Em cartaz no teatro ao lado do pai, Antonio Fagundes, Bruno contou sobre o começo da carreira e admitiu que fez uma faculdade como plano B, caso não tivesse vocação para ator

Filho de ator por parte de pai e de mãe, ele começou a atuar aos 13 anos, fazendo teatro amador, musicais e até pontas em novelas e séries da Globo. Mas foi só em maio do ano passado, quando completou 24 anos e estreou a peça “Vermelho” ao lado do pai, Antonio Fagundes , que Bruno Fagundes   passou a se considerar um profissional. Sua mãe é a atriz e diretora Mara Carvalho ..

Bruno recebeu o iG nos bastidores de 'Tribos', espetáculo em que contracena de novo com o pai, e contou que tem vivido nas nuvens desde que embarcou de vez nessa viagem de ser ator. “Para mim é uma honra e um sonho louco. Não estou acostumado a ver as pessoas falarem nada da minha atuação, nem bem, nem mal. Ver meu trabalho em grande escala, sendo apreciado, é muito legal”, disse ele.

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Apesar de considerar seu momento atual um sonho, reconhece o peso que carrega por ser filho de um dos atores mais consagrados e prestigiados do Brasil. “No fim do espetáculo, a gente convida a plateia para um bate-papo. Uma vez um cara me falou exatamente isso: ‘Vim aqui para falar mal de você’. Fiquei chocado."

Natural que as pessoas comparem o trabalho de pai e filho, afinal esta é apenas a segunda peça de Bruno, e nas duas pai e filho estavam no elenco. Mas ele desconsidera o impulso do público de colocar os dois de igual para igual. "Meu pai tem de profissão o dobro do que eu tenho de idade”, conclui.

Meus pais me prepararam para aguentar tudo, inclusive deles. Nunca foram corujas, nunca passaram a mão na minha cabeça

Bruno não resiste à ideia de que o apoio do pai colaborou para que começasse a carreira com o pé direito. As vantagens de dividir o palco com um ator do calibre de seu pai são inúmeras: além de se beneficiar da experiência de um colega de cena tarimbado e talentoso, com quem tem muito que aprender, pode contar com a popularidade do pai para ter sempre a casa cheia. Quanta gente não vai ao teatroexclusivamente para ver de perto o César de "Amor à Vida?" Mas Bruno também quer conquistar o seu espaço. “Sempre me curvei muito aos meus pais pela educação que tive, agora estou alçando voo sozinho. Essa peça foi ideia minha, a produção foi minha, investi todo o meu dinheiro nela. E mesmo que seja para me criticar, o público está vindo me ver. Meus pais me prepararam para aguentar tudo, inclusive deles. Eles nunca foram corujas, nunca passaram a mão na minha cabeça, e seria muito injusto da parte deles se dissessem que sou bom, se eu não fosse.”

Plano B

Apesar da paixão pelo teatro que o move hoje, Bruno conta que nem sempre quis ser ator, e que até fez uma faculdade como plano B. “Quando era criança, não pensava em ser ator, e meus pais nunca me forçaram a nada. Quando eu estava com 13 anos, uma amiga da minha mãe me incentivou a fazer um curso livre de teatro, daqueles de seis meses. Fui picado pelo mosquito do teatro naquela hora, não teve jeito, me apaixonei", lembra ele. "Comecei a me profissionalizar, a fazer cursos e mais cursos. Mesmo assim quis fazer uma faculdade como plano B, com um pouco de medo de (o teatro) não dar certo. Fiz Relações Públicas e foi maravilhoso”, conta ele, com certa ironia.

Os pais foram os primeiros a saber que Bruno ia arriscar e seguir os passos deles. A reação não foi das melhores. “Meu pai ficou com o pé atrás, me enchendo de perguntas sobre se era aquilo mesmo que eu queria. Deve ter vindo um filme na cabeça dele de todas as coisas boas, mas também das crueldades por que ele passou.Tanto ele como minha mãe engoliram em seco a minha opção. Mas depois me apoiaram muito. Sou muito abençoado por ter eles me estimulando.”

A fama é cruel, dá a liberdade para falarem o que quiserem da sua vida. Me impressiona o prazer que as pessoas têm de falar mal dos outros"

Sem querer comparar e cometer o mesmo erro que Bruno atribui ao público, não passa despercebido que ele herdou do pai mais do que a vocação para o palco: tem o mesmo jeito charmoso de olhar nos olhos das pessoas. Com o talento em seu DNA e sua pinta de galã, é questão de tempo até ele estar em algum folhetim da Globo, emissora da qual o pai é contratado e onde ele já está fazendo alguns testes. “Fui aprovado para uma das próximas novelas da Globo, mas acabei não aceitando por conta da peça, que estava em produção. Adoraria ter aceitado, mas escolhi 'Tribos' porque estava envolvido com o espetáculo”, conta ele, que não tem pressa para ser famoso. “Não tenho o menor interesse em aparecer em eventos, em capas de revistas, em nenhum lugar. Não estou julgando quem gosta de ficar aparecendo grávida em capa de revista, mas é um caminho muito diferente do que eu quero traçar. A fama é muito cruel, porque dá a liberdade para as pessoas falarem o que quiserem da sua vida. Me impressiona o quanto de prazer as pessoas têm de falar mal dos outros.”

Serviço :

Tribos -  Teatro Tuca, rua Monte Alegre, 1024, Perdizes, São Paulo

Horários: sexta às 21h30, sábado às 21h30, domingo às 18h

Até 15 de dezembro

Bruno Fagundes está em cartaz com Antonio Fagundes na peça 'Tribos', em São Paulo
André Giorgi
Bruno Fagundes está em cartaz com Antonio Fagundes na peça 'Tribos', em São Paulo


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