A atriz, em cartaz na peça “Divórcio”, fala sobre o marido ator, os filhos gêmeos e as mudanças físicas que já fez pelos personagens

Uma modelo e um jogador de futebol estão em processo de divórcio. Do lado dela, o advogado Jurandir tenta a todo custo conseguir a melhor negociação. Brigando pelos direitos dele está a advogada Cecília. Detalhe: Jurandir e Cecília – ou Jura e Ciça, como costumavam se chamar - foram casados no passado, e terminaram o casamento pelos mesmos motivos que estão levando seus clientes à separação. É desse ponto de partida que segue a comédia “Divórcio”, em cartaz no Teatro Raul Cortez, em São Paulo.

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Suzy Rêgo é Cecília, que deixou Jurandir, seu amor de faculdade, porque este queria muito ser pai, enquanto ela não queria ter filhos. Seu argumento principal: “Ter filhos engorda!” Na vida real, Suzy foi mãe tarde, aos 42 anos, mas em compensação teve logo dois: Massimo e Marco , de 3 anos, seus filhos com o também ator e mímico Fernando Vieira . Para voltar à forma depois da gravidez, se uniu ao Vigilantes do Peso, com tal sucesso que virou garota-propaganda do programa.

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Meu marido agora está com uma loira em casa. Ele me chama de Doris Giesse

Em 2011, abandonou a dieta para viver uma gordinha na novela “Morde & Assopra”, e ganhou de volta os quilinhos que tinha sofrido para perder. Como se vê, o look platinado de “Divórcio” não foi a primeira mudança física que Suzy enfrentou por um personagem. Para fazer a peça “Sauna”, em 1991, raspou a cabeça. Ela confessa que usa seus papéis como álibis para mudar o visual. “Estar disposto a mudar expande nossas possibilidades de trabalho, isso é ótimo”, diz ela, em conversa com o iG em seu camarim, momentos antes de entrar em cena. Leia a entrevista:

iG: O que mudou na sua vida quando ficou loira?
Suzy Rêgo: A cor muda mais para quem me vê, eu me vejo pouco. Bastante prático é o corte bem curtinho, é confortável e simples de lidar. Percebi que atraio mais olhares, e quando me olho no espelho ainda me surpreendo. Como foi feito exatamente para essa personagem, que é moderna e arrojada, acho que tem tudo a ver com ela. Convivo com a rejeição na minha casa, porque os gêmeos e o Fernando (Vieira) não gostaram. Adoram a ‘morenice’ e a brasilidade. Mas o Fernando, que também é ator, compreende que é trabalho e vai ser temporário. Está bem agradável e divertido. Principalmente aqui no teatro é bem impactante. 

Suzy Rego
André Giorgi
Suzy Rego


iG: Você se sentiu mais sensual depois da mudança?
Suzy Rêgo: Não fico me olhando muito no espelho, como eu falei, mas é bem diferente. Gosto de usar cabelo curto justamente para facilitar a vida, é só mexer com a mão e pronto. Mas eu acho um cabelo longo muito mais sensual. Meu marido agora está com uma loira em casa. Ele me chama de Doris Giesse .

Não teria grandes problemas em mudar a cor do cabelo, raspar a cabeça, usar dreads. O que eu não acho legal é o despropósito

iG: Tem alguma coisa que não faria por um personagem?
Suzy Rêgo: Acho que nós artistas somos bem generosos em relação a essas mudanças. São divertidas, trazem outras possibilidades. Claro que há limites. Apesar de achar a arte linda, talvez eu não fizesse uma tatuagem definitiva. E hoje nem é mais necessário. Em termos de peso, se atender ao personagem e se puder ter um acompanhamento criterioso, eu não teria problema algum em ficar pesando bem menos ou bem mais. Não teria grandes problemas em mudar a cor do cabelo, raspar a cabeça, usar dreads. O que eu não acho legal é o despropósito, uma mudança sem um propósito nítido e claro. Muitas vezes um autor que não me veria loira e com cabelo curto, ou mesmo achasse que eu não toparia fazer, enxerga uma possibilidade de eu fazer um personagem.

