafiem horrores, que eu tenha que cavucar para encontrar aquilo dentro de mim. E a Gina tem uma baita de uma curva, né? Ao mesmo tempo, ela não pode ser brusca, porque ninguém entende. Então, como manter a personalidade dela agora que ela está se apaixonando, que está abrindo um novo mundo? É uma transformação totalmente interna, apesar de ter vestido, maquiagem, cabelo... E eu acho que estou conseguindo construir legal.

iG: As pessoas te param na rua para falar sobre a Gina ou sobre o cabelão?

Paula Barbosa: Engraçado que as crianças logo me reconhecem, mesmo quando estou totalmente diferente no visual. Mas tem gente que fica na dúvida. Alguns tomam coragem e chegam para perguntar se eu sou realmente eu. Comentam sobre a voz diferente, a postura…

iG: Ela está passando por uma transformação atualmente por causa de Ferdinando. O que você está achando?

Paula Barbosa: Eu estou adorando. Há poucos dias que ela começou mesmo a sair pela Vila com as roupas novas… Agora que ela está se mostrando. Eu usava muito o cabelo para esconder o rosto dela, para ficar uma coisa bem “casca” mesmo. E eu recebo muito via redes sociais recadinhos de pessoas piradas, apaixonadas, e que eu acho que se vêem na Gina, sabe? É muito legal.

iG: Você se identifica mais com a Gina de agora ou a Gina mulher-homem?

Paula Barbosa:  Sempre fui bem moleca, sempre gostei de jogar bola, brincar na rua. Todo mundo tem uma fase assim, seja menina ou menino. Mas acho que me identifico mais com ela com a coisa de chegar e falar na cara. Ela não pensa muito. E eu já sofri muito com isso na minha vida, de falar tudo que pensa. É pesado, porque quando você não pensa muito antes de falar, você pode soltar o desabafo de um jeito que bate errado, né? Eu acho que sou o meio-termo de Gina. Eu tenho muita coisa da parte moleca, mas eu sou feminina também. Eu sou vaidosa no sentido de cuidar da minha pele, passar cremes e etc, mas não ando todo tempo maquiada, por exemplo.

iG: Sobre a paixão por Ferdinando, você torce por um final dos dois juntos?

Paula Barbosa: Eu torço muito. É muito lindo esse amor, é uma coisa muito verdadeira. A novela deve dar uma voltinha em breve. A Gina vai começar a sentir um pouco de receio, porque o Ferdinando é um cara estudado, instruído. Vai bater uma insegurança nela. O que eles têm em comum é a terra, isso é nítido, mas fora isso eles pertencem a mundos totalmente diferentes. A Gina começa a ficar confusa com isso, e vão acontecer algumas coisas bem engraçadas… O Viramundo (Gabriel Sater) vai voltar para a cidade, e agora que a Gina está, digamos, mais simpática, ela vai sair do casulo e vai causar um ciúmes no Ferdinando.

iG: Já estava premeditado o romance entre os dois?

Paula Barbosa: Eu até conhecia o texto por causa do meu avô. Eles (avô Benedito, a mãe, Edilene Barbosa, e irmão, Marcos Barbosa) estão escrevendo há mais de um ano, a novela começou a ser produzida pronta. Mas algumas coisas estão sendo mexidas. É uma obra aberta, tem a resposta do público. A intenção de juntar a Gina e o Ferdinando já existia, mas o casal está tomando uma proporção que, de início, não era imaginada. Está ficando maior até do que eu esperava.

iG: Me conta como foi encarar esse mergulho em termos visuais para compor a personagem. A inspiração foi mesmo a personagem do filme “Valente”?

Paula Barbosa: Quando chegaram para conversar comigo, me perguntaram o que eu achava que a Gina tinha que ter. Eu queria uma coisa selvagem, queria uma cabeleira, mas não tinha imaginado em mudar a cor e nem tão enroladinho. O meu cabelo é castanho escuro e muito liso. Enfim, a equipe de caracterização estudou e me trouxe as ideias. Eu amei de cara. E uma das referências foi a princesa do filme “Valente”, mas tiveram outras também.

iG: E como é o processo? Você precisou pintar, colocar o mega...

