Jornalista desabafa sobre dividir o comando do "TV Fama" com o "fofoqueiro", admite usar roupas sexy para atrair audiência e brinca sobre ter se casado com um "judeu pão-duro". "Ele quer a mulher ganhando o próprio dinheiro"



Flávia Noronha não tem papas na língua. Desbocada e espontânea, a jornalista de 30 anos não evita assunto algum. Pelo contrário: gosta de expor suas opiniões, mesmo sobre o meio profissional. Há três anos no comando do "TV Fama", da Rede TV, ao lado de Nelson Rubens , não tem pudor ao relatar sua rotina profissional ao lado do "fofoqueiro das celebridades". "O Nelson é doido. É muita pressão apresentar com ele", diz ela, explicando que o temperamento do colega de trabalho às vezes a surpreende. "Um dia desses, ele me mandou calar a boca e eu disse: 'Cala a boca você'", lembra, aos risos. "Mas ele pode ser também um doce. Dias atrás me deu um jogo de presente e disse: 'Olha, peguei um para mim e um para você'. A gente tem que saber lidar", emendou.

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Dona de um físico invejável, a jornalista nascida em São Paulo admite que seu figurino chega a ser ousado, quase sempre composto de saias e vestidos justos. "Me dão três opções e escolho a que mais me agrada, a que não me exponha tanto. Mas admito que, às quartas-feiras, quando tem jogo de futebol na concorrência, eu uso coisas mais sexy. Meu marido às vezes me liga e diz: 'Amor, hoje você está usando calcinha preta'", brinca, sobre o empresário Alexandre Abraham , de 42 anos, com quem se casou há 1 ano. "Ele é um querido, mas quer a mulher dele ganhando o próprio dinheiro, nada de me sustentar. É judeu pão-duro", diz, em tom bem humorado.

Na quarta-feira, quando tem futebol na concorrência, uso coisas mais sexy. Meu marido me liga e diz: ´Amor, hoje você está usando calcinha preta.´"

Entre outros assuntos, Flávia lembra sobre a estreia polêmica no comando da atração em 2010 - Íris Stefanelli e Adriana Lessa eram apresentadoras quando a jornalista foi convidada para substituí-las -, fala sobre a trajetória profissional, admite sentir ciúme do enteado e que gosta de aparecer "desde pequenininha". Confira abaixo a entrevista completa ao iG .

Flávia Noronha
André Giorgi
Flávia Noronha

iG: Você é falante assim desde pequena?

Flávia Noronha: Nasci em São Paulo, mas a família da minha mãe é de Minas Gerais, então minha infância foi de pé no chão, convivendo com galinhas, pegando ovo, subindo na jabuticabeira. Sempre gostei de aparecer, desde pequenininha. No meu aniversário tocava aquela múscia "Manequim" e todo mundo tinha que me ver desfilar, quem não assistisse não era bem vindo, não convidava mais. Com 5 anos estava desfilando numa festinha e empurrei uma menina porque não queria que ela me ofuscasse. Foi cruel, mas aconteceu. Na adolescência foi o contrário, usava sapatinho de menino, blusão, legging. Era muito tímida.

iG: Mas você gravou um CD na adolescência...

Flávia Noronha: Pois é. Com 12 anos fiz aula de canto, mas era muito tímida, só cantava em videokê com a família. Aos 16 anos, queria ser cantora, estava no colégio e namorava um cara que trabalhava na rádio Jovem Pan. Ele me apresentou ao dono da gravadora Building Records, que me ouviu cantar e falou: "Vamos gravar agora". Fiquei a madrugada toda gravando. Ele tinha escrito música para a namorada e queria que eu gravasse em italiano porque estudava no Dante Alighieri. Aí, me deu o nome artístico de Francesca Ray . Tocou em um monte de rádio, fui número 1 nas rádios da Itália e ganhei meu dinheirinho. Depois não deu mais certo, mas quero gravar outro CD mais para a frente... Quem sabe?

iG: Como entrou no jornalismo?