iG: Com essas transformações você satisfaz alguns de seus próprios desejos?
Suzy Rêgo: Eu gosto muito de mudar. Usei cabelo longo durante muito tempo, pois atendia muitos aos trabalhos que eu fazia. Por exemplo, fiz uma novela de época em que eu era a única que não precisou usar aplique, eu tinha o cabelo próprio para fazer aquilo. Em trabalhos publicitários também ajudava bastante. Quando decidi mudar um pouco, pensei que poderia favorecer outros tipos de trabalho e personagens. Em 1991, usei máquina dois para fazer a peça “Sauna”, foi maravilhoso. Pensei: ‘Que legal, tenho orelha’.

Suzy Rego
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Suzy Rego


iG: Ouviu comentários maldosos quando estava acima do peso?
Suzy Rêgo: As perguntas que vinham para mim, por estar acima do peso, eram sempre em relação à tristeza, à frustração. Eu dizia: ‘O momento do meu sobrepeso se explica, e existe algo muito superior em relação a isso. Eu engravidei de gêmeos e não responsabilizo meus filhos por isso, não. Eles nasceram até bem magrinhos’. Depois foi um desleixo meu, mas a minha felicidade naquela época e até hoje é tão grande que emagrecer não era uma prioridade. Passei um período pequeno acima do peso, mas as pessoas te julgam o tempo inteiro. Elas acreditam que você tenha algum problema. Não é porque você relaxou e comeu muito. ‘Coitada! Olha o que aconteceu!’ Além disso, as pessoas passam a reparar no que as pessoas acima do peso comem.

iG: Quando percebeu que precisava emagrecer?

Suzy Rêgo: Quando começou a me incomodar muito fisicamente, comecei a sentir dor nas costas, nos ombros, nas pernas, dor física e desconforto. Isso não pode ser só ferrugem de não treinar. Foi quando percebi que era sobrepeso. Meu corpo estava pesado e me avisando que não estava legal. Usava um salto em cena e logo ficava louca para tirar. Eu, que sempre fui muito dinâmica, perguntava: ‘Vou ter que ir até lá?’ Você quer deixar a malhação para amanhã, e pensa: ‘Só hoje, só hoje, só hoje’.

Quando eu estive num tamanho maior, não foi bom para a minha saúde. Não aguentar dançar duas músicas é um pouco frustrante

iG: E então?
Suzy Rêgo: Entendi que estar acima do peso começa a trazer muitos malefícios.Quando eu estive num tamanho maior, não foi bom para a minha saúde. Não aguentar dançar duas músicas é um pouco frustrante. Não era o que eu quero para mim, tenho filhos pequenos, quero continuar dando cambalhota, correr, sentar com eles no chão, ir ao parque e nadar junto. Eles têm muita energia e esta energia também me estimula. Foi aí que procurei o ‘Vigilantes do Peso’. No ‘Vigilantes’, percebi que tinha uma série de dúvidas e mitos. Achava que a pessoa tinha que se pesar na frente de todo mundo, e que eles iriam aplaudir ou vaiar. Eram umas loucuras, não é nada disso.

iG: Como se enxerga?
Suzy Rêgo: É preciso achar beleza em si, beleza de felicidade. Eu me enxergo feliz, segura, confortável. Diminuí bastante, mas ainda quero diminuir mais. Quero voltar a usar 42, aqueles jeans que eu comprava do tabuleiro do mercado, sem experimentar. ‘Que beleza, estar magra, estar isso, aquilo’, não! Eu quero poder colocar um biquíni para brincar com as crianças na piscina sem ficar pensando: ‘Ai meu Deus, essa banha! Olha o peito!’ Quero essa liberdade de estar bem, de me sentir bem. Só de ter diminuído dois manequins e colocar o figurino da peça é outra coisa!

