Atriz fala sobre o desafio de interpretar a recatada Doralice, de “Flor do Caribe”, a perda do amor de sua vida e o desejo de adotar uma criança

O estudo faz de você uma pessoa melhor e qualquer diretor vê a diferença de um ator que estuda”.

Com 52 quilos, 90 cm de busto, 95 cm de quadril, muito bem distribuídos em 1m63, Rita Guedes ficou conhecida por interpretar papéis sensuais, que valorizassem seu corpo. Em sua estreia na TV, viveu a ousada Bianca da novela “Despedida de Solteiro”. Fez sucesso no teatro com a espevitada Tati, na peça “Qualquer Gato Vira-Lata tem uma vida sexual mais sadia que a nossa”. E habitou o imaginário masculino ao ser capa da Playboy enquanto fazia a sedutora Kátia, mais conhecida como Anja, na novela “Alma Gêmea”.

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Após 20 anos incorporando personagens com esse estereótipo, Rita encara o maior desafio da sua carreira – como a própria define. A atriz está no ar como a recatada cozinheira Doralice, na novela “Flor do Caribe” da TV Globo. “Confesso que quando recebi o convite fiquei em dúvida de como seria a aceitação do público. Eles estão acostumados a me ver como a mulherona sedutora. Nunca duvidei da minha capacidade, mas o trabalho do ator é feito para o público entender. Fico feliz que tenha recebido tantos elogios em tão pouco tempo”, disse a atriz ao iG, no mirante do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro.

Tenho muita vontade de ser mãe e vou ser. Se não conseguir engravidar, adoto”.

Rita não se acha sexy. Diz que nunca pensou nisso. Mas sabe que o temperamento ousado das suas personagens faz com que muitas pessoas achem que ela é assim na vida real. “Não sou nem uma devoradora de homens, nem muito romântica, como a Doralice. Gosto de me apaixonar e de ter alguém para dividir a minha vida. Mas tem de ser alguém que valha a pena porque minha vida é muito boa para ser compartilhada (risos)”.

É por causa da sua independência e por ser seletiva demais que ela acredita estar solteira. “A mulher independente assusta os homens. Alguns ficam olhando de longe, com medo de chegar. Uma vez um amigo me disse que para um homem chegar em mim tinha de ser muito macho porque eles não sabem onde se encaixar devido ao meu jeito, que fala o que pensa. Mas acho que só devo assustar os homens inseguros”, analisa ela.

Rita Guedes
Isabela Kassow
Rita Guedes


História de amor

Em 2009, Rita quase subiu ao altar. Ela ia se casar com o empresário George Mundin , que ela considerava sua alma gêmea. “Nós namorávamos desde os 20 anos entre idas e vindas. Era engraçado porque todos os meus namorados tinham ciúmes dele e as dele também. Não era à toa. Quando nos resolvemos por completo e resolvemos nos casar, ele faleceu”, lembra ela.

George sofria de diabetes e a perda do seu amor fez com que a atriz repensasse toda a sua vida. Foi neste momento que ela começou a ter um desejo latente de ser mãe. “Quando estávamos juntos, tínhamos decidido que íamos ter um filho. Como ele era diabético, coletou sêmen para fazer um tratamento para o filho não nascer com esta doença crônica. Quando ele faleceu, fiquei com vontade de ter um filho dele e, com a aprovação da família dele, tinha decidido continuar nosso plano”, conta ela.

A mulher independente assusta os homens (...),mas acho que só devo assustar os homens inseguros”.

No entanto, quando estava tudo certo para fazer o procedimento, Rita desistiu. “Percebi que seria uma loucura ter um filho desse jeito. Ele ia crescer sem pai. Olhei para mim e achei que tinha de tocar minha vida, já que ele estava em outro plano”, diz. No entanto, o desejo de ter um filho é algo presente em sua vida. “Tenho muita vontade de ser mãe e vou ser. Se não conseguir engravidar, adoto. Tenho vários casos de adoção na minha família e acho um gesto lindo. Na verdade, isso vai acontecer no momento em que me sentir preparada. E não vai demorar muito”, confessa.

Segurança conquistada em Hollywood

Neste período conturbado, Rita estava morando em Los Angeles. Ficou lá por cinco anos estudando interpretação. “Tive acesso aos melhores professores de cinema. Estudei com o Eric Morris , que é o coach do Jack Nicholson ; e com a Margie Haber , que trabalha com a Halle Berry . Fiz um curso de vilã e outro com o Chad McCord , sobre essas comédias rápidas, tipo 'Friends'. E muitos outros. Foi uma experiência enriquecedora, que deu mais segurança ao meu trabalho”.

A atriz acredita que este tempo que ficou fora do País fez com que muita gente mudasse sua opinião sobre ela. “Eu senti um olhar diferente, mudou o jeito que os diretores me olham. O estudo faz de você uma pessoa melhor e qualquer diretor vê a diferença de um ator que estuda”, confessa ela, que também fez um curso de roteiro e já prepara um longa-metragem de sua autoria. “Sempre escrevi, mas tinha vergonha de mostrar meus textos. Quando fiz o curso, meus professores disseram que tinha talento. Comecei a escrever este roteiro quando estava nos Estados Unidos e devo começar a rodá-lo em meados de 2014. Será um thriller, com muito romance e ação, que se passa no Brasil, Estados Unidos e México”.

Gosto de me apaixonar e de ter alguém para dividir a minha vida. Mas tem de ser alguém que valha a pena porque minha vida é muito boa para ser compartilhada".

Enquanto o roteiro não sai do papel, Rita está totalmente focada na Doralice, que promete surpresas até o final da trama. “Ela é uma mulher com muitos segredos. Ninguém sabe quem é o grande amor da vida dela e nem mesmo se ele vai aparecer. E ainda tem esta relação conturbada com os pais, que escolheram salvar a vida dela durante o parto. Com isso, os pais causaram indiretamente a morte do filho. E também a sua suposta esterilidade. Mas eu acredito que, com a medicina avançada, ela ainda deve surpreender”, avisa.

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