Sônia Abrão:  "Foi horrível o que o pessoal do 'Pânico' fez comigo"

Apresentadora fala da polêmica com os humoristas da Band, da briga com Datena, conta o motivo de ter apadrinhado Rafael Ilha e divulga seu novo livro, "Homens que Somem"

Juliana Moraes , especial para o iG Gente |


Essa neurose de puxa aqui, estica ali, coloca bumbum ali, eu não tenho essa neurose. Foda-se, eu quero envelhecer naturalmente.

Na TV ou nos bastidores,  Sonia Abrão  costuma soltar o verbo. Em sua produtora, em São Paulo, onde recebeu a equipe do iG  não foi diferente. Prestes a lançar o livro “Homens que Somem”, a apresentadora do “A Tarde é Sua”, da RedeTV!, começa falando sobre relacionamentos. "Acho um saco você ficar com a mesma pessoa uma vida inteira. Pra mim isso não existe", dispara.

A conversa franca acaba abordando outras polêmicas que acompanharam sua carreira. Desde a mais recente, quando publicou uma ousada foto de maiô no twitter até o caso Lindemberg (em 2008, Lindemberg Fernandes Alves invadiu a casa da ex-namorada, Eloá Cristina Pimentel , de 15 anos, a fez de refém por quatro dias e a matou no final do sequestro).

Sônia conseguiu entrevistar Lindemberg ao vivo no primeiro dia de confinamento, mas a repercussão foi negativa e até Datena a criticou. "Senti como se tivessem me colocado em um paredão e me fuzilado. Foi uma coisa tão impressionante. O que eu fiz demais? Por que eu não falaria com ele? Eu não ia negociar, só ia entrevistar. O problema é que a gente furou os grandes nomes da área policial", avalia.

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Eu sou jornalista, não vou conseguir ficar falando só da novela, só da festa, do artista, do Fashion Week. Eu me mato (risos).

Sônia continuou a falar sobre a concorrência e o jeito que o "Muito Mais", comandado por Adriane Galisteu na Band, chegou ao mercado. "Eu achei muito triste a maneira como eles vieram me agredindo do nada."

André Giorgi
Sônia Abrão


Ela também relembrou a mágoa com os integrantes do "Pânico": Sônia sentiu-se ofendida quando os humoristas fizeram uma brincadeira em que matavam Silvio Santos e enviavam coroas de flores para o apresentador em nome dela. O pai de Sônia Abrão havia morrido poucos dias antes e ela foi ao Twitter pedir, em vão, para que eles parassem de mecioná-la no quadro. "Foi horrível o que o pessoal do 'Pânico' fez comigo. Não falo mais com ninguém." Leia a entrevista a seguir:

Acho que o Datena falou sobre o caso Lindemberg porque não conseguiu fazer no meu lugar. Mas ele não foi o único. Ele veio aqui depois disso e pediu desculpas e nós viramos a página.

iG: Por que escrever um livro sobre os homens que não gostam de compromissos?
Sônia Abrão: Os homens sempre sumiram, é um clássico masculino, assim como a angústia que isso traz para as mulheres. Com a internet, os homens ganharam um recurso muito prático de simplesmente desaparecer sem o olho no olho. O ‘eu não quero mais’ é muito complicado para eles. A mulher encontra o cara na balada e já se imagina casada com ele, aí ele cai fora. Existe uma recusa feminina em aceitar que o sumiço já seja uma resposta. Foi pensando nessa problemática que resolvi escrever esse livro. Antigamente, o cara saía para comprar cigarro e não voltava mais, agora tem a internet.

iG: Acha possível que um relacionamento envolvendo mais de duas pessoas, como é o caso do Cadinho (Alexandre Borges) na novela “Avenida Brasil”, dê certo?
Sônia Abrão: Não acho que tem que ser sempre assim: a dois. É durante um período, depois surge a amante, o agregado... É até meio clichê isso, mas está no DNA do amor a cláusula exclusividade. Não existem coisas eternas. Eu preferiria várias relações monogâmicas. Acho um saco você ficar com a mesma pessoa uma vida inteira. Para mim, isso não existe.

iG: Então você vive os relacionamentos de maneira intensa?
Sônia Abrão: Viver uma relação profundamente com tudo que envolva um relacionamento amoroso de verdade, acho válido. Quando acabou, acabou. Você tem uma história para contar. Ou boa, ou ruim. Pelo menos você viveu isso. Acho que precisa dar um olhar mais arejado para as coisas.

iG: Falando em olhar mais arejado para as coisas, como você encarou a repercussão sobre a foto em que você publicou na internet vestindo maiô?
Sônia Abrão: O que foi aquilo? Teve toda a “trollagem”, mas a repercussão foi muito positiva, porque as pessoas me viam não como mulher, mas como jornalista. Foi muito engraçado, mas também foi a única, um acidente de percurso. 

Foi horrível o que o pessoal do ‘Pânico’fez comigo. Não falo com mais ninguém. Eles tripudiaram sobre a minha dor. Eles não quiseram perder a piada e preferiram perder a amiga.

iG: Já que o retorno foi positivo, você faria algum ensaio sensual?
Sônia Abrão:  Nunca fui um símbolo sensual, nunca faria um ensaio. Aquela foto eu já tinha há uns 3 anos. Uma revista me procurava para fazer uma capa, porque emagreci 16 kg e mantive. Eles queriam mostrar que eu não tinha mudado. E queriam uma foto minha de maiô. E eu falei que não. Fiz a foto em frente ao espelho, olhei, olhei... E publiquei (risos).

