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Vladimir Brichta: “Não sou o marido da Carminha”

Ator estreia peça “Arte” no Rio, fala da admiração pela mulher, Adriana Esteves, a vilã da novela “Avenida Brasil”, mas critica imprensa que “não quer informar”

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Foto: Paulo Marcos Vladimir Brichta: Na TV com "Tapas e beijos" e no teatro com "Arte"

O monstrinho verde Shrek e os bonecos de “Toy Story”, Buzz Lightyear e Woody, estão no canto esquerdo do palco, sentados no chão. Vladimir Brichta diz que é Woody. E o pega para a foto. Claudio Gabriel escolhe o astronauta Buzz Lightyear. Resta a Marcelo Flores, meio barrigudo, o do Shrek. Os risos se mantêm fartos no camarim. O clima é de descontração nos bastidores da peça “Arte”, que estreou há duas semanas no teatro Leblon, no Rio (veja vídeo abaixo). 

O humor é o caminho mais fácil para se chegar ao sucesso. ”

Não é por menos. Houve ótima recepção da crítica. A história gira em torno da discussão entre três amigos depois que um deles compra, por R$ 200 mil, um quadro branco. Sob direção de Emílio de Mello, o texto assinado pela dramaturga francesa Yasmina Reza (autora de “Deus da carnificina”, que também esteve em cartaz na cidade) aborda as relações humanas. 

Horas antes de mais uma apresentação, Vladimir expôs à reportagem do iG sua opinião a cerca do mercado das artes, comentou por que só tem feito papeis de comédia da TV e, apesar de se achar engraçado, se nega a fazer stand up. “Me interessa contar história que eu leia ou crie, além da minha experiência pessoal”, afirma.

O ator não se recusa a falar sobre o sucesso da mulher, Adriana Esteves, a Carminha de “Avenida Brasil”. A ela, só elogios. Sua crítica é para os que só se interessam pela repercussão da novela. “Sei que a presença dela (da Adriana) interessa às pessoas, a ponto até de me fazer valer disso. Mas não a ponto de ser varrido disso”, comenta. “Será que só a novela interessa?”, provoca ele, colocando em seguida os bonecos no canto do palco. São brinquedos do seu filho, emprestados para o cenário.

iG: “Arte” é uma peça com crítica aos altos valores que envolvem o mercado das artes plásticas?
Vladimir Brichta:
O tema da arte é só um pano de fundo. O grande foco é a convivência com o próximo. Um quadro aparentemente em branco, que custa R$ 200 mil, é o que provoca a discussão entre três amigos.

iG: Como é sua relação com este tipo de arte?
Vladimir Brichta:
Conheço pouco sobre artes plásticas contemporâneas. Acharia o mesmo absurdo do meu personagem diante de um quadro custar tanto. Vou muito pouco a museus. Sou o típico apreciador turístico. Raramente aqui no Brasil vou a museus. Represento o ridículo do que a gente vive, disso de brasileiro só ir a museus no exterior. Como se aqui não tivéssemos obras importantes para serem vistas.

iG: Não daria R$ 200 mil numa peça de arte?
Vladimir Brichta:
Não daria mesmo. Pelo pouco que sei, acredito na especulação que faz parte desse tipo de mercado. O que valeria 200 mil ou 200 milhões não é para ficar na casa de alguém. A “Monalisa” não pode ficar numa parede dentro de casa. “O grito” também não.

iG: Há pouco o presenciei sendo cumprimentado por uma amiga, que lhe desejou sucesso e recomendou que você fosse logo para São Paulo. O que entendeu dessa afirmação?
Vladimir Brichta:
São Paulo é o melhor mercado para teatro do Brasil. Não é que o paulistano vá ver tudo. Mas lá todo mundo gosta de alguma coisa, há nichos. O cara que prefere o balé, a comédia, o musical... Lá a peça só não vai muito bem se for bem ruim. Porque tem público para tudo! Aqui no Rio a crítica da imprensa afeta o movimento e procura de público. Em São Paulo a força está no boca a boca.

iG: Ganha dinheiro fazendo teatro?
Vladimir Brichta:
Dá para ganhar, mas é difícil. Só dá se você for um sucesso. Com 60% do público, de quinta a domingo, você só paga as contas, sem lucro.

iG: Você vem emendando vários trabalhos de comédia na TV, você se acha engraçado?
Vladimir Brichta:
Me acho engraçado, sim, acho! Sempre me vi como um cara divertido, desde a época de escola, adolescente... Minha formação como ator de comédia é de TV, cresci vendo Diogo Vilela, Guilherme Karan, Luis Fernando Guimarães, todo o pessoal da “TV Pirata”...

