O intérprete do jogador de futebol que tem dúvida sobre sua própria sexualidade fala ao iG sobre carreira e o assédio do público feminino e masculino

Ele é campeão brasileiro de kickboxing, mas também toca violino. Gosta de mulheres românticas, mas entende as periguetes. Está no seu primeiro papel na TV, mas faz um dos personagens mais polêmicos da novela. Não é à toa que Daniel Rocha , o Roni de "Avenida Brasil" , é uma das principais revelações da trama.

Com inúmeras facetas, o ator conquistou o público e está tendo a chance de mostrar sua versatilidade mesmo com tão pouca idade – 21 anos. Sabendo da pressão que é estar em horário nobre e com pouca bagagem televisiva, o ator avisa: “Não sou um cara que simplesmente chegou à televisão, sem experiência. Tenho uma história teatral”, diz ele, que passou três anos estudando no CPT, coordenado por Antunes Filho.

No ar como um jogador de futebol que vive um triângulo amoroso com Suelen (Ísis Valverde) e Leandro (Thiago Martins), Daniel Rocha tem deixado o público em dúvida em relação à sexualidade do personagem. Mesmo afirmando não saber se Roni é ou não gay , o ator torce para que o personagem tenha um final feliz com o companheiro de time. “Ator que não gosta de conflito é burro”, afirma. “Todo ator busca um personagem como esse para entender um pouco mais do ser humano. Toparia fazer um beijo gay, tranquilo”, completa.

Em entrevista exclusiva ao iG Gente , no Forte de Copacabana, Daniel Rocha falou sobre carreira, sucesso e assédio que tem sofrido do público feminino – e masculino. “Sempre existem as Suelens, mas os homens querem algo sério com uma menina mais certinha. Sou meio esquisito. Gosto de mulheres que gostem das mesmas coisas que eu. Tipo filme preto-e-branco e de conversar. Sou bem romântico”, falou.

iG: Você foi campeão brasileiro e sul-americano de kickboxing. Por que trocou os tatames pelo palco?
Daniel Rocha: Comecei a fazer teatro na escola com uns oito anos e gostava. Aí, com 12 anos, fui lutar porque era zoado no colégio por ser magrelo e pequeno. Entrei no jiu-jitsu, mas quando fui para o kickboxing, vi que tinha o dom. Paralelamente, com 15 anos, comecei um curso de teatro profissional. E dois anos depois achei que tinha que decidir que direção seguir: atuação ou luta. Optei pelo teatro e sei que fiz certo.

iG: Logo na sua estreia na TV, você faz um personagem polêmico em uma novela das 21h, que é o sonho de muitos atores. Como encarou o desafio?
Daniel Rocha: Não sou um cara que simplesmente chegou à televisão, sem experiência. Tenho uma história teatral com o Antunes Filho. Sabia o que estava fazendo. Claro, estrear numa novela das 21h é uma pressão enorme. No começo, a adaptação do teatro para TV foi difícil e não muito prazerosa. Ficava tenso com tudo. Agora, o processo está mais fácil. O Otávio Augusto, Ísis Valverde e Thiago Martins me ajudaram a me soltar. Agora, já estou à vontade em cena.

iG: Seu personagem é dúbio, ninguém sabe ao certo se ele é ou não homossexual...
Daniel Rocha: O João Emmanuel Carneiro é um autor que não é óbvio. Se o Roni for gay, ele vai soltar numa hora importante da trama. Por enquanto, não vejo nada. Eu o faço como uma pessoa que pode ter atração tanto pelo amigo, quanto pela Suelen. Ainda não deixo explícito. Acho que depois dos anos 70 o pessoal começou a se soltar e começou a desafiar os rótulos impostos. Homem não precisa ser uma coisa, pode ser várias.

