Sílvia Pfeifer de volta à TV Globo: "Beleza abre e fecha portas”

Por Luisa Girão , iG Rio de Janeiro |

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Em entrevista exclusiva, a ex-modelo e atriz fala sobre sua volta às novelas, o preconceito que sofreu no início da carreira e o polêmico papel da homossexual Leila em "Torre de Babel"

Sílvia Pfeifer em ensaio para o iG. Foto: Marlon Falcão/ FotoarenaMarta (Sílvia Pfeifer), Ju (Agatha Moreira) e Olavo (Leonardo Franco) na atual temporada de 'Malhação' . Foto: TV Globo/Rafael SorínAcostumada a trabalhar desde a adolescência, Sílvia Pfeifer se viu por quase três anos fora do ar, mesmo sendo contratada da TV Record: 'Não fiquei desesperada' . Foto: Marlon Falcão/ FotoarenaSílvia Pfeifer: 'Queria muito fazer teatro, mas todos os projetos que tentei não aconteceram' . Foto: Marlon Falcão/ FotoarenaSílvia Pfeifer e Christiane Torlone em 'Torre de Babel' (1998). Foto: Divulgação/TV GloboSílvia Pfeifer . Foto: Marlon Falcão/ FotoarenaSílvia Pfeifer . Foto: Marlon Falcão/ FotoarenaSílvia Pfeifer e Marcos Pasquim em cena da novela 'Kubanakan' (2003). Foto: TV Globo / João Miguel JúniorSílvia Pfeifer . Foto: Marlon Falcão/ FotoarenaSílvia Pfeifer . Foto: Marlon Falcão/ FotoarenaSílvia Pfeifer . Foto: Marlon Falcão/ FotoarenaSílvia Pfeifer e Gianne Albertoni num episódio de 'Casos e Acasos' (2008)
. Foto: TV Globo / Rafael FrançaSílvia Pfeifer . Foto: Marlon Falcão/ Fotoarena

Desde que começou sua carreira como modelo aos 19 anos, Sílvia Pfeifer teve uma trajetória invejável. Desfilou para grandes nomes como Giorgio Armani, Christian Dior e Chanel. Foi capa de inúmeras revistas nacionais e internacionais. Em 1990, estreou na TV, protagonizando a minissérie "Boca do Lixo", da TV Globo. "No início sofri preconceito pela beleza. É um atributo que abre portas, mas fecha várias também", diz a atriz.

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Na Record, se você não estiver numa novela, não se tem o que fazer. Na Globo, a gente pode fazer uma participação nos programas e seriados”

De lá para cá, foram quase 30 personagens em novelas e séries. Mas, nos últimos anos, Sílvia teve que aprender a lidar com certo incômodo. Acostumada a trabalhar desde a adolescência, ela se viu por quase três anos fora do ar, mesmo sendo contratada da TV Record. "Não fiquei desesperada porque lido um pouco melhor com isso do que a maioria das pessoas. Mas deu uma angústia. Eu tinha uma inquietação interna", confessa ela, que está de volta à TV Globo, no elenco de "Malhação".

Neste período fora das telas, Sílvia escolheu um caminho inusitado para passar o tempo: o da culinária. Fazendo sucesso entre amigas, a atriz aproveitou o tempo livre para fazer e vender brownies de chocolate. "Ir para a cozinha era uma espécie de terapia. Quando batia aquela angústia, de nada acontecer, fazia um doce. A cozinha é uma alquimia".

