Capa da "Playboy" de agosto, atriz está de volta à Globo e revela ao iG sobre sua nada glamurosa vida de artista: "Tenho um Fusca e limpo o chão de casa"

Após seis anos atuando em novelas da Record e quase uma década fazendo terapia, Nathália Rodrigues , a prostituta russa Natascha de “Gabriela”, se descobriu uma mulher inquieta. Tinha 29 anos quando jogou o conforto do contrato com a emissora evangélica e se entregou aos desafios de fazer teatro no Brasil. “Eu só fazia a mesma coisa. Se fico na monotonia eu piro”, disse a atriz, hoje com 32, durante um ensaio exclusivo para o iG Gente .

Nathália, que começou a carreira na Globo em 2002, quis provar para si mesma que não era mais a “gatinha da ‘Malhação”. Dedicou três anos de sua vida ao teatro, ralando para conseguir patrocínio, e até trabalhando como assistente de palco e figurinista. Chegou a ganhar apenas 100 reais por semana, mas diz que nunca se sentiu tão realizada como atriz.

Nathália Rodrigues
André Giorgi
Nathália Rodrigues

Até saber da união de Walcyr Carrasco, Mauro Mendonça e Jorge Amado na produção do remake de “Gabriela”. Com a coragem de quem busca sempre o novo e vive feliz longe do glamour dos artistas da TV, Nathália enviou um e-mail ao diretor pedindo para participar da trama. “Tenho humildade suficiente para virar e falar 'me dá uma oportunidade?'”.

A capa da edição de aniversário da revista “Playboy” revela como é viver na Grande São Paulo e diz que “não é reconhecida na rua”. Pelo menos até o seu primeiro ensaio nu. “Sou a pessoa mais simples do mundo. Eu ando de ônibus, tenho um Fusca e limpo o chão da minha casa”.

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iG: Você esteve fora da televisão nos últimos anos. Saiu da Record e investiu no teatro. Como foi esse período na sua vida?
Nathália Rodrigues: Eu saí da Record, onde fiquei seis anos, e quando acabou meu contrato eles quiseram renovar. Não quis. Fui para os EUA estudar teatro e quando voltei fiquei fazendo uma peça atrás da outra. Queria mesmo viver de teatro, queria poder ultrapassar o meu limite artístico. Na Record, eu fiquei emendando uma novela atrás da outra, não consegui ter a oportunidade de fazer cinema, teatro e de estudar. E quando me vi, eu só fazia a mesma coisa. Estava chegando aos 30 anos e falei, 'Meu Deus, preciso fazer outra coisa porque isso eu já sei fazer'. O teatro me deu a possibilidade de aprender várias coisas, foi muito agregador na minha vida, artisticamente falando.

iG: É possível viver só de teatro?
Nathália Rodrigues: Humm... Pausa, né? É difícil, mas é muito enriquecedor. Gratificante é você conseguir sobreviver do teatro. Me sentia uma heroína todo final de mês quando conseguia pagar as minhas contas.

iG: E agora você está na Globo, que te dá toda uma estrutura...

Nathália Rodrigues: Não, eu nem me importo com essa estrutura. Pra mim é tudo a mesma coisa. Fazer cinema, teatro, televisão, para mim é a mesma entrega, então não me bate ter uma estrutura ou não ter. Fiz peças em que ganhei salário muito bom de patrocínio, mas também fiz peças em que meu salário era a bilheteria, e eu ganhava 100 reais por semana. No final do mês não dava nem mil reais. Me virava nos 30. Fazia uma peça em que ganhava pouco, fazia assistência de direção para outra, fazia iluminação na outra. Tive oportunidade de abrir meu campo. Hoje, se eu não estiver atuando, não tiver perspectiva de atuar, eu sei fazer um som, um figurino, outras coisas.

iG: Isso de emendar um trabalho no outro, a Record exigia isso de você?
Nathália Rodrigues: Não. Mas eu era escalada e achava o máximo. Graças a Deus eu tinha trabalho. Mas chegou no final eu vi que estava chegando aos meus 30 anos - estou envelhecendo, né? - não sou mais a gatinha da “Malhação”. Ou eu mudo ou eu mudo. Ou eu ia ficar fazendo isso para o resto da vida e vai ter uma hora em que não vai ter espaço para eu trabalhar.

Nathália Rodrigues
André Giorgi
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iG: Achei que ter cara de novinha era bom para uma atriz...
NatháliaRodrigues: Graças a Deus eu tenho cara de menina, consigo sobreviver mais sete anos, mas e aí, depois, eu vou pra onde? Eu vou fazer o que? Vou continuar fazendo a menina de 20 anos? O que eu sempre fiz? Não! Eu não tenho mais 20 anos, mas eu sei só fazer isso! Quer dizer, eu pensei que sabia fazer só aquilo. Então chegou um momento em que eu achava tudo muito ruim, era tudo a mesma coisa. Queria ter uma descoberta artística e seguir um caminho mais alternativo.

iG: E como aconteceu o convite para participar de “Gabriela”?
Nathália Rodrigues: Li no jornal sobre essa junção Walcyr, Mauro Mendonça e Jorge Amado. Eu fale, 'Nossa preciso ir atrás disso'. E aí peguei minha cara de pau, mandei uma mensagem para o diretor para pedir uma oportunidade de fazer um teste. Eu falei 'Mauro, desculpa eu estar invadindo o seu espaço na internet, mas eu quero humildemente pedir um espaço para fazer um teste, caso haja um personagem em que eu me encaixe', e aí ele me deu e eu agarrei.

