Aos 35 anos, a cantora fala sobre boa forma, vaidade e como é ser mãe à distância de Davi: "Descobri uma fórmula. Faço dos momentos que tenho com ele os mais especiais possíveis"


Depois de fotografar para uma campanha publicitária até às 4h da manhã em Goiânia, Gaby Amarantos abriu mão do cochilo de duas horas no avião antes de cumprir uma nova etapa da agenda cheia em São Paulo. Ela preferiu grudar os olhos na janela para ver o nascer do sol. “Sou muito leonina. Sou apaixonada por sol”, justificou a cantora, sem demonstrar nenhum sinal de cansaço.

Aliás, a agitada Gaby não dorme muito na cama (“de três a quatro horas por dia”) e muito menos no ponto. A garota paraense que desistiu de ser freira e tinha como maior sonho comprar um tecladinho para poder tocar nas festas cresceu e apareceu. E nessa escalada ao sucesso deixou para trás, naturalmente, o codinome de Beyoncé do Pará sem precisar se preocupar em enterrá-lo.

“A gente até tentou uma estratégia e ia fazer uma brincadeira, uma espécie de funeral da Beyoncé do Pará. Seria bem divertido. Mas aí o título foi se afastando de uma forma tranquila. Depois da música na abertura da novela (“Cheias de Charme”), do lançamento do disco, do clipe, foi um bombardeio de Gaby Amarantos”, conta ela, que agora pretende romper a barreira do tecnobrega. “Acho que a música do Pará já me fez ser conhecida, agora quero mostrar para as pessoas a cantora que sou.”

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Quando comecei minha carreira, tudo o que eu queria era comprar um tecladinho para poder tocar em aniversário, barzinho e festa social”

Aos 35 anos e 15 quilos mais magra, Gaby fala sobre vaidade – roupas e maquiagem são suas tentações -, diz que começou a perder peso no quadro “Medida Certa”, do “Fantástico” por causa da saúde, mas hoje busca inspiração no corpo sarado da apresentadora Angélica , de 40 anos.

No bate-papo descontraído, os olhos da cantora brilham ainda mais quando fala do filho  Davi , de 5 anos, criado pela avó. “Desde quando ele tinha 15 dias tive que sair para cantar, então de certa forma não é algo que é sofrido para ele”, diz ela, que conta sua fórmula para a maternidade à distância funcionar: "Faço dos momentos que tenho com ele os mais especiais possíveis"

iG: Distanciar-se do título de Beyoncé do Pará foi uma estratégia sua ou algo que aconteceu naturalmente?
Gaby Amarantos: A gente até tentou uma estratégia e ia fazer uma brincadeira com uma espécie de funeral da Beyoncé do Pará. Seria bem divertido. Mas aí o titulo foi se afastando de uma forma tranquila. Depois da música na abertura da novela, do lançamento do disco, do clipe, foi um bombardeio de Gaby Amarantos. Isso fez as pessoas entenderem que não era uma cover da Beyoncé. Não vimos mais necessidade de fazer o funeral. Era uma grande brincadeira, mas também uma forma de homenagear a Beyoncé. É uma artista incrível, fico até lisonjeada de me compararem a ela.

iG: Você e a Beyoncé já se encontraram? Ela sabe dessa comparação?
Gaby Amarantos: Ela sabe até porque quando ela veio para o Rock in Rio, o pessoal do ‘Medida Certa’ queria fazer um encontro nosso. Só não rolou porque ela veio com a agenda muito corrida. Mas ela sabe e me parece que tem bastante carinho, sabe que não estou tentando imitá-la. 

iG: Uma de suas marcas são as roupas. Sua mãe ainda as desenha?
Gaby Amarantos: Gosto muito de moda, sempre gostei, desde criança. Errei muito para poder acertar. E foi muito bacana eu ter errado porque isso me permite ter consciência de saber o que posso e o que não posso, mas mesmo assim, desafiar isso. Gosto de desafiar a moda. Minha mãe não desenha mais as minhas roupas, só fica cuidando do meu filhote. Mas ela opina. Hoje em dia tenho uma assessoria de moda que cuida dos meus figurinos. E tudo com minha supervisão.