Flávia Noronha:  Com 17 anos fui fazer faculdade de Direito, porque meu pai era advogado e me obrigou. Fiquei só um ano e comecei a fazer um curso de rádio para ajudar a me desinibir, já que continuava com o sonho de ser cantora. No curso, todo mundo falava que eu tinha cara de jornalista, de garota do tempo, por isso fui fazer faculdade de jornalismo. Meu pai ficou "puto" e não quis pagar a faculdade. Tive que trabalhar em lojas como a Roberto Cavalli, a Hugo Boss, para pagar o curso. Ganhava bem e até o último ano da faculdade eu não tinha feito estágio, então arrumei um estágio na Band, sem ganhar um real. Comecei como estagiária e fui crescendo: produtora, editora... até fui pauteira do "Brasil Urgente", do Datena.

iG: Gostou da experiência com o jornalismo policial?

Flávia Noronha: Gostei um mês, mas depois acabava me envolvendo, ficava mal, chegava em casa e chorava porque ficava tentando ajudar as pessoas... Era só coisa pesada. Acabei me achando no entretenimento. Hoje, amo apresentar o "TV Fama".

iG: Sua estreia no "TV Fama" foi polêmica, falaram que você puxou o tapete da Íris Stefanelli e da Adriana Lessa, que apresentavam o programa antes de você...

Flávia Noronha: Não foi nada disso. Eu trabalhava no jornalismo esportivo da Rede TV e a Mônica Pimentel (diretora da Rede TV) gostava de mim. Um dia, a Íris e a Adriana não puderam apresentar o Carnaval e eles me convidaram para atuar ao lado do  Nelson Rubens .  Alguns meses depois me fizeram a proposta. Minha primeira resposta foi "não", porque eu estava curtindo esporte e ia estrear no "Bola na Rede". Quando aceitei foi uma loucura, saiu em todos os lugares: "Flávia puxa tapete de Íris". Não tinha nada a ver, mesmo que eu não aceitasse, o Marcelo de Caravalho  (diretor da Rede TV) já não queria mais uma pessoa famosa apresentando além do Nelson. Ele queria usar o modelo do "Entertainment", um fofoqueiro e uma jornalista para dar mais credibilidade, mais seriedade. De minha parte, eu não ia negar uma boa proposta.

iG: A Íris e a Adriana chegaram a conversar com você depois disso?

Flávia Noronha: Quando assinei o contrato para apresentar o "TV Fama", a Íris ainda estava no ar e me pediram para não dizer nada. Depois que a Mônica a avisou, eu bati no camarim da Íris e disse: "Quero te falar que não procurei nada, essa proposta apareceu, não quis puxar seu tapete. Fui convidada e, se te oferecessem algo pagando mais, você também aceitaria". Também encontrei a Adriana nos corredores da emissora e esclareci tudo.

iG: Como é dividir a apresentação com o Nelson Rubens?

Flávia Noronha: O Nelson é doido. É muita pressão apresentar com ele, não vou negar. De vez em quando temos nossos "arranca rabos" (risos). Um dia desses, ele me mandou calar a boca e eu disse: "Cala a boca você". Mas ele pode ser um doce também. Dias atrás me deu um jogo "Mega Senha" de presente e disse: "Olha, peguei um para mim e um para você". Fofo, né?! A gente tem que saber lidar. Ele precisa de alguém que responda à altura, porque senão não sente confiança na parceria. Afinal, o programa é dele, ele gosta das coisas do jeito dele. Acho importante tê-lo ali porque o tempo todo aprendo. 

Flávia Noronha
André Giorgi
Flávia Noronha




iG: Você é quem escolhe o figurino para apresentar o "TV Fama"?

Flávia Noronha: O figurino é escolhido por um profissional da emissora. Eles me dão três opções e escolho a que mais me agrada, a que não me exponha tanto. Mas admito que, às quartas-feiras, quando tem jogo de futebol na concorrência, eu uso coisas mais sexy. Meu marido às vezes me liga e diz: "Amor, hoje você está usando calcinha preta". Eu sei que são roupas curtas, às vezes justas, mas faz parte do estilo do programa, do que o público quer ver. Não fico encanando com essas coisas. Como sou magrinha, tenho um biotipo fino, não fica vulgar e nem ridículo, fica elegante.

iG: Recentemente, você reclamou do seu salário ao vivo...