Eu sou a presidente do meu fã clube, procuro estar sempre de bem comigo. Se estiver atravessando uma época que não é ideal para mim, sou a primeira a me dar a mão

iG: Sua personagem está à vontade com a silhueta dela? E você? (Nesse momento, a atriz Nathália Rodrigues, que faz a modelo, Brunna Praddo, entra no camarim para se arrumar).
Suzy Rêgo: A minha personagem está muito satisfeita. Ela gosta de ser um ‘murelhão’, uma mulher exuberante, de formas generosas. Eu não, eu não! Eu, como a grande maioria das mulheres, quer ser igual a Nathália (diz ela, apontando para a colega de elenco), que tem atividades físicas frequentes, é exemplar. Ela é super jovem e poderia não estar nem aí! Mas ela se cuida e está sempre dando uma orientação para nós. Além de dividir excelentes hábitos, não fica se gabando de jeito algum de ser essa hecatombe de beleza e de boa forma!

Suzy Rego e Nathália Rodrigues atuam juntas na peça e dividem o mesmo camarim
André Giorgi
Suzy Rego e Nathália Rodrigues atuam juntas na peça e dividem o mesmo camarim


Nathália, capa da Playboy em agosto de 2012, rebate: Eu não tive gêmeos, meu amor! E outra, desde que começamos a ensaiar, você já emagreceu, sem se privar de nada. Você come e bebe o que quiser. É muito mais legal ser assim do que tomar remédio, emagrecer, e depois ficar doida da cabeça.

Suzy retoma a resposta: Eu sou a presidente do meu fã clube, procuro estar sempre de bem comigo. Se estiver atravessando uma época que não é ideal para mim, sou a primeira a me dar a mão. Eu não vou levantar a bandeira de plus size, não vou porque isso é transitório e só posso falar por mim. Quando eu estive num tamanho maior, não foi bom para a minha saúde. Algumas amigas minhas são 46, 48, 50, e se adoram. Eu duvido um pouco, por conta da saúde. Não aguentar dançar duas músicas é um pouco frustrante.

iG: Qual a sua meta?
Suzy Rêgo: A minha meta é ainda mudar muitos hábitos, mas a longo prazo. Eu vou diminuindo devagarinho, não faço alarde disso. Estou começando a correr, bem devagar, e estou super contente. Só o fato de eu fazer essa peça, terminar feliz da vida, sem ficar cansada. E às vezes depois do banho pensar que eu ainda faria outra seção, se fosse necessário, já é maravilhoso. Chego em casa às 23h30 e ainda vou fazer o almoço do dia seguinte. É isso que eu quero, e não necessariamente saber se peso 50, 70 ou 80. É qualidade de vida.

iG: Como se apropriou do tema da peça, uma separação litigiosa?
Suzy Rêgo: Fui casada há um bom tempo (com o apresentador  César de Castro ) e me divorciei. Agora, meu ex-marido é tão formidável, tão maravilhoso, que quando vou responder se eu me divorciei, às vezes não lembro. Porque foi muito legal, muito civilizado e amigável. Foi uma pena, chegamos à conclusão de que a gente tinha de desfazer aquele nosso contrato por uma série de razões. Então a minha lembrança de divórcio é muito salutar. Claro, já tive separações traumáticas que tive que deletar, enfim...

iG: Mas o texto fala de uma separação litigiosa, não?
Suzy Rêgo: O que é mais atraente no texto do Franz ( Keppler ) é que ele tem o tempo inteiro material de pesquisa. Tem sempre alguém perto de nós que conta uma história parecida ou ainda pior do que a que nós contamos. De divórcios midiáticos, de divórcios de grandes escritórios, que são até mais estelares do que os dos clientes. De brigas tão grandes! As pessoas divergem porque um quer ter filho, o outro não, ou porque um pratica um tipo de esporte de que o outro não gosta. Ou porque tem um trabalho que obriga a viajar e não dá. Ou porque ficam muito juntos, se amam, mas não se entendem.