No início da carreira, meu pai falou: ‘nem se você for no Faustão, mesmo assim não vou aceitar sua carreira’”

iG: Qual foi sua aquisição mais cara na moda?
Gaby Amarantos: Sou fã do Salvatore Ferragamo , amo os sapatos dele e adquiri um sapato muito baratinho na pechincha, mas fui ver no site e ele custava bem carinho. Dei sorte, porque peguei um outlet na Colômbia e pude comprar várias coisinhas dele. Mas peguei coisa de US$ 300. Gosto é de economizar, gosto de brechó, de outlet, de pechinchar.

iG: Você já comentou diversas vezes que, por mais que ganhe dinheiro, quer continuar na periferia de Belém. Segue com essa ideia?
Gaby Amarantos: Pois é. Continuo morando no Jurunas. Só mudei de rua, fui mais para o centro do bairro. E a gente desenvolve um trabalho social lá. É um lugar muito especial, muito colorido, muito cultural, muito divertido. Tem seus problemas sociais, sim, mas é cheio de vida. Quero que meu filho cresça lá porque quero que ele adquira essa cultura, essa experiência antropológica que é morar no Jurunas. Quero que ele brinque na rua, ande descalço. Mesmo ele também convivendo em outras classes sociais, morar na periferia agrega muito valor. Tenho muito orgulho da minha periferia.

Gaby Amarantos
André Giorgi
Gaby Amarantos


iG: Desistiu de ser freira porque teria que deixar de lado suas maquiagens. Como foi isso?
Gaby Amarantos: Eu era muito menina. Aí fui fazer o curso vocacional com uma noviça que tinha saído do convento e ela falou sobre o voto de pobreza, sobre o voto de castidade, e eu pensei: ‘beleza, tudo bem’. Até porque essa coisa de sexo, para mim, na época, não era nada que fosse me fazer falta. Eu tinha 14 anos e ainda não tinha iniciado minha vida sexual. Lembro muito bem quando ela disse: ‘mas olha, vaidade zero’. Aí pensei: ‘caramba, isso não é para mim’. Sou muito apaixonada por maquiagem. Depois vi que não tinha vocação nenhuma mesmo. Porque se tivesse isso não seria importante.

iG: Disse que viveria sem dinheiro, sem sexo, mas não sem maquiagem. O que mais você não viveria sem?
Gaby Amarantos: (risos) Olha, quando eu tinha 14 anos, eu até poderia viver sem dinheiro e sem sexo, mas agora não consigo viver sem nenhum dos três. Acho que de tudo isso, o que seria mais importante e eu não viveria sem, seria o amor da minha família. Eles que me dão força para poder trabalhar, ficar nessa estrada, nessa vida itinerante. Não é fácil ficar longe deles.

Estou me achando mais bonita, mais gostosa. Já me achava, agora mais ainda”

iG: Você fala muito da família, do filho, mas não de namorado. Está solteira?
Gaby Amarantos:  Não estou tendo nada sério com ninguém. Mas não por uma questão de estar ficando. É porque estou trabalhando tanto, estou em uma fase tão determinante de trabalho. Então não dá tempo. E de verdade, não estou sentindo falta. Ainda. (risos) Sei que uma hora o coração vai apitar e falar: ‘estou aqui, existo’. Mas por enquanto, estou tão feliz, com tanto tesão no meu trabalho, que não estou me preocupando com esse outro lado. Mas acho que tem que namorar, aquecer o coração. Porque esse negócio de ficar muito tempo sozinha não é bom, não.

iG: Sente que está perdendo momentos importantes na vida de seu filho? Como faz para acompanhá-lo?
Gaby Amarantos: Descobri uma fórmula de poder enfrentar tudo isso. Faço dos momentos que tenho com ele os mais especiais possíveis. Minha vida é muito corrida. Durmo de três a quatro horas por dia. Então otimizo tudo com ele. E sinto que ele fica enamorado, superapaixonado quando estou perto. Desde quando ele tinha 15 dias tive que sair para cantar, então de certa forma não é algo que é sofrido para ele. E ele marca na folhinha com coraçãozinho os dias que eu vou chegar. É muito fofo. E esse fato de ele ser só meu, porque sou mãe solteira, é muito confortável. Não tenho essa preocupação de ter o pai. Faço o que quiser com ele. Ele é alegria, o amor da nossa casa. É muito parceiro. Com cinco anos ele tem uma maturidade que me assusta. 

iG: Você dorme essas quatro horas mesmo quando tem o dia livre?
Gaby Amarantos: Quando tenho o dia inteiro para dormir, mesmo assim eu não durmo. Sou muito ativa. Agora, tive umas férias forçadas. Tirei dez dias, viajei com a família. Nos outros dez dias, não aguentei ficar quatro no spa. Fugi. Quero trabalhar, amo trabalhar. Sou muito viciada no meu trabalho. Esperei tanto por essa oportunidade que estou tendo hoje, que esse papo de descansar não entra muito na minha cabeça.

