No último dia da novela que o revelou para o Brasil, o ator conversou com o iG sobre assédio, sua origem humilde, suas preferências femininas e o acaso que o levou para o teatro

Se alguns atores apareceram pouco ou viram seus personagens simplesmente sumir de cena em "Salve Jorge" , outros não podem reclamar. É o caso de Nando Cunha , intérprete do malandro Pescoço, que fez um sucesso que nem ele próprio esperava e caiu no gosto popular com seu personagem mulherengo e desbocado. 

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Inicialmente convidado para viver outro personagem, o ator acabou integrando o núcleo de humor da trama, e viu o seu papel crescer e ganhar espaço. "Achei que ia dar errado. Um cara vagabundo e cafajeste. Me surpreendi", revela, defendendo a novela das críticas do público. "Tem canalç a cabo, tem tanta coisa pra assistir. Quem não gosta não precisa ir para o Twitter meter o pau. É só mudar de canal."

Tem canal a cabo, tem tanta coisa pra assistir. Quem não gosta de ´Salve Jorge´ não precisa ir para o Twitter meter o pau. É só mudar de canal."

Após deixar uma gravação do "Encontro com Fátima Bernardes" na noite dessa quinta-feira (16) no Rio, Nando conversou por telefone com a reportagem do iG Gente . Rindo sem parar e interrompendo o bate-papo várias vezes para cumprimentar colegas e funcionários da Globo, o ator falou sobre a reação das pessoas nas ruas, o assédio feminino, rebateu as críticas à novela e revelou ainda que já teve uma "Delzuíte" em sua vida. Confira trechos da entrevista.

O início da carreira e como uma paixão levou à outra

"Morava no subúrbio do Rio. Era um moleque pobre e achava TV uma coisa muito elitizada, coisa de rico. Nunca foi meu sonho ser ator, queria ser mais importante do que isso. Achava que devia ser médico ou psicólogo. Cursava publicidade e estava apaixonado por uma mulher que fazia teatro. Resolvi aprender sobre aquilo para ter o que conversar com ela. Fui fazer teatro por conta de uma paixão que acabou não vingando e aí encontrei outra paixão, o próprio teatro."

Nando Cunha
Divulgação/TV Globo
Nando Cunha


O convite para "Salve Jorge"

"Tinha saído de `Araguaia´ (novela das 18hs. em que fez o papel do palhaço Pimpinela) fazia alguns meses, estava precisando muito de trabalho, conversando com um diretor aqui, outro ali, quando veio esse convite. Agradeci por estar empregado, com carteira assinada, plano de saúde pra fazer o parto do meu filho, Davi (o garoto tem dez meses). Era para eu ter feito um outro personagem, um papel pequeno, mas já estava grato por isso... Por fim me ofereceram o Pescoço. Tô feliz pra caramba. Foi muito mais do que eu imaginava. Está sendo um prazer, uma satisfação muito grande. É minha consagração profissional."

Safadeza masculina

"Dei uma declaração outro dia de que 99% dos homens são safados e meteram o pau em mim. Isso é demagogia. Quem nunca olhou para uma bunda? Quem nunca leu uma revista de sacanagem? Lógico que se passar uma bunda por mim eu vou olhar, eu estou vivo. Mas não na frente da minha mulher, eu a respeito."

A evolução de Pescoço no gosto do público

"No começo, as pessoas queriam me bater, me xingavam. O personagem ficou mais divertido e todo mundo passou a pedir para tirar foto comigo, para eu colocar a mão aqui ou ali para sair na foto. Eu fico assustado, mas entendo que a novela das 20 hs. dá uma exposição muito grande. Todo mundo acha que eu sou o meu personagem."

Já tive uma mulher chata pra c*******, ciumenta, briguenta. Namoramos durante um tempo e depois descobri que ela me traía horrores."

Uma Delzuíte na sua vida

"Já tive uma mulher chata pra c*******, ciumenta, briguenta. Namoramos durante um tempo e depois descobri que ela me traía horrores."

O assédio feminino

"Minha mulher entende que eu sou um profissional e confia em mim. As mulheres me olham, me assediam, querem tirar foto comigo. Eu olho para as mulheres, mas não na presença da minha mulher." 

Pescoço e Maria Vanúbia em cena de 'Salve Jorge'
Divulgação/TV Globo
Pescoço e Maria Vanúbia em cena de 'Salve Jorge'


As críticas e os problemas de audiência de "Salve Jorge"

"Viemos de um sucesso muito grande, que foi ´Avenida Brasil´, uma novela que tinha suspense, que fazia as pessoas esperarem pelo próximo capítulo. ´Salve Jorge´é uma novela mais romântica, com uma mocinha e um mocinho sofredor, é outro tipo de história. Tem muitos personagens e a Glória escreve tudo sozinha. Ela é genial, guerreira. Mas cada um tem seu gosto. Tem canal a cabo, tanta coisa para assistir... Quem não gosta não precisa ir para o Twitter meter o pau. É só mudar de canal." 

E agora, Pescoço?

"Agora nada, a novela nem acabou ainda e acho que até já fui demitido (ele estava brincando porque não conseguia passar com seu crachá pela portaria do Projac). Agora vou fazer teatro, estreio dia 24 na peça "Lima Barreto – Ao Terceiro Dia", no Rio. Quero que os autores e as pessoas que escalam os elencos não me vejam só como um negro da comunidade. Eu sou um ator e posso fazer qualquer personagem. Quero ser Romeu ou Hamlet."