Paula Barbosa: E todo dia tenho que enrolar, porque quando lavo o cabelo, ele fica liso. Eu demoro umas 2h, 2h30 para entrar no set. Isso tudo só para o cabelo. Mas é legal. A gente vai se produzindo e já vai aquecendo.

iG: E no dia a dia você se vira bem com ele?

Paula Barbosa: No começo eu senti muita dificuldade, porque é muito cabelo mesmo. Mas agora o cabelo vai se ajeitando também, e eu fui acostumando. E eu aproveito para usar ele desse jeito descabelado, acho que fica bonito. Estou curtindo, porque acabando a novela eu vou tirar. É lindo, maravilhoso, mas prejudica o cabelo esse negócio de megahair, né? E é tintura, é baby liss todo dia...

Paula Barbosa
Paula Giolito
Paula Barbosa

iG: Você ainda está sem fazer a sobrancelha e depilação?

Paula Barbosa: Agora que a Gina está começando a usar vestido, que está mais feminina, eu estou começando a tirar a sobrancelha aos pouquinhos. Esse tempo foi bom porque eu também relaxei mesmo, né? Já que era para sentir, resolvi sentir de verdade. Eu estava sem depilar perna, axila… Sem depilar nada. Estava selvagem total desde novembro. Agora que ela está se transformando eu já depilei axila, a unha já está cortadinha…

iG: Mas você não depilava por opção ou pedido?

Paula Barbosa: Foi por opção de encarnar mesmo no universo dela, mas também porque eu não sabia como seria o figurino. Não fazia sentido a Gina aparecer de axila depilada, entende? Na hora as pessoas iriam se distanciar dela, eu imagino.

iG: Você não acha que causaria um estranhamento aparecer sem depilar na TV? Porque é comum depilar, né?

Paula Barbosa: Mas ela não é nada comum, a novela não é comum. Se a gente ficasse nessa do comum, do realista, não ia encaixar no universo. Então, foi isso que eu pensei e o Luiz super topou. Agora, aos pouquinhos, eu vou limpando a sobrancelha… A depilação eu já fiz…

iG: Já fez perna, axila, tudo? Deve dar um alívio, né?

Paula Barbosa: Dá! Dá uma alívio. E é até uma questão de higiene pra gente, né? Mas eu me cuidei nesse meio tempo… O namorado que sofreu um pouco (risos). Mas a gente encarou numa boa. Ele viu o tamanho da personagem, como ela era, eu fui dando ideias, ele dando conselhos… Foi um período que ele sabia que ia passar comigo, então ele entrou na onda. Ele fica tirando sarro de mim às vezes, mas lidou super bem.

iG: O gene artístico está correndo nas veias, mas você demorou um pouco para decidir ser atriz integralmente, né? Como foi esse processo?

Paula Barbosa: Eu fazia teatro na escola desde muito nova, e quando eu me formei no colégio, com 17 anos, eu não sabia o que fazer no vestibular. O meu avô gosta muito de Direito, aliás, eu acho que ele gostaria de ter feito Direito, e ele me incentivou a fazer. Eu prestei a prova, passei e quis começar um estágio no primeiro semestre da faculdade, para sentir como eram as coisas. Eu fui fazer estágio no TRF (Tribunal Regional Federal) e me desiludi. Aquilo é um teatro, né? Era uma coisa tão pragmática que me assustou um pouco, sabe? É uma profissão bacana, mas não era o que eu imaginava. Parei. Como eu gostava de cantar, fui prestar Fonoaudiologia. Fiz um ano de curso, e também não servi para a coisa. Daí parei e pensei em Publicidade. Nesse momento, meus pais sentaram para conversar comigo e me incentivaram a começar a carreira como atriz. Eu queria ser tudo, e essa é a profissão que mais me possibilita isso.

iG: E daí você mergulhou neste universo?

