Apresentadora estreia a quarta temporada do programa “Chegadas e Partidas” e fala sobre a evolução de seu tratamento contra o Lúpus, a paixão pelo filho e a perda de Hebe Camargo

No comando da quarta temporada de “Chegadas e Partidas”, que estreou nessa quarta-feira (17) no canal pago GNT, Astrid Fontenelle faz um balanço do trabalho que lhe rendeu o trofeu de melhor programa de 2011, no Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). A apresentadora, que luta contra o Lúpus diz que se surpreende com uma Astrid mais durona que surgiu após o diagnóstico, em janeiro deste ano. “Eu fiquei menos emotiva depois da doença. Para me fazer chorar hoje tem que ser boa a história, mas boa mesmo”, diz, aos risos.

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Em meio a tantas histórias de despedidas nos aeroportos, Astrid conta que não faltam casais de amantes pedindo para não serem filmados. “Sempre tem aquela pessoa que não quer gravar, aquela mulher que fala: ‘Não me filma porque ele não é meu marido’”, diverte-se

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No bate-papo ela disse ainda que o melhor remédio para seu tratamento não é comprado na farmácia, e sim, o filho Gabriel , e que para ela, Hebe Camargo ainda está presente....

iG: Já terminaram as gravações desta quarta temporada?
Astrid Fontenelle: Cada temporada a gente leva uns quatro meses de gravações. Eu acabo de gravar esta em novembro. Ela entra no ar e eu ainda estou gravando, o que é bom, porque eu vendo o resultado vai me animando para gravar.

iG: Como você faz para se reinventar, se motivar, se surpreender a cada nova temporada?
Astrid Fontenelle: Eu achava que não conseguiria fazer. Eu chorava com aquelas histórias e mesmo tendo experiência com o ao vivo, já ter feitos programas de diversos formatos, disse que aquele ali eu não conseguir. A resposta que eu tive dessa minha recusa foique eles me queriam   exatamente por eu ter esse tipo de reação, ser uma ariana emocional. Os americanos, do projeto original, têm histórias maravilhosas para contar, um formato muito bom, mas o apresentador fica ali, sem se emocionar, sem se envolver com aquela história.

iG: Você esperava receber o prêmio de melhor programa, que recebeu em março deste ano?
Astrid Fontenelle: Foi a primeira vez na minha carreira que eu senti que um prêmio era de todas aquelas pessoas. Que não era meu; era do câmera, do diretor de fotografia, que é sensacional, de toda uma equipe. Eu adoro porque o mais gostoso é que não depende só da gente, depende de histórias boas que as pessoas carregam com elas.

iG: Já passou alguma saia-justa durante as gravações?
Astrid Fontenelle: Olha, saia-justa não, mas sempre tem aquela pessoa que não quer gravar, ou então aquela mulher, ou homem, que te fala: ‘Não me filma porque ele não é meu marido, ou esposa’. No aeroporto tem muitos amantes. Tem também aquele jovem, que está ali meio que sem ninguém saber e não quer falar porque a família não sabe que ele é gay. Eu me divirto e tiro de letra, porque eu confio na minha equipe, na minha índole de não violar aquelas pessoas.

iG: Como foi voltar a gravar depois que descobriu a doença? Qual a diferença do começo do tratamento e agora?
Astrid Fontenelle: No começo, no primeiro estágio, eu tinha um necessidade louca de voltar a gravar para não ficar em casa, não ficar sem fazer nada, principalmente não deixar me abater, e claro, porque financeiramente eu precisava trabalhar. Então, passei por cima de tudo e fui inchada mesmo, gravei quase tudo com peruca, aplique, como profissional mesmo. Nesse primeiro momento foi importante para mim ir trabalhar. Agora, já estou em outra fase. Hoje, eu já me vejo bem mais saudável. Por outro lado, fiquei menos emotiva depois da doença. Pra me fazer chorar hoje tem que ser boa a história, mas boa mesmo.

iG: Alguma história em especial?
Astrid Fontenelle: Em geral os casos que mais me fazem ficar emocionadas são os casos de mãe e filho se despedindo. É uma bobagem, mas por eu ser mãe tem me deixado emocionada ver esses momentos de despedidas de mãe e filho, ter as mães me falando que valeu tudo que fizeram por seus filhos.