Quero ver 100 mil pessoas no meu show, quero as rádios tocando minha música em primeiro lugar. Sonho com isso. Quero gravar com artistas de outros países, gravar em outros idiomas"

iG: Sofreu pressão do público em relação à dieta após o “Medida Certa”?
Gaby Amarantos: Sabe que não? Conversei com o Zeca (Camargo) e ele falou: ‘Sofri muito quando fiz com a Renata (Ceribelli). Não podia comer uma pizza que as pessoas me patrulhavam’. Comigo não rolou isso. As pessoas ficavam torcendo tanto e ficaram tão felizes de ver meu engajamento e ver que após o programa, eu continuo. E quando elas me encontram, ficam surpresas de olhar para mim. Um dia uma senhora me agarrou no aeroporto, levantou minha blusa e falou: “mas meu Deus, você tem barriga negativa”. Foi muito carinho que recebi mesmo. Patrulhamento, acho que nem 10%. Zeca, você não deu sorte, não. (risos)

iG: O que foi o mais difícil?
Gaby Amarantos: Foi me adaptar no início. Eu estava em uma vida muito sedentária, com vários problemas de saúde. O principal problema, que me levou a entrar no quadro, foi o refluxo que estava afetando minhas cordas vocais. O meu gastro queria que eu perdesse 20 quilos. Já perdi 15kg. Ele ainda quer que eu perca esses cinco. Amo comer e estava feliz com meu corpo, meu discurso era verdadeiro, mas quando vi que podia comprometer meu instrumento de trabalho, vi que tinha que dar um jeito. Fora que estou me achando mais bonita, mais gostosa. Já me achava, agora mais ainda.

iG: Você não escapa nunca da dieta?
Gaby Amarantos: Tenho meus dias de pé na jaca. Principalmente quando vou para casa. Mas agora estou estudando sobre alimentos vivos, comidas crudívoras. Estou muito nessa coisa de querer chegar aos 40 legal, bem, saudável. Esses dias, estava gravando com a Angélica. Ela falou: ‘cara, você está muito bem’. E eu falei: ‘quero chegar aos 40 gata e sarada igual a você, então tenho que me cuidar desde agora’. Minha autoestima potencializou. Mas tem dias que quero comer algo que não posso. Como numa quantidade menor, mas não me privo de nada. Tem que comer de tudo, ser feliz. Porque comer é felicidade.

Quero trabalhar, amo trabalhar. Sou muito viciada no meu trabalho. Esperei tanto por essa oportunidade que estou tendo hoje, que esse papo de descansar não entra muito na minha cabeça"

iG: Como foi participar do “The Voice”?
Gaby Amarantos: Esse programa foi um dos meus maiores presentes de 2013. E acho que o que mais deu certo no programa é que a gente se tornou uma família de verdade. Estou sofrendo de saudade do “The Voice”. Espero muito que volte, estando lá ou não, é um programa que quero assistir, acompanhar, estar lá com Lulu (Santos).

iG: Quando começou a carreira, sonhava com tudo isso que está acontecendo hoje?
Gaby Amarantos : Quando eu comecei minha carreira, tudo o que eu queria era comprar um tecladinho para poder tocar em aniversário, barzinho e festa social. Juro. Parcelei em 10 vezes de R$ 300. Eu tinha um grupo que se chamava Tecno Show e nosso plano era esse: tocar nos aniversários e ser feliz com a música. Era isso. De repente a coisa tomou uma proporção e eu tenho realizado sonhos com a música que eu nunca imaginei. Meu pai, no início era supercontra a minha carreira. Hoje em dia, é o maior divulgador que tenho. Tem toque de celular, anda com a camisa com meu nome. Chega a ser até exagerado. No início, quando ele queria que eu fizesse faculdade de economia, ele falou: ‘nem se você for no Faustão vou aceitar sua carreira’. E aí em 2003, com essa banda, fui e contei essa história para o Faustão. E falei: ‘pai, te amo, estou aqui e você tem que aceitar’. E quando eu cheguei, meu pai falou: ‘tá bom, sua danada, se é isso que você quer mesmo, está bom, vai fundo’. Aí fui mais tranquila.

iG: Qual é o seu sonho hoje?
Gaby Amarantos:  Tem muita coisa que quero fazer. Quero gravar outros estilos musicais. Acho que a música do Pará já me fez ser conhecida, agora quero mostrar para as pessoas a cantora que sou. Quero me jogar nos braços do povo. Meu maior sonho de carreira é esse: poder tocar em eventos mais populares possíveis, para o povão mesmo, a massa. Quero ver 100 mil pessoas no meu show, quero as rádios tocando minha música em primeiro lugar. Sonho com isso. Quero gravar com artistas de outros países, gravar em outros idiomas. Só peço que Deus me dê saúde e continue me abençoando.

Gaby Amarantos
André Giorgi
Gaby Amarantos


Agradecimentos:

Figurino:
Têca, Gustavo Carvalho, Marina Mourão, Can-can

Beleza:
M.G Hair Design
Maquiagem: Lu Ramos
Cabelo: Diego Queiroz

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