A atriz comemora a inauguração do espaço em sua homenagem em Aiuruoca (MG) e conta que, como sua personagem na animação "Turbo", era a única garota da turma e, espevitada, chegou a levar vassourada de um vizinho

Esqueça a periguete Suellen da novela “ Avenida Brasil ”, que fez a cabeça dos homens a cada aparição de lingerie na TV. Esqueça também a sensual Sereia da minissérie “O Canto da Sereia” ou a rebelde Maria Lúcia do filme “Faroeste Caboclo”, que lhe rendeu inúmeros elogios pela atuação. Discreta e tímida, a atriz Isis Valverde nada lembra suas famosas personagens espevitadas. “As pessoas acham que tenho a personalidade forte, mas sou muito ‘de boa’. Gosto de mato, cachoeira”, diverte-se ela, em entrevista ao iG .

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A mineira já declarou que não se preocupa em ficar estereotipada pelos personagens sensuais, mas que busca papéis que a desafiem. Foi com este intuito que ela aceitou o convite para dublar o filme “Turbo”, nova animação da DreamWorks, com estreia prevista para 19 de julho “Sou viciada em desenho animado. Vi quase todos os filmes de animação que já foram lançados”, revela.

As pessoas acham que tenho a personalidade forte, mas sou muito ‘de boa’. Gosto de mato, cachoeira"

No desenho, ela será a caracol Brasa, única fêmea em um grupo de caracóis corredores. “Tenho isso em comum com ela, só tenho amigos homens. Minha mãe ficava louca. Lembro de um dia, quando tinha 12 anos, que cheguei em casa preta de sol, com a barriga toda lanhada, uma prancha debaixo do braço e sete amigos em volta de mim. Ela ficava me perguntava aonde estavam as minhas amigas”, recorda, aos risos.

Por causa do jeito moleque, Isis chegou até levar vassouradas de vizinho. “Um dia estávamos pulando o muro e ele saiu correndo atrás da gente, mas ele me pegou de raspão. Sempre saia dessas aventuras mais machucadas que os meus amigos. Não tem como”, lembra ela, que tentou imprimir a postura da mulher moderna em sua caracol. “A (atriz americana) Maya Rudolph , que a dublou originalmente, fez uma coisa meio black, do hip hop. E achei incrível porque ela ficou forte. Pensei em como traria isso para o Brasil e peguei a malemolência dessas meninas que curtem um hip hop na Lapa (bairro boêmio do Rio de Janeiro)”.

Só tenho amigos homens, minha mãe ficava louca. Quando tinha 12 anos, cheguei em casa preta de sol, com uma prancha e sete amigos em volta de mim"

Outro fator que fez Isis emprestar sua voz em “Turbo” foi a mensagem passada no filme. “Ele fala sobre não desistir do seu sonho, acreditar no seu potencial que acontece o que você deseja. Mas também dialoga sobre a maldade das pessoas que querem te derrubar”, diz ela, que sabe que isso é muito comum. “Existem maus encontros em todos os lugares. As pessoas acham que a competição é maior que só porque estou no meio artístico, mas é mentira. Todo mundo passa por isso. Mas posso dizer que tive mais bons do que maus encontros.”

Acreditar nos sonhos: teatro próprio e casa com quintal

Aos 26 anos, Isis diz que muitas amigas estão passando pela fase de questionar o seu potencial. “É engraçado porque eu já passei por isso, de achar que o sonho está muito distante. Eu as incentivo a não desistir e correr atrás. Mas também não adianta ficar dando murro em ponta de faca.” E completa: “Não tinha o foco de fazer novela. Queria só atuar. Tanto que estrei no teatro aos cinco anos porque para mim era o caminho mais fácil, já que acompanhava a minha mãe ( Rosalba Nable , que foi atriz). Tudo aconteceu muito rápido na minha carreira. Mas odeio quando digo isso porque parece que foi fácil, que subi em um trampolim. Eu estudei muito, fiz muitos testes e, claro, tive sorte. Estava no lugar certo na hora certa”, analisa.

Parece que foi fácil, que subi em um trampolim. Estudei muito, fiz muitos testes e, claro, tive sorte. Estava no lugar certo na hora certa”

Agora Isis comemora um sonho de infância que está prestes a ser realizado. “Vamos abrir um teatro na minha cidade, em Aiuruoca (MG), que não tinha. Já compramos o lugar. Quer dizer, eu não, né? Vou fazer uma parceria com um empresário. Provavelmente o teatro terá meu nome, mas ainda não sabemos”, adianta.

Outra realização pessoal foi a compra de uma casa em um condomínio fechado no bairro de Itanhangá, no Rio de Janeiro. “Não tenho esse desejo de ter coisas gigantes. Sempre quis morar perto da terra e queria que minha família ficasse perto de mim. Em um apartamento menor, não dava para isso. Numa casa com vários quartos, jardins, quintal, você pode trazer mais gente. Eu quis isso, que minha família tivesse um lugar para se reunir porque depois que a minha avó morreu, não tínhamos mais um lugar de encontro.”

Observadora nas manifestações

Acho que tem de conhecer muito a causa para pintar a cara e ir para um lado”, sobre as atuais manifestações no País

De férias da TV desde o inicio do ano, Isis deve voltar às telinhas na série “Amores Roubados”, da Globo, que está em pré-produção. Enquanto isso, ela divulga os seus mais recentes projetos no cinema: “Turbo” e “Faroeste Caboclo”, sua estreia cinematográfica. No longa, ela faz o papel de uma menina da década de 1980, que vive o período de efervescência política no País.

Momento parecido com o atual, com manifestações pelas principais capitais brasileiras por melhores condições de serviços públicos que teve como estopim o aumento de R$ 0,20 da passagem de ônibus em São Paulo. “Vamos ver no que vai dar, né? Por enquanto estou observando. Tem coisas que aprovo, tem coisas que não aprovo. Acho que tem de observar e conhecer muito a causa para você pintar a cara e ir para um lado. Tem de ter noção de onde está se enfiando. Não é porque a debandada está indo, que vou junto. Sou muito individualista nessas coisas. Prefiro primeiro entender para depois tomar uma decisão.”

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