Atriz retorna ao palco de São Paulo com a virgem de 50 anos em "Maria do Caritó" e faz mistério sobre sua performance como cantora na peça

A vida de Lília Cabral vem sendo de realizações. Após viver sua primeira protagonista, a Griselda Pereira, na novela “Fina Estampa”, a atriz reestreia a peça “Maria do Caritó”, um projeto especial para ela. “O desejo de fazer a peça era de reunir no elenco Fernando Neves , Silvia Poggetti e Serroni , que na década de 70 montamos um grupo de teatro que se chamava Companhia Dramática, Piedade, Terror e Anarquia e com isso eu queria reunir pessoas que me ensinaram muitas coisas na vida quando eu comecei”, disse ela na coletiva de imprensa do espetáculo, nesta segunda-feira (6) no Teatro Faap, em São Paulo.

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O local da encenação também tem seu valor para sentimental para a trupe. “Olha que coincidência! Pisamos neste palco, em 1983. Encenamos “O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá”, único romance que  Jorge Amado  escreveu para criança. Depois disso, cada um seguiu para um lado”, relembrou ela. 

Desde a estrea de “Maria do Caritó”, em setembro de 2010 no Rio de Janeiro, a encenação teve que dar uma pausa no ano passado por conta do sucesso de Griselda  e retoma com uma modificação no texto e na formação dos atores. “A primeira versão do texto teve uma readaptação e o Eduardo Reyes substituiu o Leopoldo Pacheco , que está com outros compromissos profissionais, e passou a ser o caçula, posto que antes era da Dani Barros ”, disse Lília, aos risos, sobre os dois “novatos” escolhidos a dedo pela atriz para integrar a antiga “companhia”. "Observei ao assisti-los e encontrei atores maravilhosos"

Virgem aos 50

Na peça, Lília é Maria do Caritó, solteira, beirando os 50 anos idade e virgem por conta de uma promessa feita por seu pai, que entregou sua mão a São Djalminha. “O pai ainda faz com que a cidade acredite que ela é santa só que ela faz promessas e simpatias para se casar com um homem e não um santo", disse a atriz, que se arrisca ao seguir seu grande amor depois que o circo surge em sua cidade. "A história vai encaminhando e percorrendo várias situações muito divertidas”, contou.

Longe de ser uma beata, Lília falou de sua forte ligação com a religião. "Faço promessa todo dia (risos). Sou católica, mas não vou à missa todo domingo, não sou praticante. Mas tenho o prazer de ouvir uma missa bem rezada. Eu rezo. Sou devota de Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora das Graças, Santo Expedito. Quando contam uma história muito bonitinha do santo, já me apego", conta a areiz. "Nossa Senhora de Fátima, por exemplo... eu ia tanto a Portugal e nunca tive uma Nossa Senhora de Fátima. Aí fiz a novela ("Fina Estampa") e fiquei apegada a ela. Isso não é uma salvação pra mim, é um prazer”, continuou. "Minhas tias eram muito religiosas. Elas frequentavam a missa todo domingo e faziam muita promessa. E a família inteira pedia para elas rezarem. Então, às seis horas da tarde, elas iam lá para o quartinho delas e ficavam rezando. Chegou uma hora que às seis horas já não dava mais. Elas tinham que começar às cinco e meia. Aí depois passou para cinco. Chegou um momento que era hora do lanche, às três e meia, e elas já estavam indo porque a família inteira tinha incumbido. Era muito bonitinho. Eu cresci vendo essa religiosidade. Mas não vi ninguém no caritó. Minha família toda se casou", completou a atriz. "Rezo todos os dias antes de entrar em cena".

"Sempre tive fé"

Casada e mãe de família, Lília falou da sua identificação com a virgem do "Caritó". “O que mais me encantou nessa peça foi o fato de acreditar, perseverar, ser determinada na sua ação, quando se vive, procurar sempre fazer o bem e nessa determinação quando existe fé, você chega ao lugar que você quer. Não pode ficar simplesmente esperando as coisas acontecerem. Todas as conquistas aconteceram porque acreditei. Se me perguntarem se eu rezei para isso, eu rezei. Inconsciente ou conscientemente. Quando eu falo de fé no espetáculo pode ter certeza que eu não tive obrigação de saber do que se trata porque eu sempre tive, mesmo eu enfrentando as dificuldades. Fé eu sempre tive, mesmo enfrentando as dificuldades, as coisas que acontecem nas nossas vidas", contou.

Para Lília as mulheres contemporâneas irão se emocionar ao se identificarem com a história que fala da eterna busca do amor. “Noventa e nove por cento das mulheres pensam no amor, sendo ou não casadas. O amor não engloba só o matrimônio. Ele é um sentimento presente em tudo, nos filhos, na sua atividade, com seus amigos. Tudo isso é muito próximo e isso é uma identificação”, contou.

A atriz acredita ainda que a peça tenha uma ligação com o cinema e não descarta o desejo de levá-la para a sétima arte. “É uma peça muito cinematográfica, vamos ver. Eu fiz três anos o “Divã” para colocar no cinema”, disse.

Além de reunir a "velha guarda" no tablado, Lília orgulha-se em aproximar as novas gerações e, de quebra, as diferentes classes sociais com uma temporada popular às sextas-feiras. “Será a metade, R$ 15. Precisamos ter essa história para termos sobrevida, senão ele (o teatro) acaba. Penso muito nos jovens. Eu lembro que quando era estudante assisti à peça “É”, com a Fernanda Montenegro , seis vezes, no Teatro Maria Della Costa. Eu saía com a minha carteirinha porque realmente eu não podia pagar. Sentei no chão essas seis vezes. Aquilo pra mim era uma aula. Nem todos têm como meta se transformar num ator, mas teatro é cultura. É importantíssimo que isso exista” , disse ela que estreou o projeto no Rio, às quintas-feiras.

"Lógico que só podemos fazer isso porque temos um patrocínio. Quem vai na temporada popular é aquele povo que se interessa realmente. Não é aquele que a mulher obrigou o marido a ir ou vice-versa. Ele quer ver o artista e gosta do teatro", completou.

Cantar também está em uma das encenações de Lília, em que a atriz se recusou ao se pronunciar sobre a performance. “Tem que assistir à peça pra entender o que é...É surpresa”, disse. “Eu gosto de cantar mas não sou cantora”, adiantou ela.

Com texto de Newton Moreno e direção de João Fonseca , "Maria do Caritó" estreia dia 10 de agosto e ficará em cartaz até 16 de dezembro, no Teatro Faap (Rua Alagoas 903 - Higienópolis- São Paulo - SP).


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