Fora da TV após a Igreja Universal comprar 22 horas da CNT, ele pretende mobilizar sua classe contra bancada religiosa. Ao iG, apresentador fez balanço da carreira, falou sobre processos e macumba que Márcia Goldschimitt teria feito


Leão Lobo
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Leão Lobo

Se tem alguém na televisão brasileira que divide opiniões é Leão Lobo . Amado por uns e odiado por outros por suas críticas de televisão e alfinetadas nos famosos, o apresentador engrossa o time dos demitidos da CNT, onde estava há cinco anos, após a Igreja Universal arrendar 22 horas da programação da emissora. "É terceira vez que os evangélicos cruzaram o meu caminho e acabam com meu trabalho. Eles estão fechando o cerco e a comunicação brasileira está correndo um sério risco”, alerta ele, que aproveita para criticar Edir Macedo . "Acredito que uma pessoa que diz, como o Edir Macedo disse, querer construir a Globo das igrejas, não dá para ser levada a sério. Ele não paga imposto, ganha muito dinheiro fácil.Ele está aí para apenas comprar e comprar.”

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Em 40 anos de carreira, Leão passou pelas emissoras Record, SBT, Band e Gazeta, onde diz ter sido vítima de Márcia Goldschmitt , que hoje não está mais na televisão e vive em Portugal com o marido e os filhos. De acordo com Leão, a apresentadora chegou a fazer macumba para ele, quando a dupla dividia o palco do “Mulheres”, em 1999. "Cheguei para gravar e em torno da minha mesa tinha um monte de pedrinhas. Os câmeras faziam sinal para eu não sentar, mas não entendi e sentei. Um deles veio até a mim e disse: ‘Foi a dona Márcia que colocou isso ai, a gente viu’. Na abertura do programa, ela foi até mim, o que nunca fazia, e disse: ‘Ai, Lele, isso aí no chão é macumba. Fizeram uma macumba pesada para você’. No dia seguinte, quando estava me arrumando, senti uma pontada na cabeça e só me lembro de acordar no hospital com minha pressão 24 por 12. Fiquei 15 dias internado.”

Processos

Outra pedra no sapato do apresentador é a quantidade de processos contra ele: nos embates judiciais, já ganhou de Henri Castelli e Karina Bachi, teve um processo movido por Luciano Zsafir anulado após uma testemunha do ator mentir em juízo, e perdeu para Suzana Vieira, Danielle Winits e Thiago Lacerda, para quem teve que pagar R$ 18 mil. "Uma telespectadora ligou no ‘Mulheres’ perguntando se ele era gay. Não respondi, o sonoplasta colocou o meu tema, que era aquele ‘Bilu, Bilu, teteia’, e a juíza entendeu que era uma alusão a ele. Para Susana, foram R$ 25 mil porque errei a idade dela em dois anos para mais e, para Danielle Winits, paguei R$ 10 mil. Dei uma nota dizendo que ela namorou o Ricardo Waddington e ela não não gostou e não queria que vazasse essa informação pelo fato dele ser um diretor e talvez o trampolim dela na Globo", lembrou.

Atualmente, Leão segue no comando do quadro “Na Boca do Leão”, no programa matinal “Conexão Iguatemi”, e ao lado de João Ferreira, à tarde, ambos na rádio Iguatemi AM 1370. No prédio da emissora, Leão Lobo recebeu a reportagem do iG para uma conversa franca, sobre carreira e televisão. 

Leão Lobo no 'Show de Calouros', de Silvio Santos, em 1993
Reprodução
Leão Lobo no 'Show de Calouros', de Silvio Santos, em 1993


iG: Após a demissão da CNT, como você está hoje?
Leão Lobo: Minha rotina está quebrada. Com o fim da CNT, fiquei desempregado. Estava lá há cinco anos, super tranquilo. Essa foi a terceira vez que os evangélicos cruzaram o meu caminho e acabam com meu trabalho. A primeira foi na Rede Mulher, que eles chegaram, compraram e foram demitindo todos. Depois fui para a Rádio Record, que era deles, e um belo dia disseram que meu programa estava acabado. Eles estão fechando o cerco, estão em todos os lugares, só restam o SBT e a Globo. A comunicação e o pensamento estão correndo um sério risco com eles.

