Helô Pinheiro, musa inspiradora de Tom Jobim e Vinicius de Moares, fala sobre o que foi sucesso 50 anos atrás

Helô Pinheiro, aos 17 anos, na praia de Ipanema: biquini, toalha e chapéu de palha
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Helô Pinheiro, aos 17 anos, na praia de Ipanema: biquini, toalha e chapéu de palha


Elas não costumavam fazer unha, usavam o mesmo perfume das mães, dobravam a calça jeans na altura da canela e se refrescavam com sorvete Chicabon de chocolate. A pedido da reportagem do iG , a empresária Helô Pinheiro, que está lançando o livro “A eterna Garota de Ipanema” (editora Eleph), relembra o que foi tendência e moda nos anos sessenta entre as jovens da zona sul carioca. Ou, mais precisamente, em 1962, quando Tom Jobim e Vinicius de Moraes lançaram a música que se tornaria, mais tarde, a segunda mais tocada no mundo.

Helô Pinheiro, a eterna
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Helô Pinheiro, a eterna "Garota de Ipanema"

Trecho da praia: “Posto 9 de Ipanema, bem em frente à Farme de Amoedo. Só nos últimos anos é que aquele trecho da praia virou point gay. Nos anos 60, a gente ficava por ali, nas paqueras. A turma que ficava no final da faixa de areia, nas pedras do Arpoador, era de meninas mais atiradas, menos comportadas. A turma de gente legal e bacana era do posto 9”.

O que calçavam:  “A gente mandava fazer umas sandálias bem rústicas e estilosas num sapateiro no Humaitá, em Botafogo. Eu tinha uma de cada cor. Eram de camurça e o cordão amarrava na canela. Hoje não teria coragem de usar aquilo. Mas eram bem confortáveis”.

O que vestiam:  “Calça Levi’s era a maior moda. A gente dobrava a barra da calça para vestir estilo ‘pula-brejo’. Camisetas eram de manga longa, não gostava de camisetas. Nunca gostei de boné. Mas adorava usar chapéu de palha de aba pequena. Nas festas mais charmosas, tipo as do Jockey Club, usava chapéus maiores”.

Sorvete:  “Quando estava na praia, ficava andando de bicicleta com as amigas da orla. Brincávamos de torneio, de corrida. Quem vencesse ganhava um picolé do sorveteiro da Kibon, que ficava parado no final do Arpoador. O melhor sorvete era sempre o Chicabon de chocolate”.

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"Sissi, A Imperatriz" (1956), dirigido por Ernst Marischka e estrelado por Romy Schneider

Estilo praia:  “O uso de canga só se popularizou nos anos setenta no Rio. Antes disso, íamos para a praia de shortinho e camisa. O biquíni de duas peças estava em alta. Ainda eram comportados, não como os de hoje em dia. Levava uma toalha nas costas para esticar na areia”.

Esmalte:  “As garotas da praia não faziam unha. Sabe por quê? A gente era muito de praia, ficava na areia jogando vôlei. Eu tinha uma pegada forte, era meio meninão. A raquete estragava qualquer esmalte”.

Bares da moda:  “Todos os que ficavam abertos na Avenida General Osório, em Ipanema. Tinha um que era o meu preferido, o Bofetada, na Rua Farme de Amoedo. Encontrava Leila Diniz direto no Jangada, tinha um ótimo chope por lá. Mas era no Castelinho, onde hoje fica o hotel Arpoador In, no final da orla, que a turma se encontrava no pós-praia. Ali estava a nata da zona sul carioca. E onde havia os melhores sanduíches do Rio”.

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Para dançar:  “Ipanema era repleta de bares, mas não tinha discotecas. Se a gente quisesse esticar a noite, era preciso ir a Copacabana. A Le Bateau era a que eu mais ia. Mas tinha uma no Leblon, o Praia Club, que era ótima também. Inclusive Tom e Vinicius apareceram uma vez por lá e fizeram um show intimista para surpresa geral”.

Perfume:  “Não era muito de usar perfume. Lembro que pegava escondido na prateleira do quarto da minha mãe. Tinha um ótimo, com cheiro de lavanda”.

A atriz Brigitte Bardot foi símbolo de uma época
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A atriz Brigitte Bardot foi símbolo de uma época

Xampu:  “Não era popular usar condicionador. Mas lavava o cabelo com Neutrox, que depois saiu de circulação e voltou como creme de pentear. Hoje em dia é tanta marca de xampu que fico perdida”.

No cinema:  “Dei o primeiro beijo no escurinho do cinema, vendo ‘Sissi, A Imperatriz’. Todas queríamos estar na tela beijando o mocinho, protagonizado por Romy Schneider”.

Ídolos : “Brigitte Bardot, pela beleza, pelo sucesso nos filmes, por tudo... Entre os homens, Paul Newman. Minhas amigas e eu achávamos ele um gato”.

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