Apresentador fala ao iG do “Conversa de Gente Grande”, que saiu da grade da Band, de política e das polêmicas com Rafinha Bastos: “Ele é um ingrato"

Na busca constante de se autoconhecer, Marcelo Tas não para. O apresentador, que ficou conhecido por dar vida a personagens marcantes como o repórter Ernesto Varela e o professor Tiburcio, do programa “Rá-Tim-Bum”, hoje tem na agenda fixa de compromissos atividades em diferentes plataformas e que abrangem os mais diferentes assuntos. Além de escrever seu blog pessoal, grava o “Plantão do Tas” no canal infantil Cartoon Network, tem uma coluna na revista “IstoÉ” sobre o mundo digital e ainda comanda o humorístico “CQC” na Band.

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Apaixonado pelo seu trabalho e pela televisão, Tas se envolveu recentemente em uma polêmica com o ex-companheiro de programa Rafinha Bastos . Na ocasião, Rafinha alfinetou os integrantes do “CQC” dizendo que o humorístico acabou com sua saída, em outubro de 2011. “Eu acho uma injustiça alguém falar mal de um projeto que o revelou. Ele foi um ingrato com uma equipe que trabalhou tanto para ele ser o que ele é hoje”, diz o apresentador em entrevista exclusiva ao iG .

Chegando aos 30 anos de carreira na TV, o jornalista fala sobre as décadas no ar seu novo desafio, o "Conversa com Gente Grande", ou "CGG", programa de debate e entrevistas com crianças na mesma emissora.

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A atração foi ao ar por sete domingos e não conseguiu passar dos três pontos no Ibope. “A obrigação no domingo é do Faustão, não minha. Ele é quem tem o dever de dar um caminhão de audiência na Globo, não eu”, desconversa o apresentador em tom de brincadeira. O programa, que já tem mais seis episódios gravados, deixou a grade da Band por tempo indeterminado.

Confira o bate-papo realizado com o apresentador nos bastidores da emissora...

iG: Como foi fazer um programa só com crianças?
Marcelo Tas: Tem um lado que é renovador. É como se eu recarregasse minha bateria aqui. Eu tenho uma agenda pesada de compromissos. A gente nunca sabe o que vai sair dessas crianças, então não dá para estabelecer um ritmo de gravação e colocar tudo no ar. Tem dias que gravamos muito e não usamos nada e outros que gravamos só um pouquinho e usamos tudo.

“O Sílvio é um cara que faz o que quer porque ele é o dono da emissora. Ele pode aparecer pelado e de cabeça para baixo que ele ainda vai ser o Silvio Santos"

iG: Como fugir das situações constrangedoras em que as crianças te colocam?
Marcelo Tas: Não tem muito como escapar, viu? Eles te colocam na parede, sempre saem de casa já com alguma coisa na cabeça. Com criança você tem que entrar no jogo e estar preparado para tomar um baile deles.

iG: No domingo você disputava audiência com gente de peso, como o Faustão, o Silvio Santos...
Marcelo Tas: Olha, é uma responsabilidade grande, mas aqui na Band a gente não tem muita pretensão de audiência. Esta obrigação no domingo é do Faustão, não minha. Ele quem tem o dever de dar um caminhão de audiência na Globo, não eu (risos).

iG: Falando nesses apresentadores veteranos, como você vê a permanência deles na TV? Acha que falta rotatividade?
Marcelo Tas: Toda emissora inteligente busca essa renovação. Aqui na Band o “CQC” representou isso e revelou uma série de apresentadores que não existia, como o Gentili, o Rafinha, o Luque. Ao mesmo tempo, não é fácil. Não é que as emissoras não querem renovar, Mas depois de tanto tempo tem uma hora que vem alguém bom, como o Marcelo Adnet, que é brilhante.

iG: O que você está achando desse momento louco do Sílvio Santos, que faz e diz tudo o que pensa no ar?
Marcelo Tas: O Sílvio é um cara que faz o que quer porque ele é o dono da emissora. Agora o crédito do Sílvio é muito grande. Ele é um cara que já deu tanto para o telespectador. São tantos domingos, que o crédito dele é enorme. Ele pode aparecer pelado e de cabeça para baixo que ele vai ser ainda o Sílvio Santos por quanto tempo ele quiser. O importante é fazer televisão com tesão, com vontade, como ele faz.

iG: O professor Tiburcio e o repórter Ernesto Varela ainda estão vivos em você?
Marcelo Tas: Eu tenho muito carinho e orgulho de tudo que eu fiz, mas eu não sou saudosista. O meu momento é agora. Eu reconheço a importante do Varela na minha vida e pretendo ano que vem lançar um DVD e um livro dele, mas não mais que isso.