Estava sentindo falta de trabalhar, tinha uma inquietação interna. Pô, trabalho desde os 19!”, sobre os anos fora do ar

Em entrevista exclusiva ao iG Gente, Silvia Pfeifer falou sobre o hiato na carreira, o polêmico papel da homossexual Leila na novela "Torre de Babel" e como chegou tão bonita aos 55 anos." Acho que temos de tirar os excessos, mas ruga tem um lado bom, é um charme. Acho ruga bonito", afirma. Confira abaixo a entrevista com a atriz:

iG: Após 17 anos, você está de volta ao elenco de "Malhação". No entanto, alguns atores têm preconceitos com o folhetim por se tratar de um horário vespertino e um lançador de carreiras. O que acha disso?
Sílvia Pfeifer: A Juliana Martins, protagonista da primeira temporada, diz que é muito feliz por ter participado de um produto que deu tão certo. E eu concordo plenamente. São quase duas décadas e a probabilidade de ficar mais alguns anos no ar é alta. A novela formou gerações! Estar voltando para a Globo e fazer, novamente, "Malhação" tem um significado especial para mim. É como se fosse um novo início, tem um frescor.

iG: Você foi contratada da Record por três anos, mas só fez uma novela. Ficou com alguma mágoa da emissora?
Sílvia Pfeifer: Não, imagina. Eu entrei para fazer “Bela, a Feia” e fiquei sem trabalho lá durante 2010 e 2011 por ter menos produtos. Parece que eu ia entrar nesta novela que está no ar, "Balacobaco", mas como meu contrato estava acabando optei por não renovar. Queria muito fazer teatro, mas todos os projetos que tentei não aconteceram. Aí, a Globo me chamou para voltar para "Malhação".

Me vejo melhor com 55 do que aos 20, quando era modelo e tinha uma pressão grande. Cheguei com 55 anos muito bem, graças a uma preocupação natural com a alimentação e, claro, à genética”

iG: Teve medo de não ser chamada para novos papéis?
Sílvia Pfeifer: Receio de não trabalhar, claro que se tem. Na Record, se você não estiver numa novela, não se tem o que fazer. Então, deu uma angústia. Na Globo, a gente pode fazer uma participação nos programas e seriados. Não fiquei desesperada porque eu lido um pouco melhor com isso do que a maioria das pessoas. Mas estava sentindo falta de trabalhar, tinha uma inquietação interna. Pô, trabalho desde os 19!

iG: Enquanto você estava fora do ar, apareceram notícias de que você estaria fazendo brownies e bolos para vender...
Sílvia Pfeifer: É, eu faço um brownie muito bom, receita de família (risos). Tenho uma mão boa para doce, apesar de comer pouco. Aí, comecei a fazer a receita e meus amigos pediram para eu fazer para eles. Brincavam: "Ah, já que você está com tempo livre, faz para mim". E eu fui fazendo. Nesse período em que estava sem trabalhar, ir para cozinha era uma espécie de terapia. Quando batia aquela angústia, de nada acontecer, fazia um doce e me fazia bem. A cozinha é uma alquimia.

iG: Ficou chateada com as matérias?
Sílvia Pfeifer: Não. Até porque, se eu tiver tempo e disponibilidade, gostaria de fazer os brownies e bolos comercialmente. Acho que ninguém faz uma coisa só.

iG: Você está com 55 anos. Está feliz com a sua aparência?
Sílvia Pfeifer: A gente sempre tem algo para reclamar. Mas, sinceramente, me vejo melhor com 55 do que aos 20, quando era modelo e tinha uma pressão grande. Cheguei com 55 anos muito bem, graças a uma preocupação natural com a alimentação e, claro, à genética - meus pais não aparentam a idade que têm. Mas eu tenho problemas... A pele não é a mesma, tudo cai mais rápido... Mas a gente acaba se exigindo menos.

Faço um brownie muito bom, receita de família. Aí, comecei a fazer a receita e meus amigos pediram para eu fazer para eles. Brincavam: "Ah, já que você está com tempo livre, faz para mim”

iG: Passou por algum tipo de crise?
Sílvia Pfeifer: Minha primeira crise foi aos 37, quando me olhei no espelho e comecei a descobrir as rugas. Mas aprendi a gostar delas. Atualmente, a minha crise é maior pelo que ainda dá tempo de fazer. Por exemplo, não dá mais para ser bailarina, nem médica (risos). Tem certas coisas que o tempo coloca limite. Mas, agora com os meus filhos saindo de casa, acho que tenho me questionado muito sobre esse novo momento da vida.