Paula Barbosa: Daí foi. Eu comecei o curso Célia Helena, em São Paulo, e meu avô, desde que eu sou pequena, me acompanha nas pecinhas da escola. Na terceira peça que eu montei no curso, ele foi assistir e me avisou no final que me chamaria para fazer um teste para “Paraíso”. Ele me deixou bem consciente que era um teste, que poderia não rolar, mas rolou. Ele amou o teste, me deu um papel pequeno que foi crescendo, e foi maravilhoso. Desde aí eu fui só indo para frente… Daí não queria saber mais de nada.

iG: Mas e a estética? Você não tinha uma clínica?

Paula Barbosa: Ah, sim, sim. Nesses períodos parada, sem saber o que fazer, eu resolvi me inscrever em um curso livre de limpeza de pele e amei. Fiz o técnico e me formei como esteticista. Montei uma clínica logo depois que terminou “Paraíso”. Foi bem legal. Mas daí eu voltei para o Rio para fazer “Amor Eterno Amor”, e agora eu estou de volta de novo com a Gina e tive que fazer uma escolha. Decidi fechar a clínica com muita dor no coração, porque era linda. Eu não tenho prazer em abrir um negócio e deixar alguém tocando. Meu prazer é estar ali junto.

iG: Você atualmente mora aqui no Rio ou só vem para gravar e volta para São Paulo?

Paula Barbosa: Eu fico no Rio mesmo, porque estou gravando muito. Mas minha casa é em São Paulo. Eu não me mudei ainda de vez, porque eu estou começando. Fiz um trabalho, demorou para rolar o segundo… Eu fico com um pouco de receio. Mas assim que as coisas forem caminhando a gente (ela e o noivo, Diego) pensa em morar aqui, sim.

iG: Vocês conseguem se ver com uma frequência?

Paula Barbosa: Ih, muito pouco. Isso está sendo muito tenso. E eu também sinto muita falta da minha família, eu sou muito apegada a todo mundo.

iG: Trabalhar em família é mais fácil ou a pressão é maior?

Paula Barbosa: A minha família é muito grudenta mesmo. É bem Vila de Santa Fé, sabe? Mesmo nos trabalhos que eu fiz que não tinha texto deles, eles metiam o pitaco. Um fica dando palpite na vida do outro… Isso vai acontecer sempre, independente de quem for o trabalho. Trabalhar em família tem um lado bom por ter contato direto com o autor, por exemplo. Quem tem esse privilégio? É demais, não posso falar que não é. Mas por outro lado, é de mim que ele cobra pessoalmente, não é dos outros. Ele não tem meias palavras na hora de falar, e eu acho isso ótimo! O caminho que meu avô me fez percorrer quando eu entrei na TV foi muito legal. Ele não chegou e colocou lá e pronto. Ele sempre me deixou com os pés no chão, me fez estudar. Não foi uma coisa fácil. Ele não ia simplesmente me colocar lá no ar, na novela. Primeiro porque ele tem um carinho imenso por cada personagem, e não iria arriscar um deles. E também porque ele não me colocaria na fogueira. Ele esperou, e eu também. Eu nunca pedi, queria que partisse dele mesmo.

iG: Você vai mesmo se casar depois do fim de "Pedacinho". Já tem data?

Paula Barbosa: Não tenho data ainda, porque a gente ainda não sabe o que vai acontecer. O Diego também acabou de montar a produtora de áudio e vídeo dele. Ele está em um momento de começar o negócio dele. Mas a gente já mora juntos. Quer dizer, a gente montou nossa casa em São Paulo e eu vim para o Rio gravar “Pedacinho” (risos). A gente já está junto, a ideia é fazer uma festa e comemorar com amigos e família. Eu penso em um sítio, um lugar aberto.

iG: Você é romântica?

Paula Barbosa: Não muito, não… Eu sou carinhosa para caramba, adoro namorar, estar junto, mas não gosto de nhem-nhem-nhem (risos). Eu gosto de parceria, e o Diego é muito parceiro. Tanto que está passando por isso, pela distância. Talvez outra pessoa estivesse me cobrando e isso me prejudicaria. E ele, não. Ele me apoia muito. Acredito muito nessa relação, sonho com uma família e acho que temos tudo para dar certo.

* Agradecimentos: Shopping Village Mall

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