Me interessa contar história que eu leia ou crie, além da experiência pessoal.”

iG: E desde quando percebeu que tinha esta veia cômica?
Vladimir Brichta:
Me descobri humorista na televisão. Fiz nove anos de teatro em Salvador. Neste tempo fiz pouca comédia, só em teatro infantil. Quando comecei a fazer TV, já no Rio, emendei vários trabalhos com perfil de humor. De repente fui ficando com a comédia...

iG: Então comédia não foi uma opção?
Vladimir Brichta:
Na TV e no cinema estou à mercê dos convites, por isso no teatro sou mais seletivo, que é onde posso escolher mais. E 98% dos convites que recebo em TV e cinema são para comédia. Tem o “Tapas e Beijos”, “Os Normais”, “Sexo Frágil”... Fico feliz, mas só vou fazer se aquilo justificar meu esforço. Só faria uma comédia no teatro se ela se justificasse muito.

iG: Faria um stand up?
Vladimir Brichta:
Não tenho vontade de fazer. Me interessa contar história que eu leia ou crie, além da minha experiência pessoal. Me interessa ler determinado texto, me emocionar e ter vontade de contar. Além disso, tenho sérias dúvidas de que faria algo com o mesmo talento do Leandro Hassum ou o Marcelo Adnet, que são divertidíssimos.

iG: Sabe contar piada?
Vladimir Brichta:
Sou péssimo de contar piada. Péssimo mesmo. Não me peça para contar uma, por favor (risos).

Foto: Paulo Marcos Vladimir Brichta: sucesso de crítica nos palcos cariocas

iG: Fazer humor é meio caminho para o sucesso?
Vladimir Brichta:
O humor é o caminho mais fácil para se chegar ao sucesso. Isso é, em parte, por conta da internet. Tem muita gente com talento com mais espaço para apresentar seu trabalho. É como o axé, quando estourou com o “É o Tchan”. Em seguida vieram vários grupos na mesma linha. Quem tem talento se mantém. A internet, neste sentido, é generosa.

iG: Mas há muitos “quinze minutos de fama”...
Vladimir Brichta:
Exato. Posso colocar uma pimentinha no debate? O stand up não precisa desse palco aqui do teatro. É como nos Estados Unidos, pode ocupar os bares. É tão difícil conseguir um palco, que o stand up está lá onde talvez deveria estar uma peça. O problema é do stand up, do produtor, do público? Não sei. A questão é que temos pouquíssimas salas de teatro no Rio.

Não tenho vontade de fazer (stand up)... Sou péssimo de contar piada.”

iG: Na sala ao lado da sua peça, há um stand up.
Vladimir Brichta:
Sim. E se fosse aqui no meu horário, eu ia ficar p*. É que está no horário alternativo, das 23h. O stand up pode ser apresentado em qualquer lugar.

iG: Falando do sucesso da sua mulher, em “Avenida Brasil”... Teria medo de encontrar a Carminha na sua vida?
Vladimir Brichta: Como
não? Qualquer pessoa teria medo de encontrar uma Carminha na vida! Engraçado você me perguntar isso. Vieram fazer matérias comigo e os títulos eram “marido de Carminha fala...”.

iG: Isso te incomodou?
Vladimir Brichta:
Eu não sou o marido da Carminha, mas da Adriana. É uma decepção grande com a imprensa que fala de teatro. É você tirar o foco do teatro. Para mim é um orgulho ser marido da Adriana, que é uma atriz estupenda, que faz trabalhos maravilhosos há anos e que, agora, mais uma vez tem outra oportunidade de mostrar seu talento. É um prazer virem falar do trabalho dela. Mas o marido da Carminha é o Tufão (risos).

Meu orgulho sobre a Adriana é imenso. Sei o quanto ela é brilhante.”

iG: Ela já veio te ver no palco?
Vladimir Brichta:
Adriana veio na estreia. Teve um jornal que veio, pediu para fazer fotos no camarim, fazer bastidores... E só saiu foto da Adriana. No finalzinho é que dá uma citada na peça. A novela dá um estouro de ibope, mas já há mídia para isso. Será que só a novela interessa? Estou fazendo uma peça que a crítica está elogiando. Nada disso é suficiente? Sabe o que parece? O único interesse de alguns setores é agradar ao público, não informar.

iG: Essa sua declaração poderia soar um pouco ciumenta para alguns, não?
Vladimir Brichta:
Pelo contrário. Meu orgulho sobre a Adriana é imenso. Sei o quanto ela é, de fato, brilhante. Estou próximo, vendo isso acontecer. E sei que a presença dela interessa às pessoas, a ponto até de me fazer valer disso. Mas não a ponto de ser varrido disso (risos).

Serviço :
“Arte”
Teatro Leblon. Sala Marília Pera
Rua Conde Bernadote, 26 – Leblon.
Tel. 21 2529-7700
Quinta a Sábado, às 21h / Domingo, às 20h
A partir de R$ 50,00

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