iG: Você falou que as rugas te incomodaram. O que acha dos procedimentos estéticos para rejuvenescer?
Sílvia Pfeifer: Já fiz um leve botox e preenchimento, mas foi de uma forma bem sutil. Faz tempo que não faço, mais de um ano. O problema é que a maioria das pessoas está perdendo a mão. As sobrancelhas ficam lá em cima, a boca inchada, o rosto perde a expressão. Ninguém mais franze nada. Acho que temos de tirar os excessos, mas ruga tem um lado bom, é um charme. É bonito! Estou com 55 anos, sendo mãe de um menino de 20, como não posso ter ruga? Vou competir com a filha?

iG: Já sofreu preconceito pela beleza?
Sílvia Pfeifer: Sofri. Beleza abre portas, mas fecha algumas também. Tem vezes em que a beleza pode dificultar. Eu recebi muitas críticas porque recebi oportunidades muito boas - em meu primeiro papel, fui logo protagonizar a minissérie "Boca do Lixo". Mas assim como me foi dado, fui cobrada. Sendo protagonista, existia uma expectativa enorme. Acho que fui bem, na medida da minha inexperiência, poderia ter feito melhor se eu tivesse me preparado mais, tido mais tempo para aulas. Mas esse é o preço que se paga. Não me arrependo em nenhum momento. Se fosse só pela beleza, eu não vingaria como atriz.

A Leila e a Rafaela não foram as primeiras lésbicas na teledramaturgia, mas mesmo assim foi um choque. As pessoas comentavam, a Igreja não gostou. Perdi contratos publicitários, que fazia há anos”

iG: Um dos seus personagens mais polêmicos foi a homossexual Leila da novela "Torre de Babel”. Tiveram até que encurtar a participação dela na novela...
Silvia Pfeifer: A Leila e a Rafaela, vivida por Cristiane Torloni, não foram as primeiras lésbicas na teledramaturgia, mas mesmo assim foi um choque. Nunca havia sido mostrada uma relação tão rasgada. As pessoas comentavam, a Igreja não gostou. Tiveram de mudar a trama e algumas coisas que estavam programadas não foram para o ar. Perdi contratos publicitários, que fazia há anos, pelo papel. A empresa não queria associar a sua imagem ao personagem.

iG: Acha que a sociedade está mais preparada agora, já que toda novela tem um personagem gay?
Sílvia Pfeifer: Sim, mas ainda há um longo caminho a ser feito. Até legalmente, com o direito a casamento, adoção, etc. A TV tem de falar e tratar do assunto, mas não dá para fazer um aprofundamento tão grande em certas questões porque estamos falando de novela, que tem uma história e vários personagens. Também tem a questão do horário. Mas até na Malhação, que é uma novela jovem, tem um menino que está em dúvida sobre sua sexualidade. O interessante é que a homossexualidade pode aparecer em qualquer momento da sua vida.

Minha crise é maior pelo que ainda dá tempo de fazer. Não dá mais para ser bailarina, nem médica. Tem certas coisas que o tempo coloca limite. Mas, agora com os meus filhos saindo de casa, acho que tenho me questionado muito sobre esse novo momento da vida”

iG: Como assim?
Sílvia Pfeifer: Pode ser quando criança, com algumas brincadeiras, ou na adolescência, que é a fase dos descobrimentos, e pode vir quando já se é adulto. Li um livro em que um cara, com 70, se descobre. É interessante, é você questionar a possibilidade de em algum momento se permitir e descobrir isso. Nunca passei por esse dilema porque sempre fui feliz e apaixonada pelo meu marido, mas não tem de ter preconceitos. O importante é ser feliz.

iG: Esta temporada de "Malhação" acaba daqui há alguns meses. Está com algum outro projeto?
Sílvia Pfeifer: Bom, eu adoraria voltar a fazer teatro e ainda tem quase quatro meses para aparecer algum outro papel. Se não aparecer, tenho o meu brownie (risos).

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