Aos 31 anos, o ator relembra a estreia na TV na minissérie "Presença de Anita", conta que foi um adolescente tímido e fala sobre sua empreitada como produtor na peça "La Mamma", em cartaz em São Paulo. "Já vivi muito esse medo de ficar sem trabalho. Agora, busco estabilidade financeira"



Leonardo Miggiorin não parece muito diferente do jovem ator que, aos 19 anos, despontava na minissérie "Presença de Anita", da Globo, em 2001. O rosto do artista não mudou ao longo desses anos, exceto pelas espinhas características da adolescência que desapareceram.  "As pessoas se surpreendem, mas já tenho 31 anos, muitas águas já passaram nesse rio", justifica-se, em entrevista ao iG

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Ator desde os 12 anos, quando morava com a família na Vila Militar dos Oficiais da Aeronáutica, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro - onde o pai, Wagner , trabalhava -, Leonardo sabia que seria artista. "Gostava das artes, dos livros, de pintura e trabalhar com o teatro foi natural", lembra o filho do meio de Maria Tereza - ele tem dois irmãos, Rafael , de 32 anos, e Gustavo , de 30. "Na fase da adolescência, era baixinho e os meninos me zoavam. Um irmão tem 1,89m (de altura), o outro é aviador de caça. Só de raiva eu tinha que fazer sucesso de qualquer jeito", diverte-se Leonardo, que mede 1,67m.

Apesar de ter conquistado seu espaço e se considerar "um profissional bem-sucedido, com contrato na Globo e imóvel próprio", Leonardo admite que a instabilidade da carreira o preocupa. "Estou buscando uma estabilidade e uma independência financeira, uma possibilidade de crescer gerando emprego e ter meu conforto", explica ele, que ensaia seus primeiros passos como produtor na peça "La Mamma", em cartaz em São Paulo. "Pensei em abrir outro tipo de negócio, mas entedi que para ter sucesso, preciso gostar do que estou fazendo. E estou adorando", diz ele, que atua no espetáculo em dose dupla, como os gêmeos Aldo e Antônio, ao lado de Rosi Campos , Carlo Briani e Débora Gomez . Leonardo também divide seu tempo no curso de Psicologia. Confira o bate-papo:

iG: Você nasceu em Barbacena (MG). Quais lembranças tem da infância?
Leonardo Miggiorin: Nasci em Barbacena, tenho até fã clube lá (risos), mas nunca morei em Minas. Meu pai era militar da aeronáutica e morei em vários lugares: no Paraná, no Rio Grande do Sul, Brasília e no Rio de Janeiro. Sou o irmão do meio, tive uma infância muito em família, viajando com os meus pais de carro. Morava em casa, brincava no quintal, jogava futebol, andava de bicicleta... Tenho memórias muito saudosas da minha infância. Nas férias, ia a Barbacena e ficava no ateliê da minha tia Tina pintando no gesso. Sempre fui das artes, dos livros, pintei até os 14 anos. Agora, voltei a pintar. Uma amiga falou: "Ah, mas não bota tantas técnicas misturadas". Eu respondi: "Boto sim porque não é para ninguém olhar, não é para tirar dez, é para relaxar".

Meu irmão tem 1,89m, o outro é aviador de caça. Só de raiva eu tinha que fazer sucesso de qualquer jeito”

iG: Quando decidiu ser ator?
Leonardo Miggiorin: Comecei a fazer teatro quando morava no Rio, na Vila dos Oficiais: fazia vôlei, natação, futebol, capoeira e teatro. Era uma brincadeira, tinha 12 anos e foi primeira experiência. Quando nos mudamos para Curitiba, entrei para o profissional técnico de artes cênicas profissionalizante, que foi me direcionando com aulas de cenário, figurino, sonoplastia e comecei. Fiz peças, publicidade...

iG: Foi nessa época que foi chamado para o teste da Globo?
Leonardo Miggiorin: Tinha uns 16 anos. Fiz meu cadastro e não deu em nada no primeiro ano. Todos os outros foram chamados para fazer aquela oficina de atores e eu não. Depois de um ano, fui chamado para um teste para um programa da Angélica . Passei, mas o programa caiu. Aí veio o teste para "Presença de Anita", que me lançou, foi um marco para mim. Meu rosto ficou conhecido e comecei a ter uma vida pública. Achar a medida para isso foi sempre uma questão para mim, esse lance do público e privado.

iG: Você tinha apenas 19 anos, estava preparado para a fama?
Leoanrdo Miggiorin:
Acho que estava preparado profissionalmente, já vinha fazendo teatro, preparado no sentido artístico. Mas é claro que saber lidar com a fama era algo novo. Então, me retraí, não conseguia me relacionar muito bem. Fiquei ainda mais tímido. Imagina a Vera Holtz , o Manoel Carlos do meu lado... Aos poucos fui ganhando segurança. O trabalho faz isso, torna a gente mais confiante. Eu era muito inseguro, hoje me sinto mais seguro e a própria realização de bancar uma projeto como esse, de ser produtor, é um sinal de maturidade.

iG: Você sempre diz que era tímido na adolescência. Sofreu bullying?
Leonardo Miggiorin: É, eu sempre falo isso. Na fase da adolescência, era baixinho e os meninos me zoavam. Meu irmão tem 1,89m, o outro é aviador de caça. Só de raiva eu tinha que fazer sucesso de qualquer jeito (risos). 

