Grávida do primeiro filho, a apresentadora comemora sucesso do "Viva Voz", no GNT, e fala como percorre a linha tênue entre a vida íntima e pública dos famosos que entrevista

Sarah Oliveira:
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Sarah Oliveira: "Eu mudei, cresci"

Foram menos de 30 minutos de bate-papo por telefone, mas impossível não perceber a felicidade de Sarah Oliveira . Com aquela voz de quem está sempre com um sorriso no canto da boca, a apresentadora falou ao iG Gente sobre a atual fase da carreira e da vida: sucesso com a atração "Viva Voz", do GNT, e a gravidez de quatro meses de seu primeiro filho com o marido,  Thiago Lopes .

A entrevista seria ao vivo, mas Sarinha, como ficou conhecida por todo o Brasil depois de passar cinco anos na MTV, está saindo de férias. Quer aproveitar um pouco o tempo que tem antes de começar as gravações da terceira temporada do "Viva Voz". E claro, curtir a gravidez. Para ela, que está com "o mesmo cara" há seis anos, ter um bebê agora "era algo que tinha que acontecer". "Estou bem feliz", resumiu.

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Sarah Oliveira: a barriguinha ainda não quer aparecer
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Sarah Oliveira: a barriguinha ainda não quer aparecer

Mas outro "filho" chegou antes desse. Depois de 13 anos de televisão, Sarah está fazendo pela primeira vez um projeto idealizado, produzido e apresentado por ela. E com tudo a que tem direito: convidados especialíssimos - sabe aqueles que pouca gente consegue entrevistar? Pois é, esses! - , produção de cinema - o irmão e cineasta Esmir Filho , Vera Egito  e Daniel Ribeiro estão por trás de tudo -, e o apoio total da Globo.

Aliás, depois de passar pela "melhor TV da América Latina", como ela descreve a Globo, como repórter do "Video Show" e em participação especial no matinal "Mais Você", e passar um tempinho "na geladeira", a própria emissora a levou para o canal pago GNT. "Fiquei um tempo contratada sem fazer nada, apresentava projetos para alguns programas, como o 'Fantástico', até que eles viram que o projeto do 'Viva Voz' teria espaço lá", conta.

No atual programa, Sarah consegue declarações divertidas de seus entrevistados e mostra qual é a percepção que as pessoas, baseadas em suas figuras públicas, têm deles. Mas o que ela quer mesmo é que ocorra uma identificação do artista com seu público. Emoção não falta e Sarinha admite ter chorado no episódio com  Gilberto Gil e descoberto um Marcelo Adnet sério. 

Confira trechos do bate-papo do iG com Sarah Oliveira...

iG: O programa tem ideias superoriginais de entrevistas. Como você participa da produção?
Sarah Oliveira: O grande diferencial é que as pessoas curtem as locações e a gente quebra a cabeça para pensar. Eu gosto tanto de pensar em locações que estou em qualquer lugar e anoto tudo. Mas quem dá as ideias são o Daniel Ribeiro e o Esmir Filho. É a primeira vez deles numa empreitada de TV. Eles sempre trabalharam com cinema, a mente criativa deles é diferente da minha. A gente faz uma troca porque eu trabalhei muito com televisão.

iG: Quais foram as locações mais inusitadas em que vocês gravaram?
Sarah Oliveira: É tanto programa legal! Pensamos em um curso de comissária de bordo para saber o que a Marília Gabriela ia fazer numa pane no avião, numa agência de turismo para a Ângela RoRo , para o Ney Latorraca em uma agência de relacionamento. Para a Fernanda Young,  fomos a uma fábrica de biscoito da sorte para saber que frase se parecia com ela.

iG: Você consegue falar de vida pessoal com alguns artistas, como Wagner Moura por exemplo, que nunca tocam nesse assunto. Tem orgulho disso?
Sarah Oliveira: Não falo só de vida pessoal. Eu me emociono muito com o universo do outro. Só para te explicar, quando trabalhava na MTV, viajei para entrevistar o vocalista do REM, Michael Stipe . Pesquisei tudo sobre ele, comportamento, obras de arte de que ele gostava. Mas ele havia acabado de falar que era bissexual e na época o Bush (ex-presidente dos EUA) tinha proibido aulas de educação sexual nas escolas. Aí consegui conversar com ele sobre isso. Nunca precisei fazer sensacionalismo. São 13 anos de carreira. Consegui conversar com muita gente sem sensacionalizar. Nem na Globo.

iG: E se tivesse que fazer isso?
Sarah Oliveira: Eu ia fazer outra coisa. Produzir os filmes do meu irmão. Qualquer coisa.