Incomoda ver tantos colegas desempregados. Não é culpa da igreja, porque, neste caso, essa igreja é um comércio. O problema é nossa lei. Estou pensando em unir meus amigos e fazer um movimento contra a bancada evangélica no governo"

iG: O que mais te incomoda nessa situação?
Leão Lobo: É ver tantos colegas desempregados. Não acho que é culpa da igreja, porque neste caso, essa igreja é um comércio. O problema é nossa lei, que diz que as emissoras só precisam ter duas horas de programação própria. É um absurdo isso. Estou sinceramente pensando em unir meus amigos apresentadores, radialistas e funcionários de TV e rádio e fazer um movimento contra essa bancada evangélica, que é imensa e dominante no governo. É ruim não só para nós que trabalhamos, mas para o brasileiro todo. Quando se vende 22h da programação, como foi o caso, a informação e a diversão, tudo fica comprometido.

Meu último ano na Band foi um sofrimento: Tinham umas pautas ridículas para provar que homem era pior que mulher. Tinha um quiz, no qual era obrigado a errar respostas imbecis. Minhas roupas não podiam ser as minhas, tinham que ter lenços que eram a cara do Ronaldo Esper"

iG: Sua saída da Band também foi muito tumultuada. O que aconteceu?
Leão Lobo: Até hoje eu não sei o que aconteceu. Fiquei lá por oito anos como um dos recordes de venda e audiência até que chegou uma nova diretora, a Elisabetta Zenatti . Primeiro, ela queria colocar duas modelos rebolando no meu palco, o que não tinha nada a ver. Daí, ela acabou com o programa e me disse que eu ia trabalhar com uma mulher, que seria a dona da atracão e, eu, um ajudante. Tinham umas pautas ridículas para provar que homem era pior que mulher. Me colocavam para dirigir um carro e me mandavam errar, o que nem precisava, porque não sei dirigir. Depois, foi um quiz, no qual era obrigado a errar respostas imbecis. Minhas roupas não podiam ser as minhas, tinham que ter lenços que eram a cara do Ronaldo Esper , não minha. Meu último ano na Band foi um sofrimento. Fomos todos mandados embora às vésperas do Natal. Essa mulher veio chorando dizendo que a culpa era de um carrasco que tinha lá, dando a entender que era o Marcelo Meira , vice-presidente. Nunca fui perguntar pra ele, então nunca entendi o que aconteceu comigo, de quem foi a culpa. Fiquei chateado, porque a família Saad, que sempre me recebeu de braços abertos, nem falou comigo no final.

Leão Lobo entre Márcia Goldschimitt e Gilberto Barros, pessoas que ele não quer ver na frente novamente
AgNews/Divulgação
Leão Lobo entre Márcia Goldschimitt e Gilberto Barros, pessoas que ele não quer ver na frente novamente


iG: Na época, saíram notícias de que você teria se desentendido também com a Astrid Fontenelle...
Leão Lobo: Com a Astrid foi outra coisa. Quanto fui pra Band, claro que a Márcia Goldschmitt não quis trabalhar comigo - Meu problema com a Márcia foi no ‘Mulheres’, da TV Gazeta, antes de ir pra Band. A direção me pediu para arrumar alguém para ocupar ao meu lado o lugar da Claudete Troiano , que tinha ido para a Record. Eu convidei a Márcia durante o "Teleton" e ela topou na hora. Quando começou o programa, ela não falava mais comigo. Os diretores mandavam a gente se abraçar, trocar beijinhos na abertura, mas quando sentava na minha mesa, ela não me respondia e me deixava falando sozinho no ar. Ela era louca, mas como foi contratada a peso de ouro, eles queriam que nós nos resolvêssemos. Mas eu não tinha nenhum problema com ela. Então, colocaram a Astrid. Nesta época, ela estava ganhando sem trabalhar, já que o programa chique dela tinha ido pro espaço com a demissão do diretor. Quando a obrigaram a vir trabalhar comigo no ‘Melhor da Tarde', ela me ligou pedindo pelo amor de Deus para ensinar ela a ser popular, a falar com pobre. A gente era muito amigo nessa época. O programa era um sucesso, dava 8 pontos de audiência, até que tomei uma punição da Band após um fofoca do Gilberto Barros , na qual perdi meu salário e fiquei fora do ar.