iG: Ficou com medo de levar um 'não'?
Nathália Rodrigues:  Pedi na cara de pau mesmo. Você trabalhar com arte é diferente de você trabalhar com glamour. É muito diferente, se fosse glamour eu ficaria em casa esperando alguém ligar, mas o tempo ia passar e eu ia envelhecendo e não ia sair dali. Tenho humildade suficiente para virar e falar 'Me dá uma oportunidade?'. Eu ainda não sei nada dessa vida, tenho apenas 31 anos. E eu tenho muito o que aprender. Então se eu não pedir oportunidade para aprender com quem sabe, o que vou fazer?

iG: É bom estar na Globo?
Nathália Rodrigues: É bom estar trabalhando.

iG: A Ivete Sangalo está no mesmo núcleo que você na novela. Como está sendo gravar com ela?
Nathália Rodrigues : Ela é o máximo, uma energia, uma luz muito grande, muito própria. Acho que de uma coragem maravilhosa. Agarrar essa oportunidade e ela fazer tão bem como ela tá fazendo. Sei que teve algumas críticas, mas acho que ela vai mostrar a que veio.

iG: E você trabalha no famoso cabaré Bataclan. Como foi se preparar para viver uma prostituta da década de 1920?
Nathália Rodrigues: A sensualidade naquela época era você tampar o seu corpo. Hoje em dia a sensualidade virou uma vulgaridade. Não existia roupas pequenas e justas, a sensualidade é um gestual pequeno, a maquiagem, que só as meninas do bordel podiam usar.

iG: Você se acha uma mulher sensual?
Nathália Rodrigues: Eu não... Talvez a minha sensualidade seja ser uma pessoa normal, simples. Não sou uma pessoa que me enfeito, uso calça, camiseta de banda e coturno. Camiseta Hering largadona.

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André Giorgi
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Nathália Rodrigues
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iG: Em “Gabriela”, as meninas jogam todo o charme para seduzir os homens. Você também usa a sensualidade no cotidiano, no seu casamento, por exemplo?
Nathália Rodrigues: Não sei. Não consigo enxergar o momento em que eu uso a minha sensualidade. Acho que você ser sensual é você estar bem com você. Independente de você estar vestindo roupa curta ou tampada. Hoje em dia acho que você ser sensual é você ser normal. 

i G: Você comentou durante o ensaio que fez 10 anos de terapia... Por quê?
Nathália Rodrigues: A análise me deu uma postura de vida, eu sei o que é bom ou não pra mim. A análise foi crescendo junto comigo, hoje eu sou uma mulher madura e resolvida, em todos os aspectos da minha vida. Quando você é adolescente você se testa em tudo, até você se encontrar. Eu fui me testando, de patricinha para hippie, para não sei o quê. 

iG: Como você é quando não está sob os holofotes?
Nathália Rodrigues: Eu sou uma pessoa muito simples, quem complica a vida somos nós mesmos.

Nathália Rodrigues
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iG: Mas você gosta de estar sob os holofotes?
Nathália Rodrigues: O glamour é um trabalho, não é a minha vida. A vida de um ator não é glamour. A vida é a vida como ela é. Eu choro, tenho celulite, tenho estria. Eu pago as minhas contas, ando de ônibus, de metrô, corro pra lá e pra cá para conseguir o patrocínio da minha peça, eu limpo o chão da minha casa, lavo a minha louça, tenho um Fusca. Mas eu tenho o meu momento de glamour, quando eu coloco o sapato de R$ 15 mil também. Eu prefiro manter a minha vida do jeito que eu criei. É muito difícil você conseguir sustentar um glamour, ser celebridade.

iG: Tem algum momento do dia em que você não se sente bem?
Nathália Rodrigues: Acho que ninguém se sente bem 24 horas por dia. Não me sinto bem quando acordo com a cara inchada, quando estou na TPM, quando fico longe do meu marido e da minha família. Mas acho que no mínimo 12 horas do dia eu me sinto bem.

iG: Você nunca escondeu que já viveu uma guerra com a balança nos seus vinte e poucos anos. Como está tão magra agora?
Nathália Rodrigues: Eu como muito, mas na verdade eu sempre tive um peso e consegui manter. Mas engordei e emagreci, sim. Um trabalho como o de “Gabriela” exige que eu esteja um pouco mais seca. As russas não tem o bundão brasileiro. Corro todos os dias, eu pratico maratona, seis quilômetros por dia. 

iG: Qual o seu segredo para se sentir bonita?
Nathália Rodrigues: É estar bem com você. Eu sou bem resolvida, então acho que reflete na minha pele. Mas é claro que vou ao dermatologista uma vez por mês e no inverno passo ácido no meu rosto.

iG: Algumas atrizes têm medo de envelhecer e você já mostrou que pensa muito nisso. Que papéis quer fazer no futuro?
Nathália Rodrigues: Eu vou fazer a mãe, a avó, uma personagem da minha idade, porque senão eu vou ser uma boneca plastificada, e não é essa a intenção. Minha intenção é buscar a verdade no que eu faço. E não ser uma Barbie.

iG: Várias fotos suas em uma praia de nudismo caíram na internet em 2007. Como se sentiu naquela situação?
Nathália Rodrigues: Não me incomodou de forma nenhuma. Porque na época eu era praticante do naturalismo, eu fazia parte da Associação dos Naturalistas do Brasil, e fui invadida em um lugar onde não se pode fotografar e é uma área reservada para isso. Infeliz de quem fez isso, porque recebeu o que merecia. Eu pensei 'Meu Deus, invadiram o meu modo de vida'. Eu não estava em Copacabana, em um lugar público, estava em um lugar propício para praticar naturalismo. 

Stylist: Thiago Setra e Andrea Clara
Make e cabelo: Fabinho Araújo
Moda: Bobô, Tigresse, HIT, Ciça e Renata bijoux

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