Sarah Oliveira:
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Sarah Oliveira: "Mudaria de emprego" (se tivesse que sensacionalizar)

iG: Você fala de intimidades dos artistas, mas não fala muito da sua vida...
Sarah Oliveira: Sou muito reservada. Tenho uma vida normal como a de qualquer pessoa. E também sou muito desencanada, estou em outra vibe que a de muitos famosos. Minha vida é diferente, sou amiga dessas pessoas há muito tempo, tenho uma história familiar com elas, de afeto.

iG: Quais episódios do "Viva Voz" te marcaram?
Sarah Oliveira: Quando conversei com o Gilberto Gil, uma baiana falou o que significava pra ela a música "Se Eu Quiser Falar com Deus". Foi forte demais, a equipe inteira chorou. O (Marcelo) Adnet levou muito a sério o programa. Ficou instigado do porquê as pessoas estavam falando aquilo dele. Tentava entender. Se revelou um cara mais sério.

iG: Hoje existe muito artista que prefere se resguardar, foge dos paparazzi, não dá entrevista. O que você acha da frase "vida de artista é pública"?
Sarah Oliveira: Não acho importante os artistas darem entrevistas, não. Tenho amigos pessoais que não querem participar do meu programa de jeito nenhum. Mas o meu programa quer provocar uma interação.

iG: Você não acha importante os artistas darem entrevistas?
Sarah Oliveira: Não culpo e nem condeno quem se incomoda em falar de vida pessoal. Acho que o que as pessoas querem são associações. O anônimo quer isso. Ele quer se identificar com a arte e o artista, como com os jogadores de futebol, os atores. Faço uma interação bonita entre eles. Já me disseram que nem no final de uma peça a pessoa sentiu que teve uma interação tão boa com o público quanto teve no meu programa.

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"Era algo que tinha que acontecer. Gerar um vida", sobre gravidez

iG: Como foi sua passagem pela Globo?
Sarah Oliveira: Foi incrível trabalhar lá. É a melhor TV da América Latina, é muito grande. Tinha que estar com a mala sempre pronta porque podia viajar a qualquer momento. Foi um superaprendizado.

iG: E deixar a MTV?
Sarah Oliveira: A MTV foi uma época meio mágica. Era uma família. Todos os que estavam lá eram amigos. Eu almoço com a Marina (Person ) toda semana, levo os filhos dos Edgard (Piccoli ) ao cinema, agora não mais porque eles estão supergrandes. Sou madrinha dos filhos do Cazé (Peçanha ).

iG: Você ficou um período fora do ar...
Sarah Oliveira: Tive alguns problemas pessoais, na família. Mas na verdade foi um período muito bom ficar fora do ar. Eu mudei, cresci. Estou com um programa que é meu. Nunca tinha criado um programa na MTV.

iG: Já testou com o "Viva Voz" o que as pessoas falam de você nas ruas?
Sarah Oliveira: Depende da locação, né? Fizeram uma brincadeira e acertaram algumas coisas, falaram que eu sou espontânea, e eu realmente sou. Mas disseram que eu dirijo bem. E isso não é verdade, não!

iG: Se tivesse que falar de você, o que falaria?
Sarah Oliveira: É difícil a gente se definir, né? Acho que eu tenho uma espontaneidade, sou uma pessoa sincera. Sou menos permissiva. Sempre fui muito atenta com o outro. Mas agora tento ter mais cuidado comigo. Eu era muito sem egoísmo. Mas agora estou filtrando: disso eu gosto, daquilo eu não gosto.

iG: Está feliz com a gravidez?
Sarah Oliveira: Sarah mãe? Estou bem feliz. Mas sabe? Acho natural, estou com o mesmo cara há muito tempo. Era algo que tinha que acontecer. Gerar um vida.

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