Leonardo Miggiorin: 'Me considero um ator bem-sucedido'
Edu Cesar
Leonardo Miggiorin: 'Me considero um ator bem-sucedido'


iG: Já fez terapia?
Leonardo Miggiorin: Faço terapia há muito tempo e já fiz vários tipos. As pessoas não sabem, mas tem muitas linhas teóricas e agora estou conhecendo ( Carl Gustav) Jung . Já quero até montar um espetáculo. Sou um cara de muitas questões, sabe? Muitas perguntas e poucas respostas... Eu já falo bastante e você bota um gravador querendo me ouvir. Aí eu embarco.

iG: Na mesa do bar, você domina o assunto?
Leornado Miggiorin: Pior que não domino. Mas tinha uma época em que eu falava: "Ah, já falei bastante, fala você agora: o que vc acha de mim?" A faculdade de Psicologia me fez ficar mais cético, buscar um autocontrole. 

iG: Como está sendo a faculdade? Atrapalha ser famoso?
Leonardo Miggiorin: Agora estou na fase em que atendo pacientes. Eles me reconhecem, mas eu consigo estabelecer bem a diferença entre o ator e quem está ali. Aí, tudo flui.

iG: Por causa da faculdade, você tem intenção de seguir em outra profissão?
Leonardo Miggiorin: Minha vontade é terminar psicologia e focar nessa produçao cultural, procurar um curso de gestão em economia criativa. Produtor é uma nova profissão também porque acabo tendo que lidar com outras coisas como contabilidade, prestação de contas, leis. Estou buscando uma estabilidade, uma independência financeira, uma possibilidade de crescer gerando emprego e ter meu conforto. 

iG: Você é consumista?
Leonardo Miggiorin: Não sou o cara que precisa do carro que acabou de ser lançado, não fico trocando de carro, tento ser econômico porque tenho objetivos maiores, de comprar meus imóveis, de produzir meus espetáculos. 

iG: Conseguiu fazer um patrimônio com a profissão de ator?
Leonardo Miggiorin: Consegui comprar meu imóvel juntando dinheiro de teatro, de TV, de propaganda, de tudo. Mas sempre tive a ajuda dos meus pais e pude juntar dinheiro por um tempo. Só fui morar sozinho aos 25 anos.

Hoje estou aceitando a instabiliadde como uma característica da própria carreira. A gente tem que se preparar, saber que o trabalho é sazonal, guardar dinheiro e fazer um planejamento”

iG: Já teve medo de ficar sem trabalho?
Leonardo Miggiorin: Já vivi muito esse medo de faltar trabalho. Hoje estou aceitando a instabilidade como uma característica da própria carreira. A gente tem que se preparar, saber que o trabalho é sazonal, guardar dinheiro e fazer um planejamento.

iG: Tem conseguido guardar dinheiro?
Leonardo Miggiorin: Vejo o dinheiro como energia necessária para que as coisas aconteçam. Cada um tem suas prioridades, tem gente que vive para ganhar dinheiro, quem sou eu pra julgar? Mas soube de uma história de um cara que queria dinheiro para comprar uma lancha e, aos 50 anos, durante a festa de inauguração do barco, caiu e morreu no meio da festa. É horrivel essa história, mas é bom para gente acordar. A gente só tem agora para viver. Coloquei uma frase famosa de Hamlet no programa do espetáculo que é tão clichê, mas a gente vive de clichês: "Há mais coisas entre o céu e a terra do que pode sonhar tua vã filosofia". A vida é isso. Eu vinculei muito meu prazer ao trabalho, mas não é legal. Meu lazer hoje é ficar em casa, dormir, ver filme, ficar quieto. Vivo profissionalmente de muita comunicação, muita peça, tudo muito compartilhado com muita gente. Quando estou sozinho, quero conseguir relaxar e ficar de um jeito que não me leve a me preocupar com quanto estou ganhando.

iG: Aos 31 anos, considera-se um ator bem-sucedido?
Leonardo Miggiorin: Me considero um ator bem-sucedido, tenho meu contexto, de onde parti. Não sei para onde estou indo (risos), mas hoje não duvido de onde posso chegar. Se você ficar só pensando se é capaz ou não, você não vai realizar nada, você vai para o buraco. Já duvidei muito do meu potencial, mas virei a mesa.

Serviço:

"La Mamma"
Teatro Nair Bello
Rua Frei Caneca, 569, 3º Piso - Shopping Frei Caneca - São Paulo -SP
De 2 de agosto a 1º de dezembro de 2013
Sexta-feira, 21h30; Sábado, às 21h; Domingo, às 19h












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