Flávia Noronha:  Isso também deu o que falar... Eu não reclamei diretamente sobre mim, foi uma brincadeira, emendei um comentário para dar graça a uma notícia sobre o aumento do cachê do anão Marquinhos . Acabei de renovar meu contrato com a Rede TV até 2015. Na época desse comentário, outras emissoras estavam me sondando, a Record queria que eu fosse para lá para apresentar um programa grande, mas não aceitei. Se não estivesse satisfeita, você acha que negaria? Antes de aceitar ir pra Rede TV, queria só Globo, só pensava em Globo, Globo. Hoje percebo que estou em um ótimo lugar. Posso levar para o trabalho meu cachorro, o Frederico (da raça Yorkshire). As pessoas amam ele. Eu também levo meu marido. Onde mais poderia fazer isso?

Antes de aceitar ir para a Rede TV, queria só Globo, só pensava em Globo, Globo. Hoje percebo que estou em um ótimo lugar. Posso levar meu cachorro para o trabalho, também levo o meu marido. Onde mais poderia fazer isso?"

iG: Muita gente fala em teste do sofá, isso aconteceu com você?

Flávia Noronha: Olha, muita gente fala: "Quem é essa Flávia? Ela deu pra quem?" Os fãs da Íris são xiitas, até hoje as pessoas falam. Mas eu nunca passei por esse tipo de paquera. Já namorava o Alexandre, todos me respeitaram.

iG: Você pensa em ter filhos?

Flávia Noronha: Casamos há um ano, mas já moro com ele há 4 anos. Meu marido é bem resolvido financeiramente, ele não trabalha, vendeu uma empresa e poderia estar viajando pelo mundo se não estivesse comigo. Mesmo assim eu precisaria trabalhar, ele não me banca. É um querido, mas quer a mulher dele ganhando o próprio dinheiro, nada de me sustentar. É judeu pão-duro. Nosso plano é viajar o mundo antes de ter filhos. Tenho um enteado, o Davi, que vai fazer 10 anos. Toda quarta-feira ele fica com a gente e já estamos acostumados um ao outro. No começo, quando conheci o pai dele, o Davi tinha 5 anos e tinha bastante ciúmes. Eu também tive ciúme do Davi, da ex mulher. Depois ela se casou também, graças a Deus, não enche o saco, está tudo resolvido. É que sou meio criança, tenho idade mental de 8 anos. (risos)

iG: É uma boa dona de casa?

Flávia Noronha: Sou péssima dona de casa, estou aprendendo agora porque compramos uma casa nova, de 700 m², vou ter que dar conta. Sempe tive empregada, tudo na minha mão. Meu pai diz que foi um erro da minha mãe não me ensinar a lavar e passar.

iG: Como jornalista, você tem acompanhado as manifestações recentes pelo Brasil?

Flávia Noronha: Claro, o povo cansou de roubalheira, demorou para acontecer. Todo mundo do meu nível social está indo morar em Miami, não quer mais ficar aqui. Outro dia, li que um menino morreu no colo da mãe, essa violência não existe em nenhum outro lugar no mundo. O meu marido está vendo um apartamento em Miami também, para a gente passar uma temporada. Não vou embora porque tenho contrato, mas me sinto envergonhada de morar num país assim. Meus amigos perguntam porque andamos de carro blindado. É porque onde eu moro tem assalto no farol, sequestro.

Meu marido está vendo um apartamento em Miami para a gente passar uma temporada. Não vou embora porque tenho contrato, mas me sinto envergonhada de viver num país (violento) assim. Meus amigos perguntam porque andamos de carro blindado. É porque onde eu moro tem assalto no farol, sequestro."

iG: Como vê o projeto da "cura gay"?

Flávia Noronha: Acho um absurdo. Acho imbecil esse tipo de gente que tem preconceito. Meu irmão é gay, não é doente. É diplomata, mora no Kuait, agora vai morar na Itália. Também tenho um parente gay que não é assumido. 

iG: Pensa em algum dia deixar o "TV Fama"?

Flávia Noronha:  Eu adoro meu trabalho, adoro o "TV Fama", não tenho do que reclamar. Quem sabe um dia não apresento outro programa na emissora? Mas junto com o "TV Fama", não o largo mais. Tenho um horário ótimo, das 16h às 21h. Lembro-me que, em 2006, trabalhava mais de 12 horas por dia e tinha um salário de R$ 580.








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