Daniel Rocha
Isabela Kassow
Daniel Rocha

iG: Mas qual é a sua torcida?
Daniel Rocha: Como ator, quero que ele fique com o Leandro. É muito mais interessante para minha interpretação e ator que não gosta de conflito é burro. Além disso, todos os grandes atores já fizeram um papel de homossexual. Sean Penn, Heath Ledger, Daniel Day-Lewis, até o Brad Pitt. Acho que todo ator busca esse lado, para entender um pouco mais do ser humano, ver a vida de outro modo.

iG: Acha que a sociedade está pronta para isso?
Daniel Rocha: Ela ainda é preconceituosa. Muitas pessoas têm o discurso livre, mas quando o assunto é levado para dentro de casa, a situação muda. Por exemplo, vejo muitos amigos gays que têm namorados, mas não assumem para os pais porque têm medo da reação. De 20 pessoas, apenas dois se assumem e isso quer dizer que há algo errado. A sociedade se diz liberal, mas não sei se está preparada para um beijo gay em horário nobre.

iG: A psicanalista Regina Navarro, em entrevista ao iG, disse que “a tendência é que as pessoas busquem o amor muito mais pelas características de personalidade em comum do que em função do gênero do parceiro”. Acha que o Roni pode se encaixar nessa tese?
Daniel Rocha: Pode ser. Dizem que o futuro do ser humano é ser bissexual. Não sei, daqui há 100 anos, quem sabe? Acho que não estarei vivo para ver isso... Mas acho que pode acontecer e é uma boa justificativa para o Roni.

iG: Qual é o seu lado feminino e masculino?
Daniel Rocha: Sou bastante vaidoso. Gosto de ir ao salão cortar os cabelos e as unhas porque tenho medo de encravar. Gosto de passar um pós-barba e estar sempre perfumado. Me preocupo com o que vou vestir. Já o lado masculino... Pô, eu era lutador. Porrada na cara não é nada para mim. Levava soco e achava graça. (risos)

iG: E como está o assédio com o público?
Daniel Rocha: O que posso dizer é que as mulheres são mais assanhadas. Elas agarram e rasgam as roupas. Os homens são bem respeitosos, geralmente elogiam o meu trabalho. 

iG: Existe muitas Suelens por aí?
Daniel Rocha: Sim e bem decididas. Um dia estava numa festa em Goiânia e vieram umas 30 mulheres me cantar. Enquanto eu conversava com uma menina, vinha outra me puxando. Elas dão em cima, sem se importar que as outras 29 também estão. Acho graça. Com uma Suellen, pode ser que dê certo no momento. Mas não sei se teríamos algo. Sou meio esquisito. Gosto de mulheres que gostem das mesmas coisas que eu. Tipo filme preto e branco e de conversar. Sou bem romântico.

Daniel Rocha
Isabela Kassow
Daniel Rocha

iG: Acha que as mulheres estão perdendo o romantismo?
Daniel Rocha: Romantismo sempre é bacana. Homem busca uma mulher romântica para estar do lado. Claro, sempre existem as Suelens, mas querem algo sério com uma menina mais certinha. Mas, sinceramente, hoje não estou me preocupando com isso. O foco é a minha carreira.

iG: O que procura em uma mulher?
Daniel Rocha: Quero uma menina carinhosa, que me entenda e tenha gosto parecido com o meu. Gosto de ficar em casa, assistindo filme dos anos 20, 30, 40; cinema alemão, russo e francês. Adoro ir ao teatro e ler. É muito difícil achar alguém que nem eu com 20 anos. Mas paciência. Por isso que a maioria das mulheres que me relaciono são mais velhas. Elas são mais do meu mundo, estão mais maduras.

iG: Ficaria com uma fã?
Daniel Rocha: Sim. Se ela é minha fã ou não, em primeiro momento, não sei. Se eu gostar dela, não tem problema. Mas não saio beijando todo mundo, tenho uma educação. Sou muito respeitador às mulheres, não sou de chegar agarrando. Não preciso ficar beijando todo mundo. Não dá, né? Gosto de conversar com a menina antes.

Agradecimentos: Museu Histórico do Exército e Forte de Copacabana (tel:21 2522-6966)


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