Alex recebeu a reportagem do iG em seu camarim na TV Globo, em São Paulo, e falou sobre seu patrão, bebidas, família, um câncer que teve há oito anos e para quem vai torcer na Copa


O nome Luis Alexander Rubio Bernardes pode parecer estranho para a maioria das pessoas, mas se trata de uma das figuras mais queridas da TV Globo, o garçom Alex, do "Programa do Jô". Companheiro do apresentador há 23 anos, o chileno que chegou ao Brasil em 1985 e já sente brasileiro não teve um começo de festa na televisão. “Comecei, digamos, que por uma desgraça que aconteceu na minha vida. Perdi alguém muito querido e justamente era o garçom do Jô na época, o Felipe, meu primo. Ele tinha 27 anos, foi comprar uma pizza e foi morto com quatro facadas”, contou ele, que aceitou ocupar o posto já que estava desempregado.

Se alguém pede um uísque, ele vai pedir um uísque. Se ele quer uma tequila, ele vai tomar tequila. O Jô acompanha qualquer coisa, até com o que el não gosta, como cerveja"

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Muito profissional, Alex não é do tipo de funcionário que se aproveita dos anos de casa e da liberdade que Jô lhe dá. O garçom é categórico quando o assunto é hierarquia. “Temos uma relação de confiança, de patrão e empregado, como eu sempre quis que fosse”, contou ele, que ainda falou sobre o temperamento do apresentador. “Já levei muita bronca dele, e sempre tomei como um aprendizado. A verdade é que a gente só aprende a ganhar quando perde, e aprende a se levantar quando cai.”

E se há mais de duas décadas Alex encontrou a paz profissional, na vida pessoal a felicidade veio com o casamento, há 24 anos. “Na verdade me juntei, porque ela era separada e já tinha três filhas. Tenho cinco netos. Já peguei o pacote pronto”, brinca ele, que recebeu a reportagem do iG em seu camarim na TV Globo, em São Paulo.

Confira o bate-papo com Alex, que contou curiosidades dos bastidores da atração e de Jô Soares, seu gosto pela bebida, a luta contra um câncer no rim e sua torcida na Copa do Mundo, que não será para o Brasil...

iG: Como começou o seu trabalho na televisão com Jô Soares?
Alex: Comecei, digamos que por uma desgraça que aconteceu na minha vida. Perdi alguém muito querido e justamente era o garçom do Jô na época, o Felipe, meu primo. Ele tinha 27 anos, foi comprar uma pizza e foi morto com quatro facadas. Eu alugava um quartinho dele e me lembro que o vi no dia, ele estava de folga. Quando voltei (do almoço), perguntei por ele e a mulher (dele) falou que tinha morrido. Enfim, foi bem traumático, mas aí começou a minha história com o Senhor Jô Soares.

Comigo é assim: Não pego gripe, não pego resfriado, mas quando caio na cama, é porque vou perder algum órgão... (risos) ", brincou ele sobre um câncer que o fez perder o rim

iG: Depois de tantos anos juntos, como é a sua relação com o Jô hoje em dia?
Alex: É de confiança, uma relação de patrão e empregado como eu sempre quis que fosse. Apesar dele dizer que não é meu patrão porque quem me paga é a Globo, né? Mas no fundo, no fundo, ele é o meu patrão. Se no dia de amanhã ele disser que eu não posso mais trabalhar com ele, nem a Globo nem ninguém vai fazer eu trabalhar, entendeu?

iG: E você leva numa boa as broncas que ele te dá?
Alex: Broncas são sempre pra gente aprender. Nunca acho que a bronca seja uma coisa vexatória.Já levei muita bronca dele, e sempre tomei como um aprendizado, até porque, desde que estou com ele, aprendi muita coisa. A gente só aprende a ganhar quando perde e aprende a se levantar quando cai. Então é isso, é uma filosofia de vida que a gente tem de levar.

iG: O Jô tem algum drinque favorito?
Alex: Que eu saiba não... Nestes 23 anos, ele nunca bebeu, a não ser com os convidados. Se alguém pede um uísque, ele vai pedir um uísque pra acompanhar. Se ele quer uma tequila, ele vai tomar uma tequila também. Ele acompanha qualquer coisa, até com o que el não gosta, como cerveja. Também não gosto de cerveja, mas um copinho é bom.

