Atriz fala sobre o relacionamento com a mãe, Vera Manhães, que sofria de transtorno psiquiátrico

Camila Pitanga , protagonista da próxima novela das deis da Globo, “Lado a Lado, estampa a capa e recheio da revista “Glamour” de setembro.

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A atriz fez um ensaio exclusivo para a publicação na praia Vermelha, no Rio de Janeiro, inspirada na cantora Clara Nunes. Além das fotos, Camila concedeu uma entrevista em que falou sobre o novo trabalho e também sobre o relacionamento com a mãe, Vera Manhães , que sofria de um transtorno psiquiátrico.

“Nunca mais voltei a morar com minha mãe. Entendi que era o possível. Isso me fez amadurecer muito cedo, me deu um senso de responsabilidade, uma coisa que eu tenho muito maternal com meu irmão”, contou a atriz. “Num primeiro momento, criança, eu entendi, não contestei. Era o que era e, na hora que essas coisas acontecem você segue o curso. Na adolescência já veio outro questionamento. A mamãe fazia tratamento psiquiátrico, e eu tinha essa utopia de que poderia salvá-la, trazê-la para uma estabilidade. Isso foi uma angústia grande durante muito tempo. A terapia me ajudou a aceitá-la como ela é, a amá-la e também a ver a beleza dessa situação peculiar”, continuou ela.

Camila falou ainda que sofreu durante um bom tempo, até aceitar que não poderia ser útil no tratamento da mãe. “Não, o difícil foi aceitar essa impotência, entender que eu não poderia fazer nada. É uma característica minha botar a mão na massa, querer resolver as coisas. Acho que foi a primeira vez em que me dei conta de que eu não posso tudo e tudo bem, tudo certo. Não é um fracasso. Foi um processo muito dolorido, mas uma grande lição”, disse à publicação.

Já sobre o trabalho, Camila comentou sobre a possibilidade de vivenciar o que seus ancestrais passaram. “É como se eu tivesse mergulhando na minha ancestralidade. A novela está me dando essa oportunidade. A história oficial, da escola, é a do negro escravo, coitado. Ninguém fala da sabedoria e da força que vêm dessa situação. Acho que a novela pode alimentar a autoestima de muita gente", analisou.

A atriz falou também que o folhetim aborda o preconceito e diz não a ele. "No Rio de Janeiro, na época do início da República, era uma luta pela sobrevivência, o preconceito permeava as relações da sociedade. A maneira que a novela retrata esse preconceito racial, dizendo não a ele, é por meio da amizade da minha personagem com uma branca aristocrata, interpretada pela Marjorie Estiano”, completou.

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