Longe da TV há mais de um ano, o ator comemora 20 anos de carreira e diz que, às vésperas dos 40, está pronto para casar: "Já aproveitei o que tinha que aproveitar"


Já se foram 20 anos desde que Felipe Folgosi estreou na TV como Aleph, o jovem paranormal da novela “Olho no Olho”, da Globo. Mas parece que o tempo não passou na mesma velocidade para o ator, que surpreende ao dizer que completará 40 anos em maio. O galã, que surgiu há duas décadas e já rodou pela Record, SBT e Band, ainda é reconhecido por seu primeiro papel. “Até hoje as pessoas lembram do Aleph. Quem tem idade para isso, claro”, diverte-se Felipe.

Acho que você tem que estar na mídia em decorrência de seu trabalho. Senão vira uma novela da sua vida"

Sem contrato na TV há um ano e meio, desde a participação no reality show “A Fazenda 5”, o ator dedica-se ao teatro em São Paulo. Ele faz o papel de um pai imaginário na peça infantil “Clicks de Família” e estreia em 5 de fevereiro o espetáculo “Opus 12 Para Vozes Humanas”.

Solteiro atualmente, Felipe diz que está preparado para casar. “Já estou em uma idade que já baguncei, aproveitei o que tinha que aproveitar.” Confira o bate-papo:

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iG: É a primeira vez que interpreta um pai?
Felipe Folgosi: Já fiz umas três novelas em que virei pai no final. Na peça ('Clicks de Família'), o personagem é um pai imaginário. O verdadeiro trabalha muito, não tem tempo para a filha e ela acaba criando um, como se fosse um amigo imaginário. É o pai que ela gostaria de ter.

iG: Conviver com as crianças na peça te dá vontade de ser pai?
Felipe Folgosi: Sempre tive vontade, gosto muito de criança. Fiz novelas em que trabalhei com várias. Acho que serei um bom pai.

Ator é uma das poucas profissões em que você não tem prazo de validade"

iG: Durante sua participação em “A Fazenda 5”, em 2012, você comentou que estava namorando havia um ano...
Felipe Folgosi: Estava, mas terminei.

iG: No reality você disse que ainda era cedo para casar. Sente-se preparado hoje em dia?
Felipe Folgosi: Acho que estou em uma idade boa para casar. Se eu tivesse continuado aquele relacionamento, provavelmente já caminharia para isso. Estou numa idade em que já baguncei, aproveitei o que tinha que aproveitar. É natural. Hoje em dia, as pessoas casam mais tarde do que a geração dos pais. Acho também que, ao mesmo tempo, é bom estar mais maduro, para não achar que está perdendo alguma coisa, pensar que deixou de aproveitar. Estou numa fase boa.

iG: Você era um símbolo teen na sua época de adolescência e, em maio, vai completar 40 anos de idade. Como você se vê nesse momento? A idade te preocupa?
Felipe Folgosi: A idade não me preocupa em nada, nem penso nisso. Se tenho alguma preocupação é no sentido de procurar aproveitar minha vida, não deixar o tempo passar nesse sentido. Sei o quanto é rápido, o quanto a vida é preciosa. Mas o processo de envelhecimento não me preocupa. Sei que o corpo não vai responder da mesma forma ao longo do tempo. Mas procuro me cuidar, ser um cara saudável. Para ator, (envelhecer) é bom. Você vai abrindo mais teu leque, vai fazendo outros personagens. É uma das poucas profissões em que você não tem prazo de validade. 

