Eriberto Leão: “Jim me reinflamou. Não tem como deixá-lo no palco completamente"

Por iG Rio de Janeiro , por Nina Ramos |

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O ator faz homenagem ao líder do The Doors e solta a voz no teatro. Ele defende que o músico, encontrado sem vida numa banheira aos 27 anos, não procurou a morte: “ Ele deve ter morrido de tanto amor”

O espetáculo 'Jim' nasceu da paixão de Eriberto Leão pelo revolucionário músico. Foto: Roberto FilhoEriberto Leão fala o iG sobre seu grande papel na carreira . Foto: Roberto FilhoEriberto Leão se transforma em Jim Morrison no camarim do teatro. Foto: Roberto FilhoEriberto Leão na pele de Jim. Foto: Roberto FilhoEriberto Leão vai entrando em Jim Morrison. Foto: Roberto FilhoEriberto Leão no palco do Teatro do Leblon, no Rio. Foto: Roberto FilhoEriberto Leão solta a voz em 10 músicas e é acompanhado por uma banda ao vivo. Foto: Roberto FilhoDiferentemente do ídolo. Eriberto Leão não fuma, toma um chope uma vez na vida e outra na morte e busca equilíbrio com meditação. Foto: Roberto FilhoEriberto Leão canta em cena 'Light my Fire', 'The End', 'Rides on the Storm'. Foto: Roberto FilhoParceiros de palco: Renata Guida e Eriberto Leão. Foto: Roberto FilhoBanda que acompanha Eriberto Leão  em cena . Foto: Roberto Filho

É uma missão instigante saber onde começa e onde termina Eriberto Leão, Jim Morrison e João Mota. O primeiro, um ator inquieto, geminiano, fã fervoroso do vocalista do The Doors. O segundo, um poeta de alma selvagem, questionador, provocador e ícone da contracultura. O terceiro, um personagem em crise com a vida e a morte, que lê Jim por linhas tortas, acredita ser o jovem americano, morto aos 27 anos, reencarnado. Os três se mesclam a todo momento e estão, juntos e separados, no palco do Teatro Leblon, no Rio.

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“Jim” nasceu da paixão de Eriberto pelo revolucionário músico. Ele juntou Walter Daguerre (texto) e Paulo de Moraes (direção) e o resultado não é uma peça autobiográfica, é uma homenagem. E conversar sobre The Doors com o ator, tão conhecido na TV por personagens apaixonantes como Tomé, de “Cabocla”, Dimas, de “Sinhá Moça”, e Pedro, de “Insensato Coração”, é de surpreender. Eriberto recebeu a equipe do iG na passagem de som da peça-musical (ele solta a impressionante voz em 10 músicas com uma banda ao vivo) e se mostrou imbuído por este que, sem dúvida, é seu grande papel até o momento.

O que a gente buscou foi ser muito mais ser coerente com a poesia do Jim do que fazer um musical biográfico previsível”

“O que a gente buscou foi ser muito mais ser coerente com a poesia do Jim do que fazer um musical biográfico previsível. A gente traz o Jim através de um fã que o compreendeu de forma errada. A maioria dos fãs, aliás, compreende seus ídolos de forma equivocada por não se interessar verdadeiramente pelos mestres que influenciaram o seu ídolo. O João acha que o Jim Morrison se matou. Ele está com 40 anos, não conseguiu ganhar a vida com a poesia dele, acabou tendo de arrumar um trabalho que não amava, teve filhos, família... Daí despertou uma crise. Ele surge acreditando ser a reencarnação do Jim no túmulo dele com uma 38 em mãos brincando de roleta russa. Ele vai culpá-lo por tudo”, conta o ator sobre seu personagem.

O gosto pela leitura, principalmente de grandes filósofos e pensadores como Friedrich Nietzsche, William Blake e Arthur Rimbaud, deram base para Eriberto se tornar o homem que é hoje e para juntar as peças que formam o Rei Lagarto, um dos nomes atribuídos a Jim. Um personagem tão cheio de elementos e possibilidades presenteia o ator brasileiro com a responsabilidade de apresentar um Jim consistente, apesar de viver na corda bamba, para uma plateia lotada de fãs de Jim.

Quando eu conheci o Doors, compreendi o Jim de uma maneira equivocada como um fã normal. Mas quando comecei a ler o que ele lia ,comecei a abrir, de fato, as minhas portas da percepção, um novo caminho se abriu”

“Quando eu conheci o Doors, eu compreendi o Jim de uma maneira equivocada como um fã normal. Isso até os 18, 19 anos. Mas quando comecei a ler o que ele lia, comecei a abrir, de fato, as minhas portas da percepção, um novo caminho se abriu. É o que eu defendo. Isso é muito importante. Eu acho que a gente tem que ter dialética sempre em tudo. O que a gente não pode é deixar de discutir”, dispara.

Roberto Filho
Eriberto Leão se transforma em Jim Morrison

Jim morreu de amor

É quase impossível falar de The Doors, Jim Morrison e contracultura sem entrar no assunto das drogas. O tema é abordado com cuidado na montagem. Embasado em estudos e ensinamentos de grandes cientistas, Eriberto acredita que, mesmo sem LDS ou “plantas de poder”, Jim seria tão genial quanto foi (e é).

Quem matou o Jim não foi o LSD ou as plantas de poder, foi o álcool, que é legal. Você consegue em qualquer esquina”

“Acho que o que teria acontecido é que ele não se incendiaria tão rapidamente. Quem matou o Jim não foi o LSD ou as plantas de poder, foi o álcool, que é legal. Você consegue em qualquer esquina. É um assunto que a gente trata com cuidado, com muita responsabilidade. Não tem como falar de The Doors sem falar de drogas, mas não existe apologia nenhuma. É só uma colocação. O que não pode existir é uma demonização sem o conhecimento”, diz.

Sem cigarro, com um chope uma vez na vida e outra na morte e com o equilíbrio da meditação, Eriberto faz coro aos que acham que Jim não procurou a morte. Ele tinha amor pela vida, e deve ter morrido de tanto amor. “O Jim me reinflamou. Não tem como deixá-lo no palco completamente. Nem o João Mota, até porque tem um outro João do lado de lá que é meu filho, de dois anos”, conta.

Serviço:

“Jim”
Teatro do Leblon - Sala Tônia Carrero
Rua Conde Bernadotte, 26, Leblon - Rio de Janeiro
Terças, quartas e quintas, às 21h


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