Apresentador fala sobre a peça “Três Dias de Chuva”, que conta com sua direção, do filho autista e da vontade de voltar aos palcos


J ô Soares participou da coletiva de imprensa do espetáculo “Três Dias de Chuva”, que estreia dia 26 de julho, no teatro Raul Cortez, em São Paulo, na noite dessa quinta-feira (18). O apresentador foi chamado para dirigir a peça por Otávio Martins , que integra o elenco ao lado de Carolina Ferraz e Petrônio Gontijo . “Fiquei honrado com o convite. Só conhecia a Carolina e o Otávio profissionalmente, não éramos amigos, e o Petrônio nem assim. Mas depois que vi o entrosamento deles, foi fácil fazer”, disse Jô.

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O apresentador contou que, por não conhecer o texto, escrito pelo americano Richard Greenberg , só topou participar do projeto por admirar o trabalho de Otávio. “Minhas escolhas são muito mais feitas pelo meu irracional do que pelo real. Acho que topo um trabalho muito mais pela empatia que tenho por quem me convida do que pelo texto. Gostaria de ter escolhas mais pelo lado intelectual, mas meu lado intelectual está ligado ao meu artista, que é um porra louca (risos)”, explicou.

Diretor exigente, mas agradável

Apesar da fama de perfeccionista, Carolina Ferraz garantiu que Jô Soares é um diretor fácil de trabalhar. “Ele é superexigente da maneira mais inteligente e agradável possível. E como se fizéssemos um exercício com um regente maravilhoso. O Jô escuta muito a gente, às vezes até mais do que deveria (risos)”, brincou.

O apresentador completou o elogio, afirmando que a melhor maneira de fazer um bom espetáculo é sabendo interagir com a equipe. “Não dirijo na base da tirania e sim do respeito. O importante é saber ouvir. Você não pode impor tirania no teatro, não dá certo bater de frente. A técnico do chicote para mim não funciona”, opinou Jô.

Filho autista

O espetáculo “Três Dias de Chuva” conta uma história que se passa em dois tempos, 1995 e 1960, e mostra duas gerações de uma família em que os filhos não conseguem entender certas atitudes dos pais no passado. “A medida que fui lendo o texto percebi que tinha muito humor. Claro que tem drama, mas diria que é uma comedia romântica”, classificou Jô Soares.

Para dirigir a peça e entender melhor a relação entre pais e filhos citada no texto, o apresentador se inspirou em fatos de sua vida pessoal e do que viu em outros lugares e chamaram sua atenção. “Eu sou um observador. A observação de pais e filhos você faz dentro e fora de casa. Eu tenho um filho autista ( Rafael , de 48 anos, de seu primeiro casamento com a atriz Theresa Austregésilo). É muito difícil se comunicar com alguém que tem dificuldade de se comunicar. Mas isso não pode ser o foco da vida, senão fica muito pesado”, relatou.

Vontade de voltar a atuar

Há muito tempo apenas dirigindo espetáculos, Jô Soares confessou ter vontade em voltar a atuar. “Não sinto falta de fazer programas de quadros de humor., não sinto vontade, sinto saudades. Mas sinto falta de atuar no palco, sozinho e contracenando com alguém. Claro que gostaria de atuar novamente. Mas não sou um ator frustrado, e sim realizado”, afirmou.

Peteca de político

Jô Soares ainda deu sua opinião sobre o projeto aprovado pela Câmara, que cria uma cota nacional de 40% para a venda de ingressos com meia-entrada em eventos artísticos, culturais e esportivos.“Ingresso de teatro virou peteca de político. Fico desconfiado com qualquer tipo de limitação, qualquer coisa que querem controlar preço, acho absurdo. Estudante tem que ter direito a meia-entrada, mas só se for estudante mesmo. Só sei que se o governo quer fazer, está errado”, declarou, entre risos.

Jô Soares, Carolina Ferraz, Petrônio Gontijo e Otávio Martins
Foto Rio News
Jô Soares, Carolina Ferraz, Petrônio Gontijo e Otávio Martins


Serviço:

“Três Dias de Chuva”, temporada de 26 de julho a 16 de dezembro
Teatro Raul Cortez
Rua Dr. Plínio Barreto, 285, Bela Vista
sextas às 21h30, sábados às 21h e domingos às 19h

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