"Meu namoro está sendo como os casamentos indianos, que começam frios e vão esquentando. Me surpreendi, não esperava que isso fosse acontecer agora"

Vera Holtz não quer que ninguém a veja se transformando em Dona Redonda, sua personagem em "Saramandaia", nova novela das 23h da Globo, que estreia na próxima segunda (24). “Perde a magia”, explica a atriz. “É como tirar a cabeçona do Mickey para ver o que tem por baixo.”

Para ela própria, a descoberta da personagem fez o caminho oposto. Só depois de dar algumas voltas com as pernas roliças de Redonda foi que a mágica do encontro de Vera com a mulher mais gorda do município de Bole Bole (cidade fictícia da Bahia onde se passa a trama) aconteceu. “A personalidade de Redonda foi montada a partir da visão dos outros. As pessoas olhavam para ela e não para mim. Ser aceita como de verdade assim toda montada foi demais.”

Vera Holtz ao natural e depois de quatro horas na sala de maquiagem
Reprodução
Vera Holtz ao natural e depois de quatro horas na sala de maquiagem

O primeiro passeio de Redonda pelo Projac foi também a primeira identificação de Vera com as formas gigantes que assume na trama. “Aos poucos as próteses físicas entram em comunhão com o ator. Você começa a entender como se relacionar com aquele corpo.”

Aos poucos as próteses físicas entram em comunhão com o ator. Você começa a entender como se relacionar com aquele corpo."

Muito já se falou das horas e horas (quatro, em média) que a atriz leva para se transformar em Redonda. Ela não acha ruim. “Esse papel é um presente. É uma maravilha ter a liberdade de usar próteses e perucas tão bem feitas e ter uma equipe de caracterização tão preparada para recriar a mulher que explode. Ela ficou no imaginário das pessoas, e agora volta com uma versão captada em HD (alta definição). É uma maneira de reverenciar o passado, um produto do Dias Gomes (autor da versão original de “Saramandaia”, exibida em 1976) que ultrapassou o tempo.”

Dona Redonda em versão de 1976, interpretada por Wilza Carla, e Vera Holtz caracterizada como a mulher mais gorda de Bole Bole
Reprodução/Divulgação/TV Globo
Dona Redonda em versão de 1976, interpretada por Wilza Carla, e Vera Holtz caracterizada como a mulher mais gorda de Bole Bole

Sobre as falas de Redonda, Vera diz que o elenco todo se diverte com os “saramandismos” com que Ricardo Linhares , o autor da adaptação que está indo para o ar agora, rebusca o texto, repetindo um padrão já usado por Dias Gomes. “Ele usa neologismos o tempo todo, mistura terminologias, cria palavras que não existem. Os personagens dizem coisas como ´macumbista´ em vez de macumbeiro, ´cismância´ no lugar de cisma, ´desaforenta´no lugar de desaforada, e outras invenções como ‘apenasmente’ e ‘confabulância eleitorística’."

Os cuidados de Vera para não se estranhar com Dona Redonda são manter o corpo e a pele sempre hidratada para aguentar a maquiagem pesada e as próteses de látex, e fazer fisioterapia e alongamento para segurar o corpão da personagem. “E estar sempre atenta”, continua ela. “Vou dar muita entrevista nessa fase de lançamento da novela, preciso estar com o pensamento antenado.”

Na festa de lançamento de
AgNews
Na festa de lançamento de "Saramandaia", com 10 kg a menos do que em "Avenida Brasil"

Agora, vamos pedir licença para tirar por um momento a maquiagem da atriz e contar o que se passa por baixo das perucas e das próteses de Redonda. Vera está 10 kg mais magra do que em sua última aparição na TV como Mãe Lucinda, em “Avenida Brasil”, e apaixonada. “Me surpreendi, não imaginava que isso fosse acontecer agora. Faz quatro meses que estamos juntos, ele é médico, mora no Recife. O nome é Roberon”, vai contando. “Nossa relação está sendo meio como os casamentos indianos, que começam frios e vão esquentando. Nossa primeira ligação foi intelectual. Sabe quando você encontra uma pessoa que conecta?”

Faz quatro meses que estamos juntos. Nossa primeira relação foi intelectual. Sabe quando você encontra uma pessoa que conecta?"

E os 10 kg a menos? “Estou fazendo controle, preciso manter o peso menor. Um corpo mais magro me dá mais liberdade para atuar. Minha geladeira vive lotada de frutas e água de coco.”

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