Para um casamento dar certo, eu penso sempre que se deveria fazer uma experiência. Mesmo estando apaixonada, querendo grudar nessa pessoa

iG: Fale um pouco do seu casamento com o Fernando Vieira.
Suzy Rêgo: O que eu posso dizer da minha experiência é que foi assim: sempre tivemos uma conversa muito franca, até nas coisas mais delicadas de dizer em relação ao outro. Tudo na vida tem que ser assim. Seja com amigo, sócio, família, a convivência nunca é simples. Somos pessoas com diferentes características. Para um casamento dar certo, eu penso sempre que se deveria fazer uma experiência. Mesmo estando apaixonada, querendo grudar nessa pessoa. Passado certo tempo, surge a certeza: ‘Pois é, poderíamos ficar juntos, mas não no mesmo espaço’. Tem que avaliar mesmo, viajar bastante junto, um ir à programação do outro, conhecer as famílias. Até para falar: ‘Nãoooo, é encrenca, mas eu gosto.’ Tem muita coisa que não é conversada e vai na avalanche das paixões, no entusiasmo, e quando se vê: ‘Meu Deus, eu sou apaixonada por alguém que eu não conheço’.

Suzy Rego
André Giorgi
Suzy Rego


iG: Você foi mãe em uma fase mais madura, e agora, com dois meninos, deve ser a rainha da casa. Estou certa?
Suzy Rêgo: É engraçado, eu me sinto assim mesmo, porque convivo com três rapazes: Marco, Massimo e Fernando. Essa experiência foi ma-ra-vi-lho-sa! Eu recomendo para todo mundo, é bom demais. Esse momento em que eu e Fernando paramos para ter filhos foi abençoado porque os dois sempre quiseram isso. Foi assim: ‘Vamos planejar? Vamos ser chatinhos? Vamos!’ Eles vieram exatamente em um momento em que estávamos em condições físicas, emocionais, afetivas, psicológicas, financeiras, culturais. Então, nós somos dois pais ´véios’: uma quarentona e um cinquentão. Hoje em dia eu digo para o Fernando: ‘Escuta, vai para um boteco, larga ‘nóis’ aqui. Vai se divertir com seus amigos.’ Ele diz: ‘Eu vou e vou voltar às seis da manhã!’. Meia noite e meia ele volta: ‘Chego lá, não paro de pensar em vocês, não acho a menor graça’. O legal, eu acho, é tentar planejar.

Lá em casa temos esse exercício de brincar muito, fazer piada. É sempre muita palhaçada, gargalhada, brincadeira, os meninos são assim naturalmente

iG: Como são os seus meninos?
Suzy Rêgo: Meus filhos me ensinam muito, diariamente. Falei para o Otávio Martins (o diretor da peça): ‘Trouxe muita coisa de casa, vendo os meninos, que são despudorados. A grande alegria deles é ser o que são. E um é completamente diferente do outro: um é fanfarrão, outro extremamente charmoso. Marco é cachorrinho, Massimo o gatinho. Igual a um gato, o carinho é quando ele quer. Marquinho pula: ‘Olha pra mim!’. São dois leoninos, super solares, parceiros, têm o mundinho deles. É muito engraçado, são extremamente expansivos, mas quando eu começo a cantar, é: “Não canta, não dança!” Têm três anos e meio e são assim autoritários!

iG: Você é engraçada, e seu marido é mímico. Como é a sua casa? Um circo?
Suzy Rêgo: É sim! Lá em casa temos esse exercício de brincar muito, fazer piada e rir das coisas que acontecem. Eu gosto muito da ‘Supernanny’, porque ela tem essa escola do elogio. A reprimenda acontece, mas o outro lado também. É sempre muita palhaçada, gargalhada, brincadeira, os meninos são assim naturalmente. A felicidade deles é tão simples e tão legal, que também, quando não querem alguma coisa, eles são honestos e estão nos fazendo seres humanos bem melhores. Dia 21 de fevereiro, o Fernando vai estrear o ‘Mágico de Oz’. Então a minha casa, além de virar uma praça de ensaio de textos da peça comigo, agora virou também uma sala de musical, onde se canta o dia inteiro. Então tem sido um palco lá em casa! (risos)

Suzy Rego
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