André Giorgi
Sônia Abrão


iG: Seu programa ("A Tarde é Sua", da RedeTV!) tem um público fiel. Mesmo assim chegou a ficar preocupada com a estreia do "Muito Mais", apresentado por Adriane Galisteu no mesmo horário na Band?
Sônia Abrão: Não fiquei preocupada. E eu achei muito triste a maneira como eles vieram me agredindo do nada. Eu estava aqui no meu canto e me contavam: ‘olha, falaram isso de você’. E eu me perguntava: ‘Mas por que estão fazendo isso comigo?’. Falavam coisas do tipo: ‘Ai, dinossauro, veterana’, quiseram me colocar apelido, fazer um monte de coisas e fiquei chocada. Nada a ver com ela. Isso eu não acredito. É uma concepção de quem dirige, de quem criou o modelo: ‘olha, vamos acabar com eles que o nosso programa explode’. Mas nunca conseguiram isso.

iG: Recentemente, o "Pânico" fez uma brincadeira com a morte do Silvio Santos e envolveu o seu nome. Você continua tendo um bom relacionamento com eles?
Sônia Abrão: Foi horrível o que o pessoal do "Pânico" fez comigo. Não falo com mais ninguém. Eu amava, conheço o Emílio [Zurita] há mais de 20 anos. Ele era mais amigo do meu marido, eles trabalhavam juntos na Jovem Pan e se estendeu para o casal. Meu filho estuda com o filho dele.  Imagina uma filha do Silvio assistindo uma coisa daquela? Eu estava ainda em carne viva com a morte do meu pai e eles começaram a mandar coroa de flores para o Silvio em meu nome. Eu tinha acabado de sair de uma cena daquelas. Fui ao Twitter e pedi para eles pararem e, em vez deles pararem, eles mandaram mais nove coroas em meu nome. Eles tripudiaram sobre a minha dor. Eles não quiseram perder a piada e preferiram perder a amiga.

iG: Em 2008 você também teve um problema com o Datena no caso Lindemberg. O que você acha que aconteceu na época?
Sônia Abrão: Acho que o Datena falou sobre o caso Lindemberg porque não conseguiu fazer no meu lugar. Mas ele não foi o único. Ele veio aqui depois disso e pediu desculpas e nós viramos a página. Me senti muito mal com o que aconteceu. Todo mundo me julgando. Tinha gente falando que eu era responsável pela morte dela [Eloá]. Uma coisa que aconteceu quase quatro dias depois da entrevista. O mundo caiu na minha cabeça. Senti como se tivessem me colocado em um paredão e me fuzilado. Foi uma coisa tão impressionante. O que eu fiz demais? Por que eu não falaria com ele? Eu não ia negociar, só ia entrevistar. O problema é que a gente furou os grandes nomes da área policial. Mas foi a nossa entrevista, no dia do julgamento, que fez com que os jurados dessem a pena máxima para ele. Fiquei muito orgulhosa, foi um consolo.

Os homens sempre sumiram, é um clássico masculino, assim como a angústia que isso traz para as mulheres. Com a internet, os homens ganharam um recurso muito prático de simplesmente desaparecer sem o olho no olho.

iG: Você acha que sofre algum tipo de perseguição por conta do estilo do programa, que mescla variedades com policial?
Sônia Abrão: Acho que pegam no meu pé porque sou mulher. Por isso chama atenção. Os programas policiais existem, sempre existiram e ninguém nunca falou que eles são sensacionalistas. A gente não faz nada diferente das páginas policiais dos jornais. Mas podem falar, porque não vou mudar o que faço, pois dá resultado. Nós estamos no ar há 12 anos seguidos. Se vocês soubessem o que já pintou de programas nessa faixa de horário e que não duraram nada, já foram e já voltaram. 

iG: E tem vontade de fazer um programa apenas de entretenimento?
Sônia Abrão:  Na primeira fase de “A Casa é Sua” na RedeTV! tinha um equilíbrio muito grande entre o factual e o jornalismo show que é fazer gente, shows, artistas. Também teve a fase de fazer celebridades, mas eu sou jornalista, não vou conseguir ficar falando só da novela, só da festa, do artista, do Fashion Week. Eu me mato (risos).

André Giorgi
Sônia Abrão


iG: Você sente medo de envelhecer na televisão?
Sônia Abrão: TV ainda tem essa doença das pessoas terem uma vaidade incrível. Elas mesmas se colocam num pedestal e acham que o resto é resto. Essa neurose de puxa aqui, estica ali, coloca bumbum ali, eu não tenho essa neurose. Foda-se, eu quero envelhecer naturalmente, se Deus me permitir.

O Rafael Ilha é um excelente profissional, não atrasa, não falta. Vou fazer um filme sobre a história de vida dele, para ele conseguir ganhar um dinheiro com isso também.

iG: Quando o Rafael Ilha (cantor do grupo Polegar, que enfrentou sérios problemas com drogas e chegou a ser preso) mais precisou, você esteve ao lado dele para ajudá-lo. Por que decidiu contratá-lo?
Sônia Abrão: É uma terapia ocupacional. Falamos com o médico dele antes de começar a trabalhar e ele foi liberado. O Rafa passou por todos os estágios. Desde a produção até que achamos que ele estava pronto para ir às matérias (Rafael é repórter do "A Tarde é Sua"). Voltou a ser muito bem recebido, o que foi muito importante terapeuticamente para ele. Casou novamente, refez a vida. Ele faz qualquer tipo de matéria, tem o dom da comunicação nele mesmo. Está aqui com a gente faz três anos. Ele sabe que isso não tem cura, mas nunca mais bobeou com remédios. Ele é um excelente profissional, não atrasa, não falta. Vou fazer um filme sobre a história de vida dele, para ele conseguir ganhar um dinheiro com isso também. Acabei me envolvendo muito com ele, é um menino que eu vi crescer e quero muito bem.

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