Em uma conversa com iG Gente, atriz conta lembranças e preferências, diz que adoraria fazer o papel da Viúva Porcina e que nunca se encantou pelos príncipes dos contos de fada

Lilia Cabral
Divulgação/TV Globo
Lilia Cabral
















Lilia Cabral está de férias desde o fim de " Fina Estampa ", em março. Saiu da pele de Griselda Pereira, o Pereirão, sua primeira protagonista em uma novela, com o status de melhor atriz da TV brasileira em 2011 e um novo melhor amigo: o ator Paulo Rocha. Se preparando para reestrear no teatro a peça "Maria do Caritó", Lilia bateu um papo com iG Gente. Confira.


iG - Qual foi o primeiro disco que você comprou?
Lilia -
O primeiro que comprei com o meu dinheiro foi um dos Beatles, mas os primeiros que pedi para a minha mãe comprar foram aqueles disquinhos coloridos de historinhas infantis. Eu sou da época da rotação 78, o dos Beatles já era long-play.

iG - Qual seu conto de fadas favorito?
Lilia - "Alice no País das Maravilhas". É conto de fadas? Não sei, acho ela tão revolucionária! Mas Branca de Neve, Cinderela, esses contos em que o príncipe salvou, ou beijou, ou acordou, nunca fizeram a minha cabeça, nunca me via dentro desse universo. Achava que meu conto de fadas não era assim, não tinha carruagem, cavalo branco. Era mais uma aventura.

Lilia Cabral e Alice, a protagonista daquele que ela considera o seu conto de fadas favorito
Divulgação/TV Globo
Lilia Cabral e Alice, a protagonista daquele que ela considera o seu conto de fadas favorito

iG - Qual é a sua hora preferida do dia?
Lilia -
De manhã cedinho, sete horas da manhã. Eu acordo cedo, acho um desperdício perder a manhã, fico boba quando as pessoas dizem que acordam ao meio-dia. Quando eu morava em São Paulo, se não tivesse que trabalhar eu dormia até às duas horas da tarde. Quando me mudei para o Rio, em 1984, aprendi a saborear o que é ter um dia inteiro de trabalho, de vida, para você se organizar. Depois que a Giulia nasceu (a filha única, de 15 anos), ficou mais difícil de dormir e eu não acho ruim acordar cedo, eu sou feliz da vida. Às sete horas da manhã minha mente é tão saudável, eu levanto cedo para estudar, gosto de estudar meus textos de manhã.

iG - Se sua vida fosse virar um filme, quem faria o seu papel?
Lilia - Giulietta Masina. Tem que pegar pesado, vou escolher quem?

Lilia Cabral e a atriz italiana Giulietta Masina, sua escolha para interpretá-la
Divulgação/TV Globo
Lilia Cabral e a atriz italiana Giulietta Masina, sua escolha para interpretá-la

iG - O que te faz rir?
Lilia -
Meus amigos, sempre, acho uma delícia estar com meus amigos. E tem certas situações de que você vai rir o resto da vida. Outro dia eu perguntei para a minha cozinheira onde era que ela jogava fora o “número dois” do Gucci (o cocô do cachorrinho maltês, que ela leva para passear). Ela disse que era em um poste, onde todo mundo deixava. Acontece que ali não tem lixo, e todo mundo vai deixando os saquinhos empilhados na rua. Então eu falei que o Zeca Camargo, que é meu amigo, tinha mandado instalar uma câmera no poste para ver quem estava jogando os saquinhos ali. Ela acreditou, já tinha visto o Zeca na minha casa, e ficou morrendo de medo de aparecer no "Fantástico" jogando o lixo no lugar errado. Fez um movimento na rua inteira para instalarem um lixo no poste. Você não vai rir disso para o resto da vida?

iG - Qual seu programa favorito na TV?
Lilia - Por muitos anos foi “A Grande Família”, mas agora não tenho tido tempo de assistir. Ultimamente estou adorando ver as novelas todas, das 6, das 7 e das 8. Gosto muito também do canal Viva, as novelas antigas me dão muito prazer. Para lembrar, ver a dramaturgia, e ver também como a gente evoluiu em muitas coisas.

iG - Qual o papel com que você sonha no remake de uma novela antiga?
Lilia - Gostaria de fazer a Viúva Porcina (de “Roque Santeiro”, 1986). Mas o mundo inteiro quer fazer a Viúva Porcina! E queria fazer também a rainha de ‘Que Rei Sou Eu’, acho que ia me deliciar. Tenho fascínio por aquele personagem muito arquetípico, mas ao mesmo tempo muito verdadeiro, e com muita comédia, que o Cassiano (Gabus Mendes) escrevia muito bem.

iG - Qual será seu próximo trabalho na TV?
Lilia - Não tenho a mínima ideia. Volto para o teatro em agosto, com "Maria do Caritó", peça que já fiz no Rio e agora levo para São Paulo. Estreia dia 11, no Teatro Faap. Na TV imagino que vá surgir alguma coisa lá pelo segundo semestre de 2013.

iG - O que você me conta sobre o Paulo Rocha?
Lilia - Nos tornamos amicíssimos, ele é meu melhor amigo. Uma pessoa incrível. A gente se dá bem, conversa muito, saímos para almoçar. Outro dia fomos almoçar na (livraria) Argumento, encontramos o Manoel Carlos. Ele reclamou que o Paulo Rocha está perdendo o sotaque português.

Cena do romance de Guaracy (Paulo Rocha) e Griselda (Lília Cabral) em
TV Globo
Cena do romance de Guaracy (Paulo Rocha) e Griselda (Lília Cabral) em "Fina Estampa"

iG - Qual seu destino favorito de viagem?
Lilia -
Os mesmos de sempre. Não tenho o menor interesse em ir para a Birmânia, Bangladesh, Marrakesh, exotismo não é comigo. E sou urbana, não quero viajar para ver uma cachoeira. Na próxima viagem vou para Berlim, que ainda não conheço, mas fico nessa zona de segurança. Se tiver que viajar para um país distante a trabalho, aí eu vou numa boa.

iG - Qual o melhor conselho que você já recebeu?
Lilia - Não colocar os óculos para se olhar no espelho depois dos 40 (Lilia tem 54 anos). Sem óculos você vê tudo “flu” e acredita que está tudo “flu”. De óculos você vê o que não quer ver.

iG - O que é a beleza?
Lilia - É um estado de espírito. A beleza é uma história de vida. Às vezes tem gente que não tem uma vida bem-sucedida, nem glamorosa, mas deixa uma história bonita. A beleza é o que fica depois que você vai.

Lilia Cabral: a melhor atriz do ano
TV Globo
Lilia Cabral: a melhor atriz do ano

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