iG: Você estreou na TV junto com Carolina Dieckmann, Luana Piovani, Camila Pitanga, Danielle Winits e outras estrelas que se tornaram destaque. Há tempos a TV não tem uma leva tão grande assim de grandes apostas. O que está acontecendo?
Felipe Folgosi: O panorama mudou bastante. Quando a gente fez ‘Sex Appeal’ (na Globo), não tinha nem ‘Malhação’, a MTV estava começando, a TV a cabo não era como hoje, não tinha Youtube, essa coisa da mídia online. Então, era bem diferente. Mas volta e meia você vê bons atores. Muitos aparecem já mais maduros. O que falo, quando perguntam, é: não tem que querer só exposição, a fama pela fama. A busca tem que ser pela vocação, por querer comunicar, pelo prazer que você tem no palco. O resto é consequência. Às vezes vejo uma garotada que está muito mais na cultura da celebridade. E vai ser um choque porque a realidade não condiz com o imaginário. A idealização é uma coisa, a realidade é outra. Não é uma carreira fácil.

Estou numa idade em que já baguncei, aproveitei o que tinha que aproveitar”

iG: Sobre essa questão de exposição, acha importante o ator estar na mídia mesmo que não esteja atuando?
Felipe Folgosi: Sinceramente, não. Sei que estou na contramão, pois não tenho Instagram, Twitter. Tenho Facebook para amigos e gente de trabalho. Sei que tem gente que sabe usar a mídia social para si, como uma forma de ganhar dinheiro. Acho que você tem que estar na mídia em decorrência de seu trabalho. Não julgo, cada um é cada um. Mas senão vira uma novela da sua vida. Depois, quando o seu trabalho aparece, fica tudo meio misturado.

iG: Já ouvi a reclamação de uma atriz após um diretor de TV dizer a ela: ‘Como você quer que eu lembre de você se não te vejo na 'Caras' e em nenhuma revista de celebridade’? O que acha disso? Como você faz para ser lembrado?
Felipe Folgosi: É complicado. Não é falando da 'Caras' e nem de outra revista, mas não acho que um diretor vai fazer um elenco pela 'Caras'. Um diretor vai ao teatro, vê cinema, ele vê o trabalho do ator ali. Esse tipo de publicação é muito mais para o público. Não tenho nada contra elas, já saí várias vezes em todas. Mas você tem que entender o cada uma representa. Meu trabalho não é sair na 'Caras', é fazer uma peça, um trabalho. E a 'Caras' é decorrência da exposição. Não o inverso.

Felipe Folgosi, aos 20 anos de idade, e hoje, quando completa 20 anos de carreira
Reprodução/André Giorgi
Felipe Folgosi, aos 20 anos de idade, e hoje, quando completa 20 anos de carreira


iG: Você trabalhou muitos anos na Globo antes de ir para a Record e fez a mudança em uma época em que essa troca era novidade. Por que tomou essa decisão? Tem algum arrependimento ou ressentimento?
Felipe Folgosi: Foi um conjunto de fatores. Fui com uma leva para criar o núcleo de dramaturgia da Record. Junto com Marcelo Serrado , Tuca Andrada , Bianca Rinaldi , Petrônio Gontijo , Leonardo Vieira . Foi muito bom financeiramente. Tinha também esse desafio de ser uma proposta nova. Não me arrependo em nada. Para toda uma geração mais nova, ‘Os Mutantes’ marcou. Foi um case de mercado e a primeira vez em que uma novela das oito bateu a Globo em horário nobre. Aquele projeto foi muito bacana. Uma pena que deu uma retraída. Espero que eles voltem a investir mais porque a ideia era ter três horários de novela, como a Globo.

O processo de envelhecimento não me preocupa. Sei que o corpo não vai responder da mesma forma ao longo do tempo. Mas procuro me cuidar"

iG: Tem algum sonho ainda não realizado na carreira? Já pensou em ser apresentador? Felipe Folgosi : Tenho um projeto que eu escrevi e estou produzindo pra TV a cabo, mas ainda é cedo para falar. Estou com uma produtora e, se tudo der certo, será para este ano. Na TV, já trabalhei em todas as emissoras, fiz todos os horários de novelas, já fui protagonista. Minha vontade é trabalhar com gente nova, autores novos que admiro, trabalhar com gente bacana. Mas não há especificamente um projeto. Gostaria de fazer mais cinema também. Mas o desejo seria fazer um projeto pessoal. Porque ator participa de um processo, está ali falando o que o autor escreve. Mas quando você desenvolve uma coisa sua, o projeto é mais pessoal.

