Em cartaz com dois espetáculos, ator fala da emoção de interpretar um personagem autista, distúrbio que seu irmão possui, da sátira que faz da própria profissão em um stand-up e de sua habilidade com as mulheres: "Sou tímido, mas tenho meu borogodó"

Devido a um problema pessoal, Marcelo Serrado chega atrasado à entrevista marcada com a equipe do iG e tem que passar pelo meio do público, que se aglomera no hall do Teatro Vivo para o início do espetáculo “Rain Man”, em cartaz em São Paulo.

O Tônico Bastos tem um lado irrisístivel, andava com o pau na testa. Eu não. Eu sou mais tímido, mas tenho meu borogodó” ”

Sem ser abordado por ninguém, graças a um boné, óculos escuros, o passo rápido e falando ao celular, ele chega ao palco e ali mesmo é feita a entrevista. “Despistar os paparazzi é meu hobby”, brinca o ator, que é uma das personalidades mais fotografadas nas praias cariocas, durante o seu futevôlei quase que semanal. “Uma vez, ouvi o Chico Buarque dizer que tem que usar a mesma roupa na praia, assim os fotógrafos não conseguem vender as mesmas fotos. Mas aí vão dizer que sou sujo e não troco de roupa”, continua.

É neste clima descontraído que segue a conversa, muito diferente do personagem Raymond, que sofre de autismo e que ele dá vida em “Rain Man”. “Eu gosto de desafios. Não quero fazer algo esterotipado, o mais fácil. Coloquei coisas minhas, para compor gags próprias a este papel. O público ri e se emociona ao mesmo tempo”, fala o ator sobre o personagem imortalizado no cinema por Dustin Hoffman .

Eu já fiz peça que tinha 3 pessoas na plateia. Eu vejo estes garotos fantasiados de verdura no shopping center, fantasiado de alface, brócolis, eu tenho vontade de chorar, porque eu já fiz estes caras”

Esta construção própria foi ajudada de certa forma pelas características e hábitos que observou do irmão, que sofre de autismo, como o fato de olhar fixamente para o relógio por um bom tempo. “Tenho algumas lembranças do meu irmão, apesar de ele ser bem mais velho (10 anos de diferença). Tive esta convivência, que também ajudou na emoção”, diz ele, ressaltando que  segura os sentimentos em cena, pois "é o público que tem que se emocionar e não o ator".

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Mas, além de emocionar, Marcelo também faz rir. Fora “Rain Man”, ele comanda um stand up comedy de sua autoria, “Tudo É Tudo e Nada É Nada", em cartaz em São Paulo, no Teatro Folha. Com apenas um microfone e um banquinho, ele ironiza a profissão de ator, a vida de celebridade e até ele mesmo. “Tem um momento em que eu reclamo com o sonoplasta por colocar uma música errada, e ele brinca: ‘Pô, vai fazer “Mutantes”. Você sai da Record, mas a Record não saí de você’, diz ele, rindo.

Marcelo brinca, inclusive, com o próprio fracasso. “Eu já fiz peça que tinham três pessoas na plateia. Eu vejo estes garotos fantasiados de verdura no shopping center, fantasiado de alface, brócolis, e tenho vontade de chorar, porque eu já fui estes caras."

O ator não poupa nem o público ou os fãs, e satiriza as pessoas que chegam até ele e não se lembram exatamente quem é: “Tu é o Marcelo Novaes , o cara que matou a Carminha? Não é, não?  Não, tu é o viado da novela. Tu é muito viado. Tu não é macho, não. Você fez aquele viado muito bem. Fala com minha mãe, ela é muito sua fã”, diz em cena, reproduzindo aluns comentários que ouviu nas ruas.

Marcelo Serrado: Eu vejo estes garotos fantasiados de verdura no shopping center, fantasiado de alface, brócolis, eu tenho vontade de chorar, porque eu já fiz estes caras
André Giorgi
Marcelo Serrado: Eu vejo estes garotos fantasiados de verdura no shopping center, fantasiado de alface, brócolis, eu tenho vontade de chorar, porque eu já fiz estes caras"

Na época de Crô, me chamavam de viado, viadinho, mas não sofri preconceito”

O viado em questão é o personagem mais famoso de sua careira, Crodoaldo Valério, o divertido mordomo Crô da novela “Fina Estampa”. “Foi muito marcante, nunca posso renegar”, diz ele, ao ser questionado se é cansativo ser lembrado sempre por uma caracterização. Mas isso parece realmente não ser problema para ele. Além do filme “Super Crô”, que deve ser lançado até o fim do ano, o personagem deve ganhar ainda um programa de rádio e um livro. “Personagens que são fortes, são assim”, resume ele, que destaca o carinho das crianças por Crô e afirma também nunca ter tido nenhum problema pela homossexualidade do personagem. “Me chamavam de viado, viadinho, mas não sofri preconceito”.

Marcelo Serrado como Crô: sucesso com seus bordões
TV Globo
Marcelo Serrado como Crô: sucesso com seus bordões

Apesar da importância de Crô, o papel que Serrado interpretou na TV logo em seguida mudou um pouco a percepção do público. Trata-se do conquistador Tonico Bastos, de “Gabriela”. “Ele tem um lado irresístivel, andava com o pau na testa. Eu não. Sou mais tímido, mas tenho meu borogodó”, afirma o ator.

Marcelo, aliás, conta que foi mais atrás das mulheres do que elas dele. “Já tomei muito toco na minha vida. Mas a fama mudou um pouco isso. Sempre fui aquele cara que na noite chegava em seis mulheres até acertar uma. Assim a probabilidade de errar é menor”

Mas hoje Marcelo é homem de uma mulher só, a bailarina Roberta Fernandes , com quem tem dois filhos, os gêmeos Felipe e Guilherme , que completaram um mês de idade nessa quinta-feira (09).

Por conta do trabalho, o ator fica um pouco distante das crianças e tem dificuldade para saber saber quem é quem. “Minha mulher me ajuda. ‘Este é o Felipe e este é o Guilherme’. Mas, daqui a pouco, vai ser mais fácil, eles já têm temperamentos diferentes”, diz o pai todo sorridente ao falar dos filhos. “Para mim está sendo difícil... eles precisam de mim e eu deles”, lamenta Marcelo, que é pai também de Catarina, de seu relacionamento com a atriz Rafaela Mandelli .

Aparentemente, no entanto, o trabalho será um rival forte dos meninos. Além das duas peças, das filmagens de “Super Crô” e do programa de rádio do personagem, o ator gravou o piloto de um humorístico de sua autoria para Globo, que, se aprovado, deve ocupar mais um tempo em sua agenda conturbada. 

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