iG: O carinho e o assédio aumentaram?
Astrid Fontenelle: Toda hora vem alguém dizer que está rezando muito por mim, me entregar um santinho, me dar carinho mesmo. É muito gostoso.

iG: Você diminuiu seu ritmo de gravações por conta do tratamento. Em algum momento você se sentiu impotente, incapaz, já que sempre foi uma pessoa ativa e elétrica?
Astrid Fontenelle: Em nenhum momento, viu? Hoje, na verdade, eu tenho que fazer o caminho inverso. Eu tenho que me controlar para não extrapolar essa minha eletricidade toda, essa atividade dentro de mim, porque eu não posso. A cortisona dá uma acelerada e eu não tenho o sono que muita gente tem, então, eu preciso me controlar, me segurar, porque se me deixarem, eu viro a noite ali.

iG: O seu filho Gabriel entende pelo o que está passando? Como ele vê tudo isso?
Astrid Fontenelle: O Gabriel é meu maior remédio. Eu tenho que acreditar e me cuidar com os medicamentos, com minha fé, mas ele é minha maior cura, o grande amor da minha vida. E é por ele que eu me cuido, mas me cuido mesmo, para poder ter todos os finais de semana 100% eu e ele brincando, indo ao shopping, fazendo tudo que ele tem vontade.

iG: Ainda tem o desejo de adotar um segundo filho?
Astrid Fontenelle: Tenho sim, mas ainda não comecei a fazer nada. Acho que mais que o desejo de ter outro filho, tenho de ter uma companhia para o Gabriel. Eu sei que não vou estar presente em todos os momentos e não quero que ele passe o que eu passei, por exemplo, com a morte da minha mãe, e não ter um irmão pra dividir a dor, as responsabilidades, as decisões que precisam ser tomada naquele momento, que é muito triste, barra pesada. Eu vejo muito isso nos aeroportos, essas relações de irmãos se despedindo, irmãos amigos mesmo, companheiros. Eu quero isso pra ele, mas ainda é só um desejo. Eu ainda não estou em condições de adotar outro filho.

iG: Você chegou a procurar algum tratamento místico, como cirurgia espiritual?
Astrid Fontenelle: Não. Eu confio na minha fé. Eu rezo todos os dias, eu vou à missa, eu tenho uma corrente nas redes sociais de orações que se chama “Ave Maria”, então pra mim é isso que importa.

iG: Você era muito amiga da Hebe Camargo, que morreu no fim de setembro. O que mais você sente falta dela?
Astrid Fontenelle: Na verdade, eu ainda não sinto falta porque pra mim ela ainda está presente. Como eu não a via todos os dias, era mais comedida, ela quem me ligava mais, então, pra mim ela ainda está ali na casinha dela. Ela certamente já teria me ligado depois da estreia para dizer se tinha gostado do meu cabelo curtinho na televisão, se prefere mais compridinho, como está hoje.

iG: O que apredendeu com a Hebe?
Astrid Fontenelle: Fazer televisão com amor e respeito, com dignidade. Eu reforço que ainda tenho muito que comer arroz e feijão pra chegar aos pés dela.

Rapidinhas:

iG: Uma chegada...
Astrid Fontenelle: A melhor é a chegada do Gabriel na minha vida. Chegada da vida.

iG: Uma partida...
Astrid Fontenelle: A da minha mãe. Foi muito dura pra mim.

iG: Na bagagem hoje você leva...
Astrid Fontenelle: Tudo necessário caso a companhia extravie minhas coisas

iG: O que deixou de levar na bagagem?
Astrid Fontenelle: Roupa branca para a Bahia. Já tenho um guarda-roupa cheinho lá.

iG: Você vive na ponte-aérea para...
Astrid Fontenelle: Salvador.

iG: Um pessoa sem fé, é uma pessoa sem...
Astrid Fontenelle: Foco

iG: O que mais tem no aeroporto?
Astrid Fontenelle: Histórias boas para contar


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