iG: Depois de passar por várias emissoras, em qual delas acha que foi melhor aproveitado?
Felipe Folgosi: Olha, não sei. Na Globo, todos os trabalhos que fiz lá, gostei muito. Até hoje lembram do Aleph, quem tem idade para lembrar, claro (risos). E, para essa nova geração, tem ‘Os Mutantes’. Fiz três novelas no SBT e, na Band, fiquei um ano. Foi uma experiência bacana. Mas aonde me senti, até pelo tempo que fiquei, que criei mais vínculo, foi a Globo e a Record.

iG: Voltaria para a Globo?
Felipe Folgosi: Claro. O bom é você poder trabalhar em todos os lugares, ter portas abertas.

iG: Em 2012, você ficou em segundo lugar em “A Fazenda 5” e mostrou controle durante os três meses que ficou lá. Como conseguiu isso?
Felipe Folgosi: Não sei. Sendo supersincero, eu nunca tinha assistido. A gente tem uma conversa com uma psicóloga antes e, uma coisa boa foi quando ela falou: ‘não vai achando que vai ser uma colônia de férias, que vai ser um SPA’. Foi o conselho que mais me ajudou no sentido de ir minimamente preparado. Eu sabia que era um programa, um trabalho. Para mim, era uma grande gincana. Igual a um programa de domingo, só que em vez de quatro horas, eram três meses (risos). É difícil. Foi a experiência de TV mais intensa que vivi. Porque é isso. Viver em um estúdio. Você está em um set de gravação 24h por dia durante três meses sem descanso, sem contato com o mundo exterior.

Fui evangélico, não sou mais. Acredito em Deus, mas não frequento mais a igreja. Inclusive na época em que fiz ‘Mutantes’, já não frequentava. Nunca senti nenhum tipo de preconceito na igreja pelo fato de trabalhar na televisão"

iG: O que mais te incomodou dentro do reality?
Felipe Folgosi: O mais difícil é você não ter muita liberdade de fazer o que você quer. Toca uma gravação e você tem que entrar na sede, sair da sede, você não apaga a luz quando você quer. É uma série de regras, mas faz parte do jogo.

iG: Vi em uma matéria que você se tornou evangélico há alguns anos e teria sofrido preconceito na igreja por seu personagem em ‘Os Mutantes’. Isso realmente aconteceu?
Felipe Folgosi: Não. Eu fui evangélico, não sou mais. Acredito em Deus, mas não frequento mais a igreja. Inclusive na época em que fiz ‘Mutantes’, já não frequentava. Nunca senti nenhum tipo de preconceito na igreja pelo fato de trabalhar na televisão. Ao contrário. Sua religião e o que você não acredita não devem interferir no seu trabalho. Se a pessoa é católica, espírita, umbandista, ateu. Aquilo é de fora, pessoal, privado. Se seu trabalho é bacana e você é um profissional, é aquilo é o que deve contar.

iG: Como você se define?
Felipe Folgosi: Corintiano e um cara muito sortudo, no sentido de ser realizado por ter achado meu trabalho cedo. É uma sorte mesmo. Claro que estudei bastante, trabalhei não foi fácil, mas fico feliz de estar com 20 anos de carreira, procurando explorar mais e aprender mais.

Serviço:
Peça infantil "Clicks de Família"
Teatro Anhembi Morumbi
Rua Dr. Almeida Lima, 1.176 - São Paulo- SP
Tel (11) 2081-5924
Sábados e Domingos às 16h
até 30/03/14

Felipe Folgosi posa com o elenco do espetáculo 'Clicks de Família'
André Giorgi
Felipe Folgosi posa com o elenco do espetáculo 'Clicks de Família'






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