iG: Mas você foi chamado a voltar...
Leão Lobo: Mais uma vez, fui salvo pelo ibope. Aliás, sempre fui salvo por ele. O programa começou ir de mal a pior e me chamaram de volta com 20 dias de castigo, só que com 1/3 do salário e só três minutos no ar (antes eram 4 horas). Quando voltei, já não tinha mais meu cenário, apenas uma cadeira com o pé quebrado no cantinho, e o programa era dela. Graças a Deus e aos meus telespectadores, a audiência voltou com tudo. Dei tão certo que voltaram com meu salário e dividiram o programa ao meio, metade para cada um. Mesmo assim, teve um desgaste, principalmente porque o público começou a criticar muito a Astrid. A gente nunca brigou e, até hoje, somos colegas, mas amizade não temos mais.

Ser dirigido pela Marlene Mattos foi o melhor momento da minha vida. Entendi perfeitamente porque a Xuxa deu tão certo. A Marlene valoriza o artista, me motivava e me fez muito feliz"

iG: Também na Band, você foi dirigido pela Marlene Mattos, como foi?
Leão Lobo: Foi o melhor momento da minha vida. Entendi perfeitamente porque a Xuxa deu tão certo. A Marlene valoriza o artista, me motivava e me fez muito feliz. Era um projeto meu, o 'De Olho nas Estrelas’, na Band, que ela soube transformar em um sucesso. Até que a Márcia, outra vez, começou a implicar por conta do horário e estúdio, que era antes do dela. Nesta fase da Band, ela era muito poderosa porque namorava um dos diretores, então mudamos para todos os dias da semana e ela ficou com o domingo. Para mim, foi melhor ainda. Essa felicidade toda ao lado da Marlene acabou quando chegou a Elisabetta e aconteceu tudo que já contei.

iG: Os inúmeros processos contra você te prejudicam?
Leão Lobo: Não foram tantos assim (risos). O problema é que todos eram o mesmo advogado. Um cara que ficava o dia inteiro me assistindo para me processar.

Minha filha tem trauma da Band, porque foi uma época na qual não tinha dinheiro para pagar o colégio dela. Ao contrário de muitos colegas, não fiquei milionário."

iG: Em meio a isso tudo, você assumiu a paternidade de uma menina, como foi?
Leão Lobo: Tenho o maior orgulho de ser um dos precursores da paternidade gay. Ela está com 22 anos e é minha companheirona. A gente sempre conversou muito e ela entendia muito as coisas. Tem trauma da Band, principalmente porque afetou muito a vida dela, porque foi uma época na qual eu não tinha dinheiro para pagar o colégio dela. Ao contrário de muitos colegas, não fiquei milionário. Acho que se eu não tivesse ele e meu afilhado, talvez nem estivesse mais aqui. Sempre fui um apaixonado inconsequente. 

Ela sofreu muito preconceito por ter um pai gay?
Leão Lobo: Sim, claro, mas ela sempre foi muito esclarecida. Uma vez no colégio um menino disse que ela era filha da bichona da televisão. Ela pegou o garoto pelo colarinho, levou para a diretora e mandou ele repetir tudo.

iG: Você ainda pretende trabalhar na TV? Essa guerra de egos na televisão pesa na hora de decidir onde negociar seu retorno?
Leão Lobo: Pesa demais. Minha relação com o Silvio Santos, por exemplo, sempre foi muito boa, então o SBT é uma casa para a qual voltaria feliz. A Band, por sua vez, se não precisasse voltar, não voltaria. A Record também, se não precisar, não volto. A Globo não tem nada a ver. Não faço o perfil deles e nem eles o meu. A Gazeta e o SBT são as duas emissoras onde fui muito feliz e voltaria com gosto.


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