“Tiririca se tornou um deputado bastante representativo hoje. Ele é um dos caras mais participativos do Congresso”

iG: Já que tocamos no assunto do Varela e estamos em ano eleitoral, qual foi o maior absurdo que você já viu ao longo dessa sua carreira cobrindo política?
Marcelo Tas: É difícil eleger, viu? A competição é muito dura, mas eu estava naquela noite em que não foram aprovadas as eleições diretas no plenário do Congresso. Eu estava lá dentro como Ernesto Varela. Aquele foi um dia em que eu vivi uma emoção muito particular de ver milhões de pessoas na rua pedindo eleições diretas e ver aqueles caras dentro daquele ar-condicionado, com carpete e tudo mais, não serem sensíveis. Me escandaliza a desconexão dos políticos brasileiros com a realidade.

iG: O que você acha dos candidatos midiáticos, os famosos que querem emplacar na vida política?
Marcelo Tas: Quem fica famoso muito rápido vive uma coisa muito perigosa. Ele pode claro usar isso para começar alguma coisa, mas isso também pode fazer o tombo ser maior. Se o deputado Jean Wyllys está aí com uma carreira consistente, não é porque ele é ex-BBB, é porque ele é bom. O Tirica é um exemplo de alguém que até tinha o que dizer. Ele tinha uma expectativa negativa, mas na minha avaliação, ele veio para mostrar que o Congresso é muito fraco. Ele se tornou um deputado bastante representativo hoje, de uma visão que revela o quanto tudo lá é ineficiente. Ele é um dos caras mais participativos do Congresso, que está tentando entender como funcionam as coisas por lá, como ele prometeu. Outro que está se mostrando consistente é o Romário. Eu tinha uma desconfiança por conta da fama de boêmio e mulherengo dele, mas está mostrando o contrário. Ele é hoje um dos caras mais sérios do Congresso. A gente não pode ter preconceitos. A vida não se resume a ficar conhecido.

iG: Você se considera uma pessoa famosa? Isso te envaidece?
Marcelo Tas: Eu não posso negar e nem fugir disso. No comecinho da minha carreira, nos anos 1980, eu pegava a ponte aérea e, por causa do Varela, o Fernando Henrique Cardoso, o Lula, o Suplicy vinham falar comigo. Com vinte e poucos anos eu era reconhecido por gente muito importante. Isso foi crucial para eu não dar uma pirada na fama, e eu não dei. Outro exemplo desse pico foi com o Rá-Tim-Bum, que foi líder de audiência. Ele ganhava da Xuxa. Era como se eu fosse o rei dos baixinhos nas manhãs.

“O Rafinha é um ingrato. Não faz sentido eu trabalhar com ele”

iG: A chegada do “Pânico” à Band te desestimulou de alguma forma?
Marcelo Tas: Não, pelo contrário. Eu sou um cara que valoriza muito o trabalho. O Pânico eleva a audiência da Band, o que é muito bom pra todos nós que trabalhamos aqui.

iG: Você acha engraçado o tipo de humor que eles fazem?
Marcelo Tas: Eu não sou telespectador do “Pânico”. Eu gosto muito do Carioca e do Eduardo, são dois comediantes surpreendentes, geniais. O Pânico tem uma coisa da sátira que eu acho fantástico. Ao mesmo tempo, tem toda aquela praia de torta na cara, que não é a minha. Mas isso não é um problema deles, é meu. Isso é muito para adolescente, não pra mim.

iG: Como você lida com as críticas de audiência e de falta de inovação do “CQC”?
Marcelo Tas: Se eu me importasse, a gente não teria feito nada por aqui. O “CQC” está vivendo o ano de maior audiência média que ele já teve, mas não é uma audiência para ficarmos comemorando ou tranquilos. O “CQC” é o programa mais cobrado da mídia brasileira. Até quando ele acerta é criticado. A gente tem que ter o couro duro, porque apanhamos muito.

iG: Você já visualiza o momento em que pode passar o comando do “CQC”?
Marcelo Tas: Eu faço as coisas enquanto estou achando que elas são relevantes, e o CQC ainda é relevante pra mim. Agora: é claro que eu penso no momento que eu vou passar o bastão. É importante saber disso e estão todos sendo preparados. Sentar onde eu sento não é fácil.

iG: Sobre o Rafinha Bastos: por que ficar trocando farpas com ele em público?
Marcelo Tas: Eu acho uma injustiça alguém falar mal de um projeto que o revelou. O Rafinha é um ingrato com o programa que o revelou. Quando você fala mal de um programa, você não está falando mal de uma pessoa e, sim, de quarenta pessoas que fizeram tudo. Ele foi um ingrato com uma equipe que trabalhou tanto para ele ser o que é hoje.

iG: Você voltaria a trabalhar com o Rafinha?
Marcelo Tas: Não. Depois das atitudes dele, não faz sentido eu trabalhar com ele. Mas eu quero deixar claro que não tenho mágoas. A questão é o trabalho, que para mim é muito importante. O trabalho é onde a gente se revela e televisão é a minha paixão. Acho que se por ventura formos aproximados profissionalmente no futuro, eu não vou ter problemas de lidar com ele, mas agora eu não volto a trabalhar com ele.

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