Alex em seu posto no palco do 'Programa do Jô'
Divulgação
Alex em seu posto no palco do 'Programa do Jô'

iG: E você bebe, gosta de tomar algo em especial?
Alex: Ah, eu bebo! Acontece o seguinte: Nunca falei sobre isso, mas sofri uma nefrectomia ( procedimento cirúrgico para retirada de um rim) há oito anos, então, não posso abusar de bebida, senão daqui a pouco vou acabar em uma hemodiálise. Perdi o rim direito por culpa de um câncer. Como agora só tenho um, não posso sobrecarregá-lo. Bebo sim, mas não abuso. Adoro um uísque. E quando é bom é melhor ainda. Bebo, sei lá, uma ou duas (vezes) a cada dois meses. Não entro nunca numa padaria pra tomar uma cerveja. Hoje, o que preciso é parar de fumar. Já parei várias vezes mas continuo insistindo nessa besteira.

iG: E como você descobriu que tinha esse câncer?
Alex: Cheguei ao hospital com uma crise de gastrite muito forte. O médico decidiu tirar uma ultrassonografia, e o resultado disse que havia alguma coisa estranha no rim direito. Fiz mais exames, e o médico chegou com o resultado e disse: ‘No rim, meu amigo, você tem um câncer encapsulado enorme. Vai ter que se operar em dez dias, ou senão, a gente não vai conseguir fazer nada porque está muito grande e já pode ramificar para fora'. Aí eu falei: ‘Bom doutor, se tiver que tirar, tira’. Me recuperei rápido: depois de duas semanas estava trabalhando. Sou assim: para engordar sou rápido, para emagrecer sou rápido. Não pego gripe, não pego resfriado, mas quando caio na cama, é porque vou perder algum órgão... (risos) É bem radical comigo. Até agora tem sido assim. E graças a Deus tem sido rápido.

iG: Como é a sua vida fora do trabalho na TV? O que você costuma fazer?
Alex:  Sou bem caseiro. Inclusive esta semana minha mulher saiu, viajou para Mogi Mirim (interior de São Paulo), e eu também iria. Mas não sou de sair, muito menos de viajar. Fiquei em casa mesmo.

iG: E agora durante as férias do programa você não tem nada programado (o programa não será exibido durante a Copa do Mundo)?
Alex: Ah, vou assistir a todos os jogos, todos. E em alguns deles, vou à casa de amigos e aí você sabe, rola uma cervejinha, alguma coisa assim. Mas é tranquilo, sou muito tranquilo, bem pacato. Já tive a minha fase de sair, mas já estou com 50 anos, hoje me cuido muito mais. A gente quando é jovem, acha que é o Super-Homem. Depois dos 40 começam a aparecer todas as coisas.

iG: Como é a sua família?
Alex: Há 24 anos me casei, na verdade me juntei,  porque ela era separada e já tinha três filhas. Tenho cinco netos. Já peguei o pacote pronto. Não tive filhos mas ganhei netos. Minha família são elas e as mais chegadas são as netas. É aquela coisa, não criei filhos, mas criei netos. Apesar das minhas netas terem um avô (de sangue), ele não mora mais aqui, foi embora para o Chile. Então me sinto o avô delas.

iG: E você vai torcer para o Brasil na Copa?
Alex:  Não vou ser mentiroso, vou torcer pelo Chile, até porque, acho que é a melhor seleção que eu já vi do Chile com o técnico argentino. Acho que está fantástica. Tenho a esperança que pelo menos um terceiro lugar, sabe? A gente primeiro vai jogar contra a Holanda, e é bem provável que depois jogue contra o Brasil. É difícil o Chile passar para alguma fase mas eu vou torcer. E quando sair, torço pelo Brasil. Estou aqui há 30 anos, cheguei com 21 para 22 anos, esse aqui é o meu país. Gosto desse país, e São Paulo, sou doidinho por essa cidade. Isso aqui me deu tudo